Desvios superam os R$ 30 milhões

Publicação: 2016-02-20 00:00:00
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Marcelo Lima e Ricardo Araújo
Repórteres

Os desvios de recursos do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN) podem ser ainda maiores e mais antigos do que o até agora apurado pelo Ministério Público Estadual (MPRN) dentro da Operação Candeeiro. De acordo com o ex-diretor financeiro da instituição, Clebson José Bezerril, réu no processo que tramita na 6ª Vara Criminal, a monta desviada pode chegar aos R$ 32 milhões e os desvios, cujo orquestramento recai sobre o ex-diretor administrativo do órgão, Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra, remete ao ano de 2011. Ontem, em depoimento ao juiz Guilherme Newton do Monte Pinto, o delator do esquema,  Clebson José Bezerril, sustentou basicamente a mesma versão do depoimento dado à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público no Acordo de Delação Premiada, assinado em dezembro passado, ao qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso com exclusividade.
Ontem, em depoimento ao juiz Guilherme Pinto, Clebson José Bezerril sustentou a mesma versão do depoimento dado ao MPRN no Acordo de Delação Premiada
No dia 3 de dezembro de 2015, exatamente três meses após ter sido preso, Clebson José Bezerril assinou o Acordo de Delação Premiada com o órgão ministerial. No primeiro depoimento, já como delator do esquema, ele detalhou ao promotor Paulo Batista Lopes Neto como a subtração ilícita de recursos públicos foi iniciada. Bezerril descreveu ao promotor que em meados de 2011, quando João Eduardo de Oliveira Soares era o chefe da Unidade Integrada de Finanças e Contabilidade (UIFC) do Instituto, ele comunicou que Gutson Reinaldo, então diretor administrativo, havia assinado um ofício de pagamento para uma empresa que, apesar de existir, não havia prestado o serviço pelo qual receberia o valor descrito no documento administrativo. As segundas vias dos ofícios enviados ao Banco do Brasil liberando os pagamentos eram destruídas pelos envolvidos no esquema.

“Gutson chegou e disse: “Olhe, eu quero que vocês façam esse ofício para essa empresa”. Ele deu os dados da empresa e disse: “Vocês irão depositar esse valor e vai ser assim: eu vou ficar com 90% e 10% vai ser dividido entre você (João Eduardo), Clebson, Euclides e o dono da empresa (Felipe)”, descreveu Clebson José Bezerril. Toda a movimentação bancária ocorria em dinheiro vivo e Gutson Reinaldo convocava os envolvidos no esquema a captarem mais empresas para servirem de canais para desvio dos recursos. Pelo menos outras sete foram citadas pelo delator ao Ministério Público e ontem, diante do juiz. Segundo acusou, a ideia dos desvios partiu de Gutson Reinaldo, que se confiava no fato da mãe, Rita das Mercês Reinaldo, ser procuradora-geral da Assembleia Legislativa para “livrá-los” de qualquer problema que viesse a surgir.

“Ele (Gutson) disse: “Eu quero. Estou precisando. Está todo mundo ganhando dinheiro e eu não estou. Então, vai ser assim agora”, relembrou Clebson José Bezerril. Para dar vazão à monta desviada, mais empresas precisaram ser criadas e mais gente foi capitaneada por Clebson José Bezerril e João Eduardo de Oliveira Soares para emprestarem contas bancárias. Até um Parque de Vaquejada foi usado para desviar recursos públicos. “As empresas de Felipe não estavam mais dando conta e ele (Gutson) mandou a gente sentar e disse:

“Arrume uns amigos de vocês e um dos meninos aí para a gente fazer depósitos nas contas deles e eles devolverem o dinheiro pra gente”. E isso foi feito”, confirmou o delator. Foi assim que, a partir de 2011 e pelo menos até o fim de 2014, o dinheiro foi desviado do Idema. Questionado pelo promotor, no depoimento do dia 3 de dezembro sobre o patamar dos desvios, o delator foi enfático. “Uns R$ 30 milhões, R$ 32 milhões. Eu creio que sim”, firmou  Clebson José Bezerril.

Questionado como Gutson Reinaldo ascendeu ao cargo de diretor administrativo do Idema/RN, Clebson José Bezerril explicou que foi através de indicação política. “O político que colocou ele (Gutson) no Idema foi Robinson (Faria) na época que ele era vice (governador). Quando Robinson saiu do governo, Ricardo Motta foi quem deu sustentação a Gutson no Idema”, explicou o ex-chefe financeiro.

Réus e depoimentos
A Audiência de Instrução e Julgamento será retomada na próxima segunda-feira, dia 22, às 08h30.

Ouvidos ontem:
Aratusa Barbalho de Oliveira
Clebson José Bezerril*
Eliziana Alves da Silva
Fabiola Mercedes da Silveira
Faulkner Max Barbosa Mafra
Geraldo Alves de Souza
Guilherme de Negreiros Diógenes Reinaldo
João Eduardo de Oliveira Soares
Renato Bezerra de Medeiros

A serem ouvidos 2ª feira:
Antônio Tavares Neto
Elmo Pereira da Silva Júnior
Euclides Paulino de Macedo Neto
Gutson Johnson Giovany
Reinaldo Bezerra
Handerson Raniery Pereira
Ramon Andrade Bacelar Felipe Sousa
*Foi intimado a comparecer mais uma vez na segunda-feira, dia 22.

Números
R$ 32 milhões seria o valor desviado do Idema no esquema de corrupção segundo afirmação de Clebson Bezerril
R$ 19,3  milhões foi o valor anteriormente apurado pelo MPRN na investigação que resultou na Operação Candeeiro
90% ficavam com Gutson Bezerra.
10%  teriam sido divididos entre João Eduardo, Clebson, Euclides e o dono da empresa (Felipe)

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