Diário da Quarentena - LXIX

Publicação: 2020-07-01 00:00:00
A+ A-
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação


Não são simples, ainda que poucas, as discordâncias que tenho de certas decisões do Supremo Tribunal Federal, mesmo que tê-las não signifique desrespeito. Não fui o advogado que meu pai sonhou para o filho mais velho, hoje quase setentão. Sequer cheguei aos batentes do segundo ano, mas, quando nada, fui um justo no sacrifício de preservar o Direito de um bacharel certamente muito longe dos melhores. E poupei esse nobre mister de um brilho falso. 

Para fixar um exemplo real, cito o caso, recentíssimo, da decisão estranha que proibiu, judicialmente, o presidente Jair Bolsonaro de nomear o diretor geral da Polícia Federal, numa clara invasão de competência. Mas, lembro aos sôfregos, que é efeito da festa que se animou durante um caso tão rigorosamente idêntico: quando, ao liberar um áudio não autorizado pela Justiça, a então presidente Dilma Rousseff foi impedida de nomear Lula seu novo ministro.  

O veneno da intolerância, fruto do dito ativismo jurídico, portanto, não vem das presas de uma serpente nova. A não ser pelo gáudio maniqueísta que tem levado este país ao soluço de um padrão jurídico soprado pelas leis do gosto e do desgosto. Lula foi preso em decisão de segunda instância, a mesma que o mesmo STF depois julgaria inconstitucional por não julgar, no tempo certo, a Ação Direta de Inconstitucionalidade que apontava, então, o erro crasso. 

É que há nesse Brasil de hoje uma tal desorganização política, jurídica, econômica e social, disfarçada pelo ativismo ideológico, que leva a paz social ao vale dos solavancos, sem nem respeitar os parâmetros mínimos. Não importa, por exemplo, que os tribunais acabem acatando a acusação de crimes. O que não é justo é uma só instituição investigar, denunciar e pedir a prisão de alguém, seja importante ou não, ao rufar dos tambores do tribunal popular.  

Os ativismos existem e são inevitáveis, mas cabe às Cortes de Justiça buscarem evitar a contaminação dos ouvidos pelos urros do aplauso ou da vaia. Criou-se a jurisprudência do apoio popular aos fatos ditos dominantes, gerados no útero nem sempre isento da mídia e, pior, dando-se ao grito popular o que nem sempre a lei impõe. Vivemos sob uma avalanche justiceira que a pretexto de punir corruptos quis destruir a política, a garantia da democracia.  

E, no entanto, tem sido o Congresso Nacional, tão mal-amado pelos celerados que hoje ditam os rumos do país, que tem demonstrado a sensibilidade nos grandes instantes. Foi nos seus plenários, em Brasília, que a Nação aprovou, sem demoras, o Estado de Calamidade Pública, o Orçamento de Guerra e o Auxílio-Emergência. E, por conta disso, a descoberta incontestável de quarenta milhões de cidadãos até então, miseravelmente, ainda invisíveis. 

PENEDO - O bispo de Caicó, Dom Antônio Carlos Cruz Santos, já teria pedido sua remoção para a Diocese de Penedo, Alagoa, terra dos pais, embora ele tenha nascido no Rio de Janeiro.

VAGA - Penedo está sem bispo diocesano em razão do falecimento de Dom Valério Breda. Pode ser a hora e o lugar para o padre Flávio Melo, se elevado a Bispo, como já é bem cotado.

DESEJO - As lideranças Diocesanas de Caicó querem um bispo da região ou do Estado. O hoje Pároco da Catedral de Mossoró e Vigário Geral da Diocese de S. Luzia é o grande nome.

ALIÁS - Os caicoenses receberam bem os dois últimos bispos - um baiano, outro carioca - mas rezam por um nome da terra. O Mons. Antenor Salvino, na sua fé, faz jejum e penitência. 

BRASIL - Já no catálogo da Amazon o livro do ex-ministro Ciro Gomes: ‘Projeto Nacional: ‘O Dever da Esperança’. Edição Leya, 274 páginas, R$ 49.90. Venda on line para todo o país.

ESTILO - Excessivamente efusiva a nota da Fecomercio na reabertura, em momento de dor. Os mortos eram seus clientes. O instante é de retomada, e solidariedade na luta que continua. 

ARTE - Tem live, amanhã, sobre ‘Colecionismo e Mercado de Arte’, 18h, para todo Brasil, com o natalenses Manoel Onofre Neto; um paulistano, Jorge Priori; e o gaúcho Nei Vargas. 

MÁSCARA - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, mirando a dissimulação de alguns políticos no palco da aldeia, serelepes e altaneiros: “Neles a máscara é redundância”.  

RECADO - De Geraldo Batista de Araújo, mesmo prisioneiro do coronavírus, mas fiel aos seus amigos, como é do bons seridoenses de Acari, para Carlos Augusto Porpino, onde hoje estiver: “É com muita tristeza que digo adeus. Você partiu sem deixar pegadas sujas. 

Praticou a caridade sem olhar a quem. Jamais cometeu a maledicência. Você subiu para junto do Pai, mas sua amizade ficará guardada eternamente em nossos corações. Um amigo como você ficará “guardado do lado esquerdo do peito”. Sentiremos sua falta todos os dias. 

Você, agora está em paz e sem o sofrimento a que foi submetido pela doença que lhe amputou as pernas. Quem teve um amigo como você, tirou a sorte grande. O que mais doeu em todos nós foi não poder estar ao seu lado na hora da partida. Você amava a todos indistintamente. O único adjetivo que posso dizer é que você foi um homem bom e os bons têm lugar reservado junto ao Pai Celeste. Até breve, pois todos nós estamos de passagem”. 





Deixe seu comentário!

Comentários