Diário da Quarentena - LXVII

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação


Outro dia li sobre a importância de Heitor Villa-Lobos como criador da autêntica música brasileira no Modernismo de 22. Mas, mesmo bem apurada, a matéria não abrigava um episódio   duro da sua relação com Mário de Andrade. Não é só feita de flores essa história. Os bons olhos marioandradinos sabem que depois de 1988 não é mais possível desconhecer, por desinformação ou omissão, a carta de rompimento publicada quando Mário e Villa-Lobos já não mais viviam. 

Fixemos as datas. Mário morre em 1945 e Villa-Lobos em 1959. A carta de Mário a Prudente de Moraes Netto - Pedro Dantas foi seu pseudônimo jornalístico - data de 21 de janeiro de 1933, mas só seria conhecida em 1988. Durante todo esse tempo, o segredo viveu nos arquivos pessoais de Prudente, até cair nos olhos da professora e pesquisadora Flávia Camargo Toni, quando reunia informações para o seu livro sobre a importância dos dois modernistas de 1922.  

Dirigida de forma carinhosa a ‘Pru’, a longa carta é mais do que um desabafo de Mário. É uma paulada pessoal. Revoltado com as posições de Villa-Lobos, acusa o compositor de depois de ‘lamber o cu’ de Carlos de Campos e dedicar um concerto a Júlio Prestes, logo passou a elogiar os vitoriosos da Revolução de 30. E condena os concertos de Villa-Lobos para a juventude, como agrado ao ditador Getúlio Vargas, uma descoberta que mudaria a história dessa grande amizade.

Os documentários feitos à época realmente mostram os concertos soprando entusiasmo os jovens envolvidos pelo nacionalismo populista de Vargas. O que é também uma contradição. Quando Mário é demitido do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, e vive violenta depressão, quem vai abrigá-lo, no Rio, é Gustavo Capanema, o ministro da educação e cultura do Catete, aquele que tinha como seu chefe de gabinete o poeta Carlos Drummond de Andrade. 

A carta é longa e foi divulgada, na íntegra, em primeira mão, em 1988, no livro “O Canto do Pagé”, de Hermínio Bello de Carvalho (páginas 133-138). O foco está no subtítulo: “Villa-Lobos e a música Popular Brasileira”. Hermínio não nega a pista real: foi a professora Flávia Camargo Toni que, na época, pesquisava sobre Heitor Villa-Lobos na visão de Mário para o livro que ela lançaria ainda em 1987 - “Mário de Andrade e Villa Lobos”, Centro Cultural São Paulo.

Villa Lobos criou um Quarteto, explica Mário a Prudente, com uma ‘vontade de servir a toda gente” que na visão de Mário “faz toda a imoralidade repulsiva do Quarteto”. E bate duro no trecho seguinte: “O vila (sic) se escondeu. Se disfarçou. Quer conciliar as coisas, e, pois que tornou-se o lambedor de cus, lambe os ditos do acadêmico criticante como do burguês ouvinte, do modernista embandeirado como do passadista louco pra se rever no novo”. Fica o registro. 

LUTA -  O ministro Rogério Marinho já foi avisado: qualquer tentativa de concorrência para a exploração do aeroporto Aluizio Alves será contestada na Justiça com pedido formal de embargo.

CAUSA - Há vinte anos, o governo federal desapropriou as terras e até hoje deve a alguns dos seus proprietários. Uma dúvida que hoje, corrigida, já representa R$ 30 milhões. É luta grande.  

RITMO - A declaração do prefeito Álvaro Dias teve um sentido profilático: livrou a cobertura jornalístico do jogo monótono, ineficiente e estatístico das mortes e sobreviventes do Covid-19.

APELO - Embora tenha sido, nos últimos quatro governos - dezesseis anos - um belo apelo de marketing que rendeu muitas campanhas, até hoje a cidade continua sem saneamento. Um abuso.

PAUTA - A Justiça do Trabalho marcou para dia 15, uma segunda-feira, o retorno das atividades em Natal e no Estado. Aliás, sua solidariedade, no RN, na luta contra a pandemia, foi exemplar. 

LARANJA - A Câmara Municipal não foi feliz ao aprovar o mês ‘laranja’ das festas juninas. É a cor dos que acusam o Legislativo em todo o país de usar ‘laranjas’ no esquema da ‘rachadinha’. 

FIRME - Sejamos justos: a governadora Fátima Bezerra joga bem na defesa