Diógenes da Cunha Lima: "As pessoas viajam para aproveitar singularidades"

Publicação: 2019-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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De que forma o senhor enxerga hoje a produção artística e cultural no Rio Grande do Norte?
O Rio Grande do Norte tem uma vocação para as artes, inarredável. Não é só historicamente. Hoje, nós temos uma forte presença do Rio Grande do Norte no mundo das artes. Isso nas artes plásticas, na literatura, no mundo cultural que se desenvolve. O Rio Grande do Norte é muito forte na música, na dança. Isso tudo é formador de riquezas. No mundo inteiro, hoje, o turismo não é sol e praia. É experiência. As pessoas viajam para experimentar, para aproveitar singularidades, coisas novas que se tem a oferecer. Quando se viaja para qualquer lugar do mundo, verifica-se o que há de bom desde a culinária, gastronomia, as belezas naturais e as belezas criadas pelo homem. E o Rio Grande do Norte é um pobre Estado riquíssimo. O patrimônio do Estado quer material ou imaterial, é um dos maiores que se possa imaginar nesse País.

Diógenes da Cunha Lima, escritor, advogado e presidente da ANL
Diógenes da Cunha Lima, escritor, advogado e presidente da ANL


O senhor considera que o potencial cultural material e imaterial do Rio Grande do Norte é pouco explorado?
É pouco explorado. Hoje, há quem diga que o turismo responde por 50% do PIB municipal. O céu é o limite para que se façam as coisas que são necessárias. Mas esse é um assunto que não se resolver de um dia para a noite. Para que se haja desenvolvimento, é preciso que se tenha educação. A educação não leva à exploração disso aí. Por outro lado, há uma desvalorização da cultura. Há um pensamento político-dominante no País de que a cultura é coisa de desocupado, é frescura quando, na realidade, é uma fonte geradora de renda e emprego. E a mais poderosa fonte de transformação de um povo. Não se transforma um País sem cultura. A cultura é riqueza. Câmara Cascudo tem uma frase fantástica que diz: “O melhor produto do Brasil ainda é o brasileiro”. Parodiando, eu digo que o melhor produto do Rio Grande do Norte ainda é o potiguar. O que nós temos de bom.

É possível unir arte e cultura para desenvolver um povo de que maneira?
Há muita coisa que deve ser feita. Nós temos uma riqueza imaterial, outra, que é a história da Força Aérea no Rio Grande do Norte. Desde o pioneirismo de Augusto Severo até a Barreira do Inferno. Nós temos, no Rio Grande do Norte, toda uma sequência. Os grandes voos da Europa, por exemplo, o primeiro voo de três continentes foi feito da Itália e passou por Natal. Mas isso é mal explorado. É pessimamente explorado. A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras tem feito um esforço enorme e tem propostas interessantíssimas que poucas vezes mereceram apoio. Por exemplo: a luta pelo Parque das Dunas. A Academia participou e obteve êxito. Mas, nem sempre, consegue. Sugere, começa, mas não termina. Então, há muitas coisas que o Rio Grande do Norte pode fazer que gera renda e emprego. 

Quais sugestões são essas?
Uma delas é que Cunhaú e Uruaçú podem ser polos de atração turística universal. E há projetos e anteprojetos anteriores. O aproveitamento do turismo. Santa Cruz entrou no mapa do turismo religioso a partir da construção de uma estátua, mas não tem a força dos Mártires e seu aspecto histórico. Está sendo elaborado um projeto com o apoio da Prefeitura Municipal de Parnamirim, para uso da área do antigo Aeroporto Int. Augusto Severo. O prefeito de Parnamirim resolveu fazer esse projeto que é extraordinário. Nós fomos à Brasília e falamos com o Comando da Aeronáutica, mas parou. Retomado, tem tudo para dar certo. Eu acho que lá deveria ter um Pax, o balão de Augusto Severo que é lindo e tem o nome de “paz”. 

O Rio Grande do Norte carece de um resgate histórico?
Sim. O Rio Grande do Norte precisa de um resgate histórico, de uma valorização histórica para que o mundo tire proveito disso e conheça o nosso potencial. O que seria receber um turista e contar a ele, em Natal, a importância da cidade durante a Segunda Guerra Mundial, que já tem um museu já começado e tem um grupo interessante nesse projeto? A gastronomia do Estado é boa e temos a maior autoridade do País nesse assunto que é Câmara Cascudo. Cascudo, por si só, é um patrimônio da terra. Ele tem um livro que não é aproveitado que se chama “A História da Alimentação no Brasil” e “Antologia da Alimentação Brasileira”. Transformados, esses livros renderiam muito. Isso comprova que o Rio Grande do Norte só será grande se valorizar sua cultura como forma de criação de emprego e renda.








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