Depressão um dos maiores inimigos da contemporaneidade

Publicação: 2017-11-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Celina Guerra* e João Felipe Hollanda**

A depressão é um dos maiores problemas de saúde pública dos dias atuais. Segundo a Organização Mundial de Saúde a incidência dessa doença vem aumentando nos últimos anos e acredita-se que até o ano de 2020 ela responda pela segunda maior causa de incapacitação no mundo. Os números associados ao suicídio, tendo como causa a depressão, são crescentes e cada vez mais preocupantes.

A depressão é considerada  doença desde o século XX e é entendida pela psiquiatra como um transtorno de humor em que a tristeza e irritação são sintomas presentes na maior parte do tempo. Nos portadores desse distúrbio ocorre uma perda de interesse em realizar atividades que antes eram prazerosas e o desânimo torna-se um sintoma frequente. Esse é um entendimento superficial desta condição, uma vez a depressão responde por uma síndrome clínica ampla e complexa.

Mas por qual razão a depressão vem se tornando cada dia mais frequente? De que formas podemos entender essa doença e as formas de combatê-la?

Inicialmente precisamos entender que a psique humana é complexa e que não nos cabe aqui tentar determinar isoladamente as causas da depressão. Cada doente merece ser tratado de forma especializada e individualizada.  De forma superficial, podemos explicar que este é um distúrbio relacionado a uma disfunção na produção de substâncias químicas no organismo a exemplo da serotonina e norepinefrina, e que essa disfunção é desencadeada por diversos fatores como frustrações, medos, insegurança, fatores sociais, psicológicos, dentre outros.

Diversas pesquisas demonstram que o desenvolvimento da depressão está intimamente relacionado a processos crônicos de inflamação causados principalmente por um estilo de vida incompatível com a saúde mental. Mas quais as principais condições são causadoras desse processo de inflamação crônica? Dieta rica em alimentos inflamatórios (farinha refinada, açúcares em excesso, gorduras oxidadas e trans, compostos químicos e conservantes), estilo de vida estressante, sedentarismo e privação do sono são alguns dos inúmeros exemplos de condições que contribuem para o desenvolvimento da depressão.

Uma das abordagens na terapêutica da depressão é o uso de medicamentos e os números relacionados ao uso de drogas para controle dessa doença são assustadores. De acordo com o CDC, que é o Centro de controle e prevenção de doenças dos EUA, os antidepressivos são a segunda classe de medicamentos mais usados no país, perdendo apenas para as drogas redutoras de colesterol. Incríveis 11% da população acima de 12 anos usam antidepressivos com regularidade.

Entretanto é preciso estar atentos às outras possibilidades de abordagem da depressão. Na contramão da indústria farmacêutica, outras propostas de tratamento se mostram de absoluta relevância no tratamento e são complementares ao medicamento: tratamento médico especializado, acompanhamento psicológico, atividade física regular e alimentação saudável devem fazer parte de uma abordagem ampla e multidisciplinar do paciente com depressão.

Como forma de comprovar tais informações, diversos estudos foram desenvolvidos e trazem evidências de que a prática de atividade física regular tem um efeito tão benéfico no tratamento do paciente com transtorno depressivo, chegando a se equiparar com tratamento medicamentoso.

O que precisamos concluir com tudo isso é que a depressão é uma condição patológica que afeta indistintamente pessoas independente da idade, sexo ou religião e que se apresenta como um desafio ainda nos dias atuais devido sua incidência crescente e consequências pessoais e sociais. As causas são diversas e a sua abordagem merece ser cuidadosa e ampla levando em conta não somente as definições convencionais clínicas como também a diversidade de opções não farmacológicas.

*Professora Universitária, Doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Pos- doc em psicobiologia (@celinamguerra).

*Profissional de Educação Física, Coordenador do Instituto De Saúde Preventiva especialista em atividade física para grupos especiais (@felipehollandaoficial).



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