Dia Internacional da Mulher

Publicação: 2021-03-05 00:00:00
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Prezados leitores/as
“A mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela, o mundo não seria assim tão belo. Não seria harmônico” (Papa Francisco)

No dia 8 de março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher, uma data propícia para comemoração, reflexão, chamada de atenção sobre discriminação, e um ato de esperança. Comemoramos o ser da mulher, sua natureza, sua história, suas relações, a maternidade, como também a consagração, e tantos testemunhos de missionariedade, de dedicação, de zelo e de entrega. Criada por Deus à sua imagem e semelhança, a mulher recebe a graça da automanifestação e autocomunicação de Deus, recebe o sopro de vida, o Espírito de Vida, o mesmo que pairava sobre as águas, o que inspirou os Patriarcas e Profetas, o que desceu sobre a Virgem de Nazaré para que dela nascesse o Filho de Deus que se fez homem, revelador do sentido e da natureza do homem e da mulher. Ela recebe a grande missão de colaborar com Deus na obra da criação, não como simples instrumento, mas como partner de Deus. Comemoramos a ternura inscrita em seu ser, o seu gênio conciliador, afável e vigoroso, e agradecemos ao bom Deus, Pai e Criador, por fazer da mulher a inspiração para que entendamos o sentido mais profundo do ser humano.

O Dia da Mulher é um dia de reflexão. Sim, e o que deve nortear essa reflexão é a própria Revelação divina. Em Gênesis, capítulo 2, versículos 18 a 25, vemos o relato da criação da mulher. Tal criação indica o coroamento da obra de Deus, explicando a origem da mulher dentro da realidade do ser humano, imagem e semelhança divina. “Tirada do lado de Adão” (Gn 2,21), isto é, como ser humano, não fora, nem como um ser diverso, nem inferior, nem superior. Criada como “auxiliar” (Gn 2,18), não como escrava, mas como correspondente, ou seja, para completar, para dar sentido ao ser masculino, mas com autonomia, sempre relativa, claro; mas uma autonomia capaz de ser fonte de valorização, respeito, atenção e colaboração. Nunca a mulher deveria ser vista como “dependente”, nunca a discriminação que relega a mulher à condição humilhante de escrava, em nenhum aspecto, seja o da profissionalização, seja o da maternidade, seja a relacionada ao prazer sexual. Mas, como ser livre, como ser direcionado à comunhão, com Deus, com os semelhantes e no mundo, transformando a realidade do mundo, a sociedade e as relações interpessoais.

Daí vem a repulsa a toda e qualquer discriminação contra a mulher. Sabemos, a história nem sempre nos apresenta um caminho de respeito e de consideração ao gênero feminino. Devemos reconhecer e, ao mesmo tempo, pedir perdão, por tantas vezes que usamos interpretações de nossa fé, da fonte de nossa fé, a Sagrada Escritura, para desrespeitar a mulher. E claro, tal discriminação está em forte contradição com a apresentação que dela faz a Palavra de Deus, especialmente em relação à Virgem Maria, louvada como “Cheia de Graça” (Lc 1,28), “Bem-aventurada” (Lc 1,45), “Mãe do Senhor” (Lc 1,43). 

Mas, celebramos também o Dia da Mulher como um ato de esperança. Muito se fez nos últimos anos para reverter situações de desrespeito e discriminação. Porém, é preciso avançar mais ainda. Almejamos que a mulher seja valorizada na sua verdade, não só no campo social, na cultura, na economia, no trabalho digno e respeitoso de sua dignidade, mas também, na própria Igreja, lugar onde não pode ter vez nenhum tipo de preconceito, seja na prática, seja na teoria. Devemos agradecer tantos gestos de inclusão, de reconhecimento à mulher feitos pelo Papa Francisco. Oxalá, tais gestos infundam em todos nós a coragem de sempre ver na mulher a ternura de Deus e a considerá-la com dignidade, respeitando o dom de Deus que ela é. 

Que o Dia Internacional da Mulher seja vivido com alegria e todos possamos ver a sua força e agradecer ao bom Deus por tê-la criado à sua imagem e semelhança. 





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