Descontaminação de tartarugas cobertas de óleo pode levar 6 meses

Publicação: 2019-10-23 11:02:00 | Comentários: 0
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Animais atingidos pelo óleo e resgatados por voluntários e especialistas podem levar seis meses para a descontaminação completa. E há ainda o risco de não conseguirem voltar ao seu hábitat natural. O último levantamento do Ibama, de domingo, 20, indicava que 39 animais haviam sido afetados pelo material que se espalhou pela costa brasileira – 19 tartarugas morreram e 11 foram resgatadas.
Tartaruga
Flávio José de Lima, que coordena o Projeto Cetáceos da Costa Branca da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), responsável pelo resgate dos animais atingidos pelo óleo cru no Estado, descreve o caso como uma “catástrofe ambiental”. “É uma perda significativa, pois são animais em processo de extinção.”

Segundo ele, os animais são atingidos de forma intensa. “As tartarugas, quando sobem saindo da água para respirar, se deparam com uma mancha de óleo e acabam contaminadas em poucos instantes, o que pode levar à morte imediata”, explica.

A recuperação dos animais é complexa e envolve até medicamentos. Por causa da dificuldade, Lima alerta que voluntários não devem devolver imediatamente ao mar os animais atingidos pelo óleo. “A gente oferece barreiras, que são protetores gástricos, renais e hepáticos, porque o animal pode estar se contaminando pela mucosa, pela corrente sanguínea.”
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Imagem de tartaruga ao ser resgatada, no dia 23 de setembro, na Redinha

Após 24 horas desse procedimento, é iniciada a descontaminação. O excesso de óleo é retirado das mucosas e partes moles do corpo. Os animais são lavados com água, detergente neutro e outros produtos. Em seguida, são colocados em um tanque com água salgada para que sejam assistidos por veterinários e biólogos. “Serão analisados processos de natação, alimentação e excreção. Se ele está eliminando óleo pelas fezes ou não. Quando o animal para de eliminar óleo pelas fezes, é um sinal de que a substância já não está mais no trato gastrointestinal.”

Ao longo de 30 anos de docência e pesquisa, Lima diz que jamais presenciou cenário tão preocupante. “As cenas são as mais chocantes que já vi na vida", diz. "Não sabemos o grau de contaminação do mar. Só vimos o que chega às praias”.

Os profissionais que atuam no resgate e reabilitação das tartarugas marinhas atuam de forma voluntária. Nesta quarta-feira, 23, eles vão treinar equipes emergenciais que atuam da Bahia ao Maranhão. “Formamos um grupo de instituições do Nordeste que trabalham com tartarugas e mamíferos para atender a essa demanda”, diz o pesquisador.

O Projeto Cetáceos da Costa Branca foi criado em 1998 e, desde 2013, atua no processo de atendimento e resposta à emergência de fauna em casos de derramamento de óleo em decorrência da exploração do mineral em partes do litoral potiguar.

Estadão Conteúdo

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