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Roda Viva - Cassiano Arruda Câmara
Depois de eólica offshore, RN quer hidrogênio verde
Publicado: 00:00:00 - 06/07/2022 Atualizado: 22:03:49 - 05/07/2022
A geração de energia dos ventos, até transformar o nosso Rio Grande do Norte no maior produtor do Brasil, não passava de uma esquisitice, pouco levada à sério e muito menos imaginada como alternativa econômica de desenvolvimento.

Nas vésperas de ultrapassar uma nova fronteira, com o início de investimento no vento do mar – a eólica offshore – ainda provoca questionamentos.

Quando, nesse espaço de jornal, foi publicado um artigo sobre a importância econômica (novidade ainda para muitas pessoas) me foi feito um questionamento sobre essa nova fronteira econômica para o qual ainda não tinha resposta:

- No atual modelo (onshore) um dos pontos econômicos visíveis é o pagamento de aluguel dos terrenos onde são instalados os parques de geração de energia eólica, contemplando centenas de proprietários rurais, que viram se transformar uma área improdutiva numa das mais rentáveis de suas propriedades.

E qual a participação que o RN terá sobre parques instalados no meio do mar? 

Offshore não paga aluguel

Uma equipe do Governo Federal, chefiada pelo Secretário de Clima e Relações Internacionais, viajou para a Dinamarca e Noruega, no começo da semana, repetindo mais ou menos o mesmo roteiro de uma missão do RN, que no ano passado, foi manter contatos sobre a produção de energia limpa, especialmente energia eólica offshore. Enquanto isso, o Presidente da República, num discurso, anunciou o interesse do Brasil na busca desta fonte de energia, procurando vender oportunidades de negócios relacionados à “economia verde”.

Segundo os operadores do mercado, o RN é mesmo a “bola da vez” na busca dessa nova fronteira, preocupado com a legislação tributária – para garantir a cobrança do ICMS na origem.

A fonte governamental desfez a curiosidade do nosso leitor quanto aos projetos offshore não precisarem alugar terrenos, pois a área a ser utilizada, no oceano, é toda da União. Mas, o offshore exige a fabricação de equipamentos o mais perto dos campos marinhos.

RN é bola da vez

Para início de conversa é preciso saber que o potencial de geração de energia eólica offshore do Rio Grande do Norte – segundo alguns dos mais acreditados centros de estudos no mundo - é de 110 a 140 GW.

A capacidade atual de geração de energia eólica onshore, é 12 vezes menor que o potencial offshore, ou 6 GW/h, equivalente a 25% do total hoje produzido em todo o Brasil.

Esse destaque nacional é alcançado devido ao excelente potencial produtivo que o Estado apresenta. No que tange a fonte eólica, o Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro líder em produção desta modalidade de energia, alcançando a marca de produção de 6 GW/h, o que equivale a 25% da geração de eólica nacional na casa de 24 GW/h. Situação alcançada devido ao excelente potencial produtivo que o Estado apresenta, ou seja, alta velocidade de vento e expressivos fatores de capacidade.

Vantagens do vento no mar

Estima-se que a participação dessa fonte aumente nos próximos anos com a implantação de projetos eólicos offshore. Os ventos offshore potiguares possuem alta velocidade média anual 27,64 cerca de 10,81 m/s a uma altura de 100m com desvio padrão de 2,51 m/s e capacidade atingindo 62%.

Por esse motivo, estima-se que geração eólica offshore no RN seja superior a qualquer outro Estado do Brasil. Além disso, o potencial para geração em plantas eólicas no mar é de 110 a 140 GW, a uma lâmina d’água de até 50m de profundidade e distância média da costa de 20km.

Dessa forma, o RN é um dos melhores locais para investimentos em eólicas do mundo e o seu potencial offshore é um atrativo para a instalação de novos projetos, trombeteiam os encarregados de vender as oportunidades de negócio.

Além disso, devido à competitividade pode ser considerado o local com potencial de produzir o hidrogênio verde ao menor custo global. A regulação da energia eólica offshore no RN já está contemplada aqui pelo Decreto nº 10.946/22.

Objetivo final

Quando chegar a esse patamar o RN estará pronto para atingir seu objetivo final: Hidrogênio Verde para atender as inúmeras restrições já colocadas para o consumo de energia no mundo a partir de agora.

Esse é o ingresso para sua inserção no H2V. Depois de eólica offshore com um lugar de player no novo mercado mundial de energia atendendo todas as exigências para salvação do planeta.

O programa potiguar espera que a produção, infraestrutura de suporte e a utilização do hidrogênio se desenvolvam ao longo da década para estabelecer uma economia de hidrogênio.

Os prazos são curtos: na primeira fase, até 2024; a segunda parte precisa ser implantada entre 2025 e 2027; entre 2028 e 2030 será realizada a terceira etapa, definindo a posição do RN a partir de 2030.

O programa potiguar foi concebido por quem acredita estar pronto para participar do desenvolvimento de uma economia de hidrogênio, como o mundo exige, zerando as emissões liquidas de gases de efeito estufa até 2050. Com esse mundo velho voltando aos níveis pré-industriais, conforme o acordo de Paris.

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