Desafio do programa Bolsa Família é quebrar desigualdades, diz diretor do IBGE

Publicação: 2020-02-09 00:00:00
A baixa escolaridade é um dos principais fatores que dificultam o retorno ao mercado de trabalho no Brasil. Segundo as estatísticas divulgadas pelo Ministério da Cidadania, a maioria dos beneficiários do Bolsa Família tem o ensino fundamental incompleto. Para o diretor do IBGE no RN, Damião Hernane, isso evidencia um dos principais fatores do programa: interromper o ciclo de desigualdade. “O Bolsa Família é um programa de transferência de renda. A ideia de transferência de renda é interromper o ciclo de desigualdade que as pessoas estão inseridas”, disse.

A empregada doméstica Maria da Conceição Ferreira, 45 anos, abandonou a escola aos 12 anos para começar a trabalhar e não chegou a concluir o ensino fundamental. Trabalhou como babá e depois como doméstica ao longo da vida, mas desenvolveu úlceras na perna que forçaram ela a sair do trabalho. Conceição chegou a receber auxílio-doença do INSS, mas o benefício foi interrompido após ficar curada.

Foi quando conseguiu a concessão do Bolsa Família, nos primeiros meses do ano passado. Na última quarta-feira (6), Conceição estava na fila da Semtas para atualizar o cadastro e continuar recebendo o benefício. “Por causa das úlceras, que eu fiz cirurgia e hoje não posso mais trabalhar com muito movimento, como empregada doméstica, eu preciso procurar outro emprego. Mas isso é difícil porque eu parei de estudar cedo.”

A situação de Karla Basílio, que aguarda a concessão do Bolsa Família desde junho do ano passado, passa por uma situação semelhante. Ela também parou de estudar cedo, aos 15 anos, para começar a trabalhar. O primeiro emprego de carteira assinada foi obtido aos 19 anos, na empresa a qual permaneceu até ficar desempregada em outubro de 2018. “Eu sempre fui funcionária de serviços gerais e é isso que eu sei fazer. Infelizmente não tenho muito estudo”, lamentou.

Para Damião Hernane, do IBGE, a quebra desses ciclos é um dos principais desafios do Brasil e a redução no Bolsa Família pode contribuir para gerações de famílias em extrema pobreza. “As pessoas que recebem o programa tem baixa escolaridade, mas o programa exige que os filhos estejam na escola para que no futuro possa ter mais chance de não precisar do programa”, disse.