Destino de resíduo de petróleo gera preocupação

Publicação: 2019-10-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O destino do petróleo recolhido no litoral do Nordeste é um fato que preocupa as autoridades. Por se tratar de um volume alto, ainda não há um plano para definir um local adequado para receber o material. Para a bióloga Maria Christina Araújo, isso mostra que as autoridades são “inexperientes para lidar com um impacto desse tamanho porque não existe precedente no Brasil”.

Maria Christina Araujo, professora do Departamento de Oceanografia da UFRN
Maria Christina Araujo, professora do Departamento de Oceanografia da UFRN

A Defesa Civil afirmou que essa é uma das maiores preocupações do Estado. Uma reunião foi marcada com o Instituto de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Idema) nesta sexta-feira (11) para tratar o assunto. “Em hipótese alguma o material poderá ser descartado como lixo comum”, afirmou o coordenador da Defesa Civil, Marcos Carvalho.

O diretor do Idema, Leonlene Aguiar, afirmou que o Governo do Estado estuda a utilização desse material na produção de asfalto. A indústria de cimento é outra possibilidade. Entretanto, para a bióloga Christina Araújo, isso não é suficiente porque o volume de petróleo é alto. “É tão grande que complica a logística”, disse.

Entretanto, a quantidade do óleo encontrada nas praias do Rio Grande do Norte ainda é desconhecida. O Ministério Público Federal solicitou esse dado ao Ibama, após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, informar na sua conta do Twitter que cerca de 100 toneladas havia sido recolhido.

“A dimensão desse impacto é sem precedentes e ainda está sendo avaliada”
Maria Christina Araujo, professora do Departamento de Oceanografia da UFRN

Qual a dimensão da presença desse petróleo no Nordeste?
Na verdade, a dimensão e a extensão desse impacto sem precedentes ainda está sendo avaliado. O volume de petróleo é muito grande. Realmente não tem ainda como ter uma precisão do impacto. Do ponto de vista ambiental, o litoral do nordeste tem ecossistema sensíveis, como manguezais, recifes, costões rochosos. Quando o material chega nesses ambientes, fica impossível a retirada. Na praia, ainda existe a possibilidade de remoção da areia. Mas se esse material chegar em manguezais, estuários, fica praticamente impossível de retirar.

Qual a probabilidade de já ter atingido essas áreas?
A maior visibilidade está nas praias urbanas e turísticas, mas a gente sabe que no litoral do nordeste todo tem muitas regiões pouco frequentadas, quase desertas. A gente tem certeza que existe essa probabilidade. Só aqui em Natal, temos o estuário do rio Potengi aqui na Praia do Forte, que é muito próximo. A probabilidade que já tenha atingido é muito provável.

Qual deve ser o foco de atuação?
O foco de atuação para a retirada está muito centrada ainda nas praias arenosas, especialmente porque estamos em uma época de verão e de balneário. Isso vai afetar economicamente com certeza porque vai haver uma redução do turismo e isso não tem como ser evitado a curto prazo. A tentativa de retirar essa borra, que vai ficando mais densa e se enterrando na areia, vai ser muito difícil de se fazer na totalidade porque muitas praias estão com esse material enterrado, e fica difícil a visualização. Eu estive em Genipabu e não observei a presença na superfície da areia, mas elas estão todas lá. Tanto que eu e meus alunos saímos com o óleo em nossos pés.







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