Depoimentos da Operação Manus foram retomados

Publicação: 2018-05-17 00:00:00 | Comentários: 0
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A Justiça Federal retomou os depoimentos da “Operação Manus” na manhã de ontem.  Seis testemunhas de defesa arroladas no  inquérito criminal  foram ouvidas ontem na 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte.  O juiz Francisco Eduardo Guimarães presidiu a audiência sobre a investigação de suposto desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro durante a construção do Arena das Dunas para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 em Natal.

Depoimento na 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte
Depoimento na 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte

A Operação Manus tem como réus o ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cosentino da Cunha; o ex-ministro do turismo, Henrique Eduardo Lyra Alves; além de José Adelmário Pinheiro Filho, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, Carlos Frederico Queiroz Batista da Silva e Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara.  Os depoimentos de ontem começaram às 9 horas, no terceiro andar do anexo da sede da Justiça Federal, em Lagoa Nova. Mais sete testemunhas de acusação devem ser ouvidas nesta quinta-feira (17) pela Justiça Federal. Outras quatro pessoas na sexta-feira (18) e sete na semana que vem.

O engenheiro civil Demétrio Torres, considerado uma das testemunha-chave pela atuação que teve durante a construção da Arena das Dunas, negou superfaturamento na obra. Ele questionou a “veracidade” o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) produzido pela equipe técnica da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização da Copa 2014 e que aponta um dano ao erário de R$ 77 milhões.

“A Arena das Dunas foi o único estádio da copa que não teve nem aditivo prazo e nem de preço. Com muita tranquilidade vamos convencer a justiça e ao TCE que está tudo certo”. Questionado pela defesa de Henrique Eduardo Alves, o ex-secretário negou o envolvimento do ex-ministro nas tratativas da obra.

O vendedor Geraldo Luiz de Holanda Pinheiro trabalhou na campanha de Henrique Alves em 2014 fazendo o serviço de produção de bandeiras e adesivos.  Sobre a acusação do MPF de que a empresa que atuava seria um meio de lavar dinheiro, o depoente explicou que os serviços contratados foram prestados. “Todas as notas fisais foram feitas por serviços prestados”, disse.

O empresário Ênio Sinedino, proprietário da 96 FM, que trabalhou na campanha de Henrique Alves em 2014, afirmou que a “Perón Filmes”, apontada como uma empresa de fachada pelo MPF, era o local onde funcionava a coordenação de marketing da campanha e que no período trabalhavam cerca de 70 funcionários. Sobre a sua contratação, ele disse que “todos os serviços foram prestados”.

Até 24 de maio, 25 testemunhas de defesa serão ouvidas pela JF. Até o momento, foram ouvidos a gerente geral do Banco Safra no RN, Joselena de Carvalho Freitas, convocada pela defesa do publicitário Arturo Arruda e o empresário Ênio Sinedino de Oliveira, chamado pelas defesas do ex-ministro Henrique Eduardo Alves e Arturo Arruda.

Também foram ouvidos o engenheiro civil e ex-secretário da Copa do Mundo no Rio Grande do Norte, Demétrio Torres, o vendedor Geraldo Luiz de Holanda Oliveira, e o engenheiro Carlos Ivan Melo e Giovanni Sérgio do Rêgo, arrolados pela defesa de Henrique Alves.

As defesas de alguns réus incluíram testemunhas que têm, por prerrogativa legal, o direito de responderem aos questionamentos por escrito. Nesses casos, as perguntas de todas as partes  já foram encaminhadas e serão enviadas nesta semana, por ofício, às testemunhas, para resposta no prazo de 30 dias. De acordo com o juiz Francisco Eduardo Guimarães, serão testemunhas de defesa por escrito o presidente Michel Temer (PMDB), o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o Ministro de Minas e Energia, Moreira Franco (MDB).

Sobre os depoimentos de defesa, o advogado de Henrique Alves, Marcelo Leal, avaliou como positivos e destacou a fala do ex-secretário Demétrio Torres. “A acusação disse que Henrique teria influenciado o Tribunal de Contas para a continuidade da construção da Arena das Dunas, e existe uma acusação sobre desvio de R$ 77 milhões na obra. Nós ouvimos Demétrio Torres e este prestou esclarecimentos cabais, dizendo que das 12 arenas para a Copa foi a mais barata. O que derruba por completo essa falácia de argumentação de que teria havido desvios”, alegou o advogado.

Sobre o depoimento do empresário Ênio Sinedino, o advogado Marcelo Leal disse que ele  “comprovou que todas as empresas de publicidade que atuaram na campanha não são de fachada e que efetivamente prestaram os serviços, e portanto não houve lavagem de dinheiro”.

A defesa de Arturo Arruda, representada pelo advogado Artêmio Azevedo, afirmou que as testemunhas estão reforçando a tese da defesa que nega o envolvimento do publicitário em atos de lavagem de dinheiro. “ Principalmente a fala de Ênio Sinedino, que é um profissional respeitado na comunicação, demonstra com clareza todo a atuação que foi efetivada pela Art C e por Arturo, que tiverm um trabalho árduo durante todos os dias da produção e realização da campanha do então candidato Henrique Eduardo”, disse o advogado.


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