Desejos para o desenvolvimento

Publicação: 2012-01-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Andrielle Mendes
repórter

O que 2012 reserva para a economia potiguar? Alguns setores econômicos, como a carcinicultura, esperam recuperar as perdas este ano. Outros, como a agricultura, aumentar os ganhos. Apesar da instabilidade externa, o final de 2011 sinaliza um 2012 melhor. De acordo com Otomar Lopes Cardoso Júnior, coordenador de desenvolvimento comercial da Secretaria de desenvolvimento econômico, o desempenho do PIB brasileiro, no último mês, abre bem o ano. “Ainda que com desigualdades sociais, essa é uma boa notícia. Há uma forte crise mundial, mas alguns mercados conseguem responder e reagir, como o Brasil”. Segundo ele, o Rio Grande do Norte conta com uma grande vantagem, que pode ajudar a alavancar a economia.
DivulgaçãoA indústria de energia eólica é uma das mais promissoras do Estado, mas precisa de melhor infraestrutura para crescerA indústria de energia eólica é uma das mais promissoras do Estado, mas precisa de melhor infraestrutura para crescer

“O RN tem uma combinação única no Brasil: Copa do Mundo, crescimento econômico e o novo aeroporto, que é provavelmente o maior projeto de infraestrutura voltado diretamente para o setor produtivo no país”. De acordo com o especialista, isso faz com que a promoção econômica do RN esteja melhor direcionada. Embora pesquisa do grupo inglês Economist, publicada recentemente na Veja, mostre que o estado é um dos piores ambientes de negócio do país, Otomar afirma que o RN é um bom local para os investidores. “O estado tem uma localização geográfica privilegiada, está na região que mais cresce no Brasil, e contará com um equipamento logístico operacional, o novo aeroporto”.

SOBRESSALTOS

Aldemir Freire, economista e chefe da unidade potiguar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reconhece que a economia potiguar passou por sobressaltos no último ano. O Rio Grande do Norte, até então líder em número de projetos e oferta de energia eólica nos leilões, foi ultrapassado pelo Rio Grande do Sul. O estado que já esteve entre os principais destinos turísticos do país também amargou o pior réveillon da década. O governo enfrentou dificuldades para quitar dívidas do programa do leite e os produtores e donos de usina reduziram a produção em quase 50%, quando as condições climáticas pareciam conspirar a favor da pecuária leiteira.

Em contrapartida, a safra, principalmente a de grãos, subiu quase 300% no estado, segundo levantamentos realizados pelo IBGE e Companhia Nacional de Abastecimento. A exportação de atum duplicou graças à parceria firmada entre a Japan Tuna e a Atlântico Tuna. O arrendamento de atuneiros (navios especializados na captura de atum) japoneses tirou o RN da condição de coadjuvante neste tipo de pesca. O Porto de Natal, construído no meio da cidade, exportou minério pela primeira vez em 2011, e a produção de petróleo no RN, em queda há anos, se estabilizou, sinalizando aumento em 2012.

Aldemir relembra que a economia do estado cresceu no último ano, embora num ritmo menor. “Embora alguns setores tenham registrado perdas, como o têxtil e de confecções (que demitiu mais de nove mil pessoas no último ano), o ano foi bom para a economia como um todo”, avalia. Alguns setores se destacaram, segundo o economista. Ele lista três: agropecuária, produção de petróleo, e energia eólica. Dois mil e doze, na avaliação de Aldemir, será melhor, apesar das nuvens que pairam sobre a Europa, consumidora de grande parte dos produtos brasileiros.

Benito Gama, secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, destaca o volume de investimentos que o estado receberá nos próximos quatro anos. Segundo ele, o estado já assegurou R$ 35 bilhões, sendo que mais de R$ 11 bilhões serão investidos apenas pelo setor eólico. “Nossa meta agora é ampliar a cadeia do petróleo e a cadeia industrial da energia eólica”. Segundo Benito, o estado avançou no último ano, mas não conseguiu resolver todos os problemas: a infraestrutura foi um deles.

