Desinvestimentos da Petrobras no RN são 'desastrosos', diz secretário de Desenvolvimento Econômico

Publicação: 2017-11-06 11:38:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

O plano econômico de desinvestimentos que já reduziu, apenas em 2016, 77% dos investimentos que a Petrobras já realizou Rio Grande do Norte menos de 10 anos atrás, divulgado na edição deste domingo da Tribuna do Norte, foi amplamente criticado pelo secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo. Em entrevista ao jornal, o secretário afirmou que afirmou que "o Governo do Estado vai cobrar de forma enérgica respostas da Petrobras", e que os efeitos dos desinvestimentos "são desastrosos, especialmente para o Oeste do Estado". Neste momento, o secretário está em reunião com o governador Robinson Faria (PSD) para discutir possíveis encaminhamentos do Governo em relação à questão.
Refinaria Potiguar Clara Camarão está instalada em Guamaré e é a única produtora de QAV no Nordeste
O programa de desinvestimentos da Petrobras é parte de um projeto nacional, evidenciado pelo seu Plano de Negócios 2017-2021. O plano, que pretende reduzir de US$ 5,4 bilhões para US$ 2,5 bilhões a dívida interna da empresa, vai englobar redução de gastos com pessoal através de demissões, venda de ativos, desaceleração da perfuração de novos postos de exporação e foco maior no pré-sal.

Todas as medidas afetam diretamente o Rio Grande do Norte, um dos maiores produtores de petróleo em terra no país. Localmente, a empresa já está realizando uma série de demissões, tanto de funcionários diretos como de terceirizados que atuam na área. Para o secretário Flávio Azevedo, as consequências disso para o Estado, que tem cerca de 40% de seu Valor Bruto de Produção Industrial (VPBI) provenientes de suas atividades, são desastrosas:

"Conforme está demonstrado na prática pela diminuição das atividades da empresa na região Oeste do estado, essa situação é desastrosa. Não acredito que essa diminuição da atividades deva-se exclusivamente à redução da nossa capacidade de produção nos campos de petróleo, porque os campos não tem como ter uma redução dessa ordem do dia para a noite. Existe, de fato, uma redução da nossa capacidade de produção, mas não desse tamanho. Essa coisa toda está muito mal explicada, e a empresa tem uma responsabilidade para o Estado, não apenas de ordem econômica mas, principalmente, social, e nós já estamos sentindo seus impactos em função das demissões em massa que estão sendo realizadas", disse o secretário.

A redução da capacidade de produção dos poços do Rio Grande do Norte se devem ao fato de que a produção no Estado já ocorre desde a década de 70, e muitos desses poços já são considerados "maduros", ou seja, já atingiram o auge de sua capacidade de produção e precisam de alguns mecanismos para continuar produzindo em quantidades vantajosas. Mesmo assim, de acordo com informações do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), o Estado ainda possui reservas comprovadas avaliadas por geólogos da própria Petrobras que correspondem a mais de 2 bilhões de barris.

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