Desafio do novo prefeito, em Natal, é ampliar a cobertura básica de saúde

Publicação: 2020-10-18 01:00:00

Créditos: Arte/TN

Cláudio Oliveira
Repórter


A capital potiguar ainda padece sem conseguir oferecer assistência na saúde básica a toda população. O problema passa não apenas pela falta de unidades de saúde, mas principalmente pela insuficiência de equipes para o atendimento. O Conselho Municipal de Saúde informou que a cobertura na saúde primária da capital não chega a 50% da população, tanto, que há unidades que precisam atender uma alta demanda porque absorve os usuários de várias localidades próximas que estão desassistidas. Esta é terceira reportagem de uma série da TRIBUNA DO NORTE, que aponta os desafios para os próximos gestores nas diferentes áreas da gestão municipal.

No quesito saúde, passada a pandemia da covid-19, o desafio maior é oferecer atenção básica que cubra todo o território. É da municipalidade a obrigação com a rede de saúde primária. “Hoje não se consegue cumprir nem a metade da população. O problema é que, mesmo havendo unidades de saúde, faltam equipes. Há insuficiência em agentes comunitários, técnicos em enfermagem, enfermeiros e médicos”, declarou a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria Dalva Horácio, que é especialista em saúde pública e professora do Departamento de Serviço Social da UFRN.

Créditos: Adriano AbreuPassada a pandemia da covid-19, o desafio maior é oferecer atenção básica que cubra todo o território. É da municipalidade a obrigação de assegurar a saúde primária aos habitantesPassada a pandemia da covid-19, o desafio maior é oferecer atenção básica que cubra todo o território. É da municipalidade a obrigação de assegurar a saúde primária aos habitantes

De acordo com o Relatório Anual de Gestão - RAG, da Secretaria Municipal de Saúde do Natal (SMS), referente ao período de janeiro a dezembro de 2019, a força de trabalho da SMS conta com 6.740 colaboradores, sendo 5.136 da própria secretaria. Os números foram retirados do Sistema de Gerenciamento de Lotação do Servidor – SIGLOS e mostra que do total, 606 são servidores temporários e 257 são de cooperativas. O restante inclui estagiários e servidores de outros órgãos.

O documento mostrou um crescimento de profissionais do quadro efetivo no total de 1.208 servidores, com uma porcentagem de 31% de aumento no quadro de pessoal e a redução de 49% dos profissionais de contratos temporários. Contudo, Dalva Horácio ressaltou que os servidores do Estado e de outros órgãos estão retornando aos seus respectivos postos de origem ou se aposentando, aumentando o déficit de profissionais na rede municipal.

Isso faz com que os serviços diminuam. Em 2019 foi reduzido o horário de atendimento das unidades de saúde ficando de 7h às 16h, de segunda a quinta-feira e nas sextas até meio dia. Com a pandemia do novo coronavírus, algumas unidades tiveram o atendimento ampliado neste ano, voltando a atender até as 17h ou 20h.

“Qualquer gestor que quiser garantir um sistema de saúde decente, tem que complementar as equipes. Saúde é vínculo entre o profissional e o usuário. Isso traz eficiência, fortalece a estratégia de prevenção das doenças com o acompanhamento e, por isso, não pode haver descontinuidade nesse acompanhamento. Quando se tem saúde, se evita gastos em outras áreas”, enfatizou a presidente do Conselho Municipal de Saúde.