Derrocada nordestina, qual o motivo?

Publicação: 2009-10-11 00:00:00
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A derrocada do futebol nordestino no cenário nacional é evidente, nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro são raros os exemplos de sucesso das equipes da região. O maior destaque é o Ceará, que se encontra na briga por uma das vagas na divisão de elite do próximo ano, além do Vovô, apenas o Vitória, na série A, aparece numa situação tranquila já que está praticamente livre do risco de rebaixamento.  Qual o motivo dessa queda geral que vem se pontificando ao longo dos anos? As respostas são várias, mas a principal delas é a falta de investidores de peso, problema que o ABC pretende resolver através de uma parceria com a Traffic.

O conselheiro do América, Ricardo Bezerra, acusa uma espécie de complô da arbitragem contra os clubes nordestinos visando beneficiar principalmente os clubes médios de São Paulo. Por sua vez o presidente do ABC, Judas Tadeu, descarta a questão de complô focando mais a questão da falta de grandes investidores  para que o futebol nordestino comece a dar certo novamente. “Nós estamos distantes da realidade dos clubes dos grandes centros. O ABC não tem cacife para pagar R$ 50 mil de salários a nenhum jogador ou dar luvas de R$ 100 mil a quem quer que seja. Em São Paulo, clubes sem torcida como São Caetano, Barueri conseguem fazer isso com a maior naturalidade. O que nós necessitamos mesmo são de bons investidores”, destacou.

Após se tornar um dos clubes mais estruturados da região, o Alvinegro natalense vem buscando meios para se equiparar, ao menos, com os clubes médios paulistas. Visando gerar condições para tamanho salto, a diretoria do clube revelou estar negociando uma espécie de parceria com a Traffic, uma empresa gestora de talentos no futebol. “A empresa tem planos de se expandir para o Nordeste e o ABC está na lista deles. Estamos negociando, mas a situação emperrou num único ponto. Eles pensam numa co-gestão na administração do nosso clube, enquanto nós queremos apenas uma parceria. A diretoria não abre mão de controlar os destinos do clube, o parceiro pode até ter participação, só não pode ter a palavra final”, ressaltou Tadeu.

Em recente entrevista à TRIBUNA do NORTE, o presidente do América José Rocha admitiu que com a política atual será difícil equipes nordestinas prosperarem nas competições nacionais, ao contrário dos emergentes clubes de São Paulo, que prosperam mediante a patrocínios fortes ou por servirem de “barriga de aluguel” para os empresários, uma categoria que ganhou bastante força no futebol nacional após a Lei Pelé.

José Rocha, acha que o problema foi criado propositalmente pela CBF, a quem taxa de “madrasta para os  nordestinos”. Ele usa como exemplos o fato de a entidade ter acabado com o Campeonato do Nordeste — competição que se tornou mais rentável para os clubes da região que a própria Copa do Brasil e a série B —, considerando com a pá de cal para situação caótica dos nordestinos a briga que acabou retirando da Futebol Brasil Associados (FBA) o controle sobre a gestão financeira da série B.

O golpe promovido pela CBF para assumir o controle total da segundona, gerou logo um prejuízo  de R$ 160 mil aos participantes, verba que para equipes como ABC e América, bem como para grande maioria dos clubes da região, costuma fazer muita falta no momento de fechar as contas.

Cearenses apontam a má gestão

No Ceará, onde ocorre os dois extremos na série B, com o Vovô lutando pelo acesso a série A e o Fortaleza tentando escapar do rebaixamento, também não existe percepção de complô. A situação está atrelada a má gestão apenas.  “A arbitragem andou sendo discutida aqui por causa daquele gol de mão com o qual o Paraná conseguiu bater o Ceará no Castelão, mas  esfriou”, disse o repórter Ivan Bezerra, do Diário do Nordeste.

A questão do Fortaleza, a crônica cearense considera ser mais um problema de mau planejamento do clube, que contratou mal. “A questão é grave e foi criada uma campanha ‘Fica Fortaleza’, onde a diretoria vai reduzir o valor do ingresso baseado no número de vitórias que o clube necessita para escapar da degola. Contra o Figueirense quando precisava de 6 vitórias, o ingresso teve preço único de R$ 6,00. Contra o Vasco a entrada no Castelão vai custar R$ 1,00”, exemplificou o repórter.