Desocupação da margem do Potengi é homologada

Publicação: 2010-07-14 00:00:00
Carcinicultores que atuam na margem esquerda do rio Potengi, sentido Igapó-Redinha, desativarão as fazendas em uma área de cerca de 290 hectares. Inicialmente, haverá a suspensão das atividades nos viveiros e recuperação imediata da parte ocupada pela Cooperativa de Pescadores e Carcinicultores do Potengi, e o restante será recuperado após cinco anos, período que foi acordado para que os carcinicultores permanecessem no local até a total desocupação. Representantes de carcinicultores no estado discordam da decisão, alegando que a área já estava degradada antes do início da atividades, além de ser de difícil recuperação.

Fazendas localizadas às margens do rio Potengi são alvo de críticas de órgãos ambientaisA iniciativa é motivada por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), homologado ontem pela Justiça Federal, que é fruto de uma ação civil pública contra a Cooperativa de Pescadores e Carcinicultores do Potengi, município de Natal, Idema, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) e Associação Potiguar de Educação e Cultura (Apec). O documento havia sido firmado no mês passado, entre os Ministérios Públicos Federal e Estadual, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) e os carcinicultores que atuam na região.

Com a homologação, será dado início, de forma consensual, à desativação dos viveiros e recuperação imediata de uma área de 146 hectares, o que corresponde a aproximadamente metade do total, ocupada pela Cooperativa de Pescadores e Carcinicultores do Potengi.

Para o presidente da Cooperativa dos Produtores de Camarão Marinho do Estado do Rio Grande do Norte (Coopercam), Pedro Fernandes, esta é uma questão singular, de produtores da Zona Norte de Natal, que não deverá se refletir em redução significativa na produção do crustáceo em território potiguar.

Fernandes diz não ter conhecimento de detalhes do TAC, mas acredita ser um exagero o fato de proibir a prática da carcinicultura no local.  Segundo o presidente da Coopercam, a área já era degradada antes de as fazendas de camarão serem construídas no local. “Ali era uma salina e quando houve a desativação, deveria poder ser utilizada para outros fins. Além disso, a recuperação da área é muito difícil”, justifica.

Como forma de garantir que a área não volte a ser ocupada, os Ministérios Públicos Federal e Estadual, junto com o Ibama, pretendem unir esforços para a criação de uma unidade de conservação estadual naquele local. O projeto do Parque dos Mangues tramita atualmente no Idema, mas esses órgãos se voltarão a fazer com que haja maior celeridade.

Doenças reduzem produção em viveiros do RN

A presença de patologias do camarão é um dos principais problemas enfrentados pelos carcinicultores na atualidade e aliada a fatores econômicos, como o aumento do dólar e a crise financeira internacional, reduziu drasticamente a produção do crustáceo no Brasil. Em 2003, o país produziu cerca de 90 mil toneladas do crustáceo, sendo 40% no RN, mas nos anos seguintes, o total anual caiu para uma média de 65 mil toneladas. Com a retomada do crescimento da atividade, o previsto para 2010 é que a produção nacional fique em torno de 75 mil toneladas.

O professor de Aquicultura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Pedro Martins, explica que a ocorrência de doenças na carcinicultura pode implicar no aumento na taxa de mortalidade, menor crescimento e maior necessidade de ingestão de ração, se refletindo diretamente na eficiência técnica do produtor. “É bom deixar claro que o impacto das doenças é para o camarão e não, para o homem. Portanto, se forem ingeridos, não haverá qualquer prejuízo para quem o consumiu”, esclarece.

Dentre as doenças que mais atingem o camarão produzido no Rio Grande do Norte, o professor destaca a necrose muscular, a mancha branca e o nanismo. Ele afirma que a necrose muscular é o problema que mais tem afetado a carcinicultura brasileira, ao longo dos últimos sete anos. “Ela compromete a aparência dos animais, que ficam muito pequenos e escuros, não podendo ser utilizados. Se fossem postos para a comercialização ninguém os compraria, por estar claro que têm algum problema”

Curso

Com coordenação do professor Pedro Martins, será realizada hoje e amanhã no Centro de Saúde de Animais Aquáticos (CSAq) da UFRN, a primeira Oficina PSF Camarão. Voltada para produtores de camarão e fornecedores de insumos, a oficina será uma forma de discutir como está a saúde dos animais e definir estratégias capazes de melhorar a produção.

O evento será gratuito e os 50 participantes poderão obter informações sobre as principais doenças que atingem os camarões, bem como a respeito de quais são as ferramentas mais eficientes para diagnosticá-las.