Turismo quer mais divulgação para o Estado

“Para a hotelaria, o ano não foi bom. Tivemos uma queda acentuada na ocupação. Se o produto turístico Rio Grande do Norte não for definitivamente para a “vitrine”, para reverter o quadro de queda, a consequência pode ser ainda pior com demissões no setor”, avalia Habib Chalita, presidente da unidade potiguar da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/RN). O RN é o estado onde o Turismo tem a maior participação na ocupação formal em todo o país. Segundo Habib, quando uma atividade como esse peso está em crise, todos perdem: empresariado, trabalhadores e governo.

“Dois mil e doze é o momento de avaliar o que deu errado para melhorar e investir em novas ações e projetos. Temos de buscar no curto prazo a classe média brasileira que está viajando mais e a médio prazo atrair novamente o turista internacional. Além dessa política mais agressiva de promoção junto aos mercados nacional e internacional, precisamos planejar estrategicamente nosso produto, criando novas opções para o turista”. Investir na infraestrutura das praias ajudaria a ‘fisgar’ os visitantes, segundo Habib. “Esperamos um 2012 bem melhor que 2011, tanto para a atividade turística quanto para os demais setores da economia potiguar”, conclui.

Energia espera soluções para logística

Para Jean Paul Prates, ex-secretário estadual de Energia, e presidente do Centro de Estudos de Energia Renováveis (Cerne), o fato do Rio Grande do Norte ter sido ultrapassado pelo Rio Grande do Sul nos últimos leilões de energia não fez de 2011 um ano ruim para o setor. O RN ainda é líder em megawatts a serem instalados no país. “Temos garantidos pelo menos cinco anos de bonança”, tranquiliza Prates. Os parques a serem instalados nos próximos cinco anos renderão ao estado mais de R$ 11 bilhões em investimentos e milhares de empregos diretos, na fase de instalação dos parques eólicos.

Segundo ele, o ano foi produtivo do ponto de vista da implantação dos parques eólicos. “A posição no ranking não importa muito”, ameniza. Prates espera que as deficiências na logística sejam corrigidas em 2012. “O que beneficiaria a indústria eólica, a mineração, a produção de petróleo, a fruticultura”. Segundo ele, o estado tem que buscar uma solução oceânica.

“Não podemos contar apenas com o Porto de Natal. Ou decidimos exportar por Pecém e Suape, fechando um acordo com os dois estados vizinhos (Ceará e Pernambuco), ou construímos um porto fora de Natal. A instalação de novas indústrias, sejam de torres e equipamentos eólicos ou não, esbarra nas dificuldades de escoamento”.

Indústria deseja melhoras no ambiente de negócios

Apesar de alguns segmentos da indústria potiguar terem desacelerado e demitido mais, como o têxtil e de confecções - que dispensou quase nove mil trabalhadores no último ano - a indústria de uma forma geral teve um bom ano, avalia Amaro Sales, presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern). Ele espera, em 2012, a execução de grandes projetos de infraestrutura, como as estradas de escoamento da produção, por exemplo. “Para alavancar a economia potiguar, o estado precisa resolver seus problemas de logística”, defende.

Além das obras de infraestrutura, como a possível construção de um porto fora de Natal, Amaro defende mais incentivos para a exportação e redução de tributos para micro e pequenas empresas, maioria no estado. Ele destaca a instalação de novas indústrias no estado, como a de torres eólicas em Parazinho, e a consolidação do pólo cimenteiro em 2011, e afirma que é preciso criar uma política de atração de indústrias.“O Estado precisa criar as condições ideais para que as indústrias queiram se instalar aqui e não nos estados vizinhos. Para isso, é preciso investir em infraestrutura, reduzir impostos, criar uma boa rede de telecomunicações”.

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