Desemprego atinge 250 mil no RN

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Renata Moura
Editora de economia

O Rio Grande do Norte atingiu a marca de 250 mil pessoas desocupadas no primeiro trimestre do ano, o maior contingente desde 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é equivalente à toda a população do município de Parnamirim ou à soma de São Gonçalo do Amarante, Ceará Mirim e Macaíba – quase 252 mil. Na prática, há 33 mil pessoas a mais sem emprego, em comparação  a igual trimestre de 2016. O aumento foi de 15%.

Na prática, há 33 mil pessoas a mais sem emprego no Rio Grande do Norte, em comparação a igual trimestre de 2016. Alta foi de 15%
Na prática, há 33 mil pessoas a mais sem emprego no Rio Grande do Norte, em comparação a igual trimestre de 2016. Alta foi de 15%

“O mercado de trabalho no RN segue se degradando. Queda no número de ocupados e aumento da população desempregada. Não há, ainda, sinais de que o mercado de trabalho vá melhorar”, disse o economista e chefe do IBGE no estado, Aldemir Freire, ao analisar a pesquisa. Os dados foram divulgados ontem. “O aumento da taxa de desemprego no trimestre foi muito forte”.

A taxa de desemprego mencionada pelo economista revela o percentual de pessoas sem emprego  em relação à população na força de trabalho – grupo que engloba pessoas ocupadas e desocupadas. Entre janeiro e março deste ano, esse percentual alcançou 16,3%, o patamar mais elevado desde o início da série histórica da pesquisa. Foi o quarto pior resultado do Nordeste e o sexto pior do Brasil (veja detalhes no quadro). A taxa abrange desde trabalhadores que estão em busca de vaga até os que já encontraram mas até a data da pesquisa não haviam assumido a ocupação.

Desde o início da Pnad Contínua a taxa de desocupação no Rio Grande do norte está entre as maiores do país. Em 2014, chegou a ser mais expressiva entre todos os estados e nos anos seguintes se manteve entre as seis mais elevadas. “Acho que nossa economia não é diversificada o suficiente para gerar ocupação para toda sua população”, comentou Aldemir Freire.

Na divisão por sexo, as mulheres tradicionalmente têm taxas de desocupação maiores que as dos homens. Foi entre os homens, porém, que o indicador piorou mais na comparação com o final de 2016. Para se ter ideia, entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano a taxa masculina passou de 13,1% para 15,9%. A das mulheres foi de 16,1% para 16,9%. O IBGE não analisou, ontem, o que teria provocado esse movimento.

Carteira assinada
Outro indicador divulgado nesta semana – o saldo de empregos com carteira assinada - reforça que o cenário no mercado de trabalho ainda enfrenta turbulências. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, o estado admitiu  46.003 trabalhadores entre janeiro e abril, 1,14% a mais que no mesmo período de 2016. Na outra ponta, porém, “desligou” outros 51.505.

O número é 11,41% menor que o total de dispensados entre janeiro e abril de 2016. Ainda assim, o saldo geral de empregos – que é a diferença entre admitidos e desligados – foi de -5.502 vagas. Se considerado apenas o mês o de abril, o setor de Serviços, entre oito atividades econômicas, foi o único a registrar saldo positivo, ou seja, foi o único que admitiu mais trabalhadores do que dispensou, no período.

DESEMPREGO EM ALTA
Taxas de desocupação, segundo a pesquisa:

Situação no RN – 1º trimestre (ano a ano)
2012    11,5%
2013    12,1%
2014    11,7%
2015    11,5%
2016    14,3%
2017    16,3%

Situação em Natal – 1º trimestre
2016    13,3%
2017    15,6%

Situação na Região Metropolitana de Natal – 1º trimestre
2016    14,1%
2017    16,0%

10 maiores taxas de desocupação do Brasil - 2017
Bahia    18,6%
Amapá    18,5%
Amazonas        17,7%
Alagoas    17,5%
Pernambuco    17,1%
Rio Grande do Norte    16,3%
Sergipe    16,1%
Acre    15,9%
Maranhão    15,0%
Rio de Janeiro    14,5%

Fonte: Pnad Contínua

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