Desmatamento da Mata Atlântica é zerado em 2019 no RN, diz estudo

Publicação: 2020-05-28 00:00:00
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Ao longo do ano de 2019, o desmatamento das reservas de Mata Atlântica existentes no Rio Grande do Norte foi zerado. No ano anterior foram dizimados 13 hectares desse tipo de cobertura. O Estado tem, segundo o Atlas da Mata Atlântica, estudo da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgado nesta quarta-feira, 27, aproximadamente 12.172 hectares de florestas nativas preservadas. Dos 17 Estados com resquícios desse bioma, somente o Rio Grande do Norte e Alagoas zeraram o processo de desflorestação no ano passado acima de 3 hectares. Em todo o País, foram desmatados 14.502 hectares, o equivalente ao crescimento de 27,2% em relação ao desmatado entre 2017 e 2018.

Além do Rio Grande do Norte e Alagoas, os Estados que tiveram o desmatamento zerado de 2018 para 2019 foram Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. “Pela primeira vez dois Estados conseguiram zerar os desmatamentos acima de 3 hectares: Alagoas e Rio Grande do Norte. Entre 2017-2018, Alagoas havia registrado 8 hectares de desmatamento, enquanto o Rio Grande do Norte teve 13 hectares”, afirmou Marcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica e coordenadora geral do Atlas.

O Atlas da Mata Atlântica mede desflorestamentos maiores que 3 hectares. “Em muitos Estados que chegaram ao nível do desmatamento zero pode ocorrer o chamado efeito formiga, os desmatamentos pequenos que continuam acontecendo em várias regiões e o satélite não enxerga. É a floresta nativa sendo derrubada aos poucos, principalmente pelo avanço de moradias e expansão urbana”, destacou Marcia Hirota. A Fundação SOS Mata Atlântica faz esse tipo de levantamento desde 1989.

Cenário nacional
Após dois períodos consecutivos de queda, aumentou o desmatamento na Mata Atlântica. Foram desflorestados entre 2018-2019 um total de 14.502 hectares – um crescimento de 27,2% comparado com o período anterior (2017-2018), que foi de 11.399 hectares. 

“A ampliação do desmatamento da Mata Atlântica observada mostra que a destruição do meio ambiente não tem ocorrido apenas na Amazônia. E o fato é preocupante, já que restam apenas 12,4% da Mata Atlântica – o bioma é o que mais perdeu floresta no país até hoje”, declarou Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

Marcia Hirota ressaltou que os desmatamentos poderiam ter sido evitados. “Ficamos decepcionados, pois os desmatamentos seguem nas mesmas regiões. Observamos vários desmatamentos em áreas interioranas e nos limites da Mata Atlântica com o Cerrado em Minas Gerais, na Bahia e no Piauí, além de regiões com araucárias no Paraná. Como são áreas já mapeadas anteriormente, os desmatamentos poderiam ter sido evitados com maior ação do poder público. É lamentável que sigam destruindo nossas florestas naturais, ano após ano”, frisou.






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