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Economia
Devedores somam quase 1 milhão
Publicado: 00:00:00 - 20/05/2018 Atualizado: 11:25:32 - 19/05/2018
Ricardo Araújo
Editor de Economia

O controle da inflação e os cortes na taxa básica de juros efetivados pelo Banco Central ao longo do ano passado e no início deste 2018 não foram suficientes para conter a escalada da inadimplência no Brasil. Dados divulgados pela Serasa Experian recentemente mostram que o número de devedores aumentou de abril de 2017 para o mesmo mês deste ano em 1,9% - saindo de 60,073 milhões para 61,235 milhões. De mãos dadas com o cenário nacional, o quantitativo de pessoas com duas ou mais contas em aberto no Rio Grande do Norte também mostrou crescimento: de 901 mil para 979,7 mil no mesmo período.   O desemprego é apontado, por especialistas, como principal causa desse fenômeno.

Além do fechamento das vagas de trabalho, contribui  para o aumento da estatística dos endividados a elevada taxa de juro do cartão de crédito e cheque especial. Foi ela que levou ao registro negativo nas instituições financeiras o hoje vigilante Emanuel Roberto. Após perder o emprego, ele passou a sentir o peso do juro cobrado pelo cartão de crédito. “Eu tinha uma dívida de R$ 100 que se transformou em R$ 3 mil. Tudo porque eu não consegui pagar o cartão de crédito depois que fiquei desempregado. Hoje, mesmo com emprego, não consigo limpar meu nome”, lamenta.
Adriano Abreu
Juros elevados do cartão de crédito, gastos de início de ano com IPVA, IPTU e material escolar ampliaram número de endividados

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O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Natal), Augusto Vaz, destaca que a melhor saída para a inadimplência é negociar a dívida. “Nós orientamos que as pessoas que estão com dívidas procurem os credores e tentem negociar a quitação. Os credores estão dispostos a reduzir taxasm ampliar prazos para pagamento e flexibilizar a negociação”, afirma. Sobre o número de inadimplentes no Rio Grande do Norte, ele destaca que a situação está sendo administrada positivamente, pois o percentual de crescimento é menor que o registrado na região Nordeste e no Brasil.

Entretanto, apontou que, com menos pessoas com acesso ao crédito, o volume de compras a prazo reduz e impacta negativamente o comércio. “A economia precisa voltar a crescer e as compraz a prazo são importantes para isso. Há uma cultura no País para esse tipo de compra que precisa ser retomada. Nós esperávamos até um cenário pior na inadimplência, mas estamos conseguindo administrá-la aqui no estado”, declara. Conforme destacado por Augusto Vaz, a limitação do crédito ao consumidor comum no País é outro obstáculo a ser transposto.

No Brasil, os quatro maiores bancos em operação – Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – concentraram 78,51% do mercado de crédito em 2017. Isso é apontado, por especialistas, como ruim para quem está negativado, principalmente por causa da discrepância entre a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 6,50%, e o juro cobrado pelos cartões de crédito, que giram em torno de 350% ao ano.

“Quanto maior é a taxa de juros, pior é para o varejo que vai vender menos, o crediário fica mais caro. A indústria vai produzir menos, porque o varejo está vendendo menos. O desemprego aumenta. A inadimplência gera esse ciclo negativo. Encarece o juro do crediário, financia menos as lojas, a indústria produz menos e o desemprego não cai. A inadimplência afeta a economia dessa forma. Não adianta o Banco Central reduzir a Taxa Selic, a taxa básica de juros, se por outro lado a inadimplência não cai. Com todas as reduções que ocorreram, os bancos pouco passaram, na prática, para quem toma crédito. A redução de juros da Selic não chega na ponta, para quem toma crédito”, analisa o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Endividamento é danoso à economia


 De acordo com Luiz Rabi, a inadimplência causa sérios problemas ao desenvolvimento econômico como um todo. “A inadimplência acarreta dois problemas: primeiro para o indivíduo que está inadimplente. Ele, praticamente, fica sem acesso a crédito de boa qualidade, mais barato. Isso praticamente desaparece. Ele vai até conseguir (crédito), mas com taxas muito altas, com juros exorbitantes. O indivíduo inadimplente terá dificuldade de acesso a crédito e, se tiver, pagará caro”, destaca.

Rabi explica, ainda, que do ponto de vista social, a inadimplência é um dos principais provocadores da elevação de taxa de juros. “Não da Taxa Selic, mas das taxas que os bancos cobram ao emprestar para as pessoas e empresas. Quanto maior a inadimplência, mais os bancos irão passar esse custo. Inadimplência é custo para os bancos, que o embute nas taxas de empréstimos, por exemplo. E acaba com todo mundo sendo penalizado. Mesmo aquela pessoa que não está inadimplente, que não é inadimplente, vai pagar uma taxa de juro maior que deveria porque o sistema financeiro embute nessa taxa o que sofreu com as pessoas que não pagaram”, argumenta o economista.

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