Dia do catequista

Publicação: 2019-08-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Queridos irmãos e irmãs! Por ocasião do dia do catequista (25 de agosto, 4º domingo de agosto, mês vocacional), quero refletir convosco sobre esta vocação muito importante e indispensável nas nossas comunidades. O catequista é alguém que assume o convite de Cristo para ensinar e formar novos discípulos missionários. Esta ação do catequista que consiste na formação é um dos elementos essenciais do conceito de Tradição que a Igreja apresenta para nós. A Tradição é a vida da Igreja que se transmite desde o tempo dos apóstolos até hoje. Ela é chamada de Tradição apostólica, pois a experiência dos apóstolos é fundamental para o entendimento da missão e da vida da Igreja. Se hoje somos cristãos é devido em grande parte a uma multidão de homens e mulheres que entregaram o seu tempo para nos instruir na fé e na vida Igreja. Esta é uma ação ininterrupta, responsável por tantas fileiras na Igreja de homens e mulheres que foram iniciados na vida cristã.

Somos eternamente gratos a essas pessoas que não mediram esforços na missão de ensinamento da fé para os fiéis. Ser catequista é transmitir aos outros o que ele mesmo recebeu. Nisto existe um grande exemplo no apóstolo são Paulo: na primeira carta aos Coríntios, quando fala da instituição da Eucaristia e da Ressurreição, capítulos 11 e 15, respectivamente, ele usa a expressão que indica o processo da Tradição, o mesmo que deve estar presente na missão do catequista: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi” (cf. 1Cor 11,23; 15,3).

A catequese nos coloca diante da imensa seara do Reino de Deus que não nos fecha em nossos grupos, nos isola do mundo, apresentando-nos um ideal abstrato. O papa Francisco assim se expressou, dirigindo-se aos jovens do mundo inteiro:  É verdade que às vezes, perante um mundo cheio de tanta violência e egoísmo, os jovens podem correr o risco de se fechar em pequenos grupos, privando-se assim dos desafios da vida em sociedade, dum mundo vasto, estimulante e necessitado. Têm a sensação de viver o amor fraterno, mas o seu grupo talvez se tenha tornado um simples prolongamento do próprio eu. Isto agrava-se, se a vocação do leigo for concebida unicamente como um serviço interno da Igreja (leitores, acólitos, catequistas, etc.), esquecendo-se que a vocação laical é, antes de mais nada, a caridade na família, a caridade social e caridade política: é um compromisso concreto nascido da fé para a construção duma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia, e assim estender o Reino de Deus no mundo (FRANCISCO. Exortação Apostólica pós-sinodal Christus vivit, n. 168).

É bem verdade que temos muitos desafios na nossa catequese. Mas, animados pelo testemunho de tantos catequistas em nossas comunidades e tantos que no passado enfrentaram as dificuldades no seu caminho, queremos afirmar nossa esperança e nossa confiança de que cresceremos juntos no desenvolvimento de uma catequese de inspiração catecumenal, isto é, atenta às diversas etapas da vida de fé, uma catequese integral, harmoniosa e mistagógica. Para isso, como é importante que todos se sintam catequistas, evangelizadores. Na comunidade paroquial a catequese não é somente uma função particular. A vocação de catequizar, isto é, de anunciar Cristo aos outros, não pode ser de alguns poucos, mas de todos os batizados. Uma catequese integral deve ser assumida para que nossos fiéis sejam convictos na fé, na esperança e na caridade.

Conclamo a todos, presbíteros, diáconos permanentes, religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, leigas e leigos engajados: façamos da catequese uma preocupação pastoral de primeiro plano. Que ninguém se sinta dispensado dessa missão. É preciso acabar com esta frustração pastoral: são muitos batizados, mas poucos evangelizados. Assumamos a catequese, pois a Igreja é a casa da iniciação cristã. 



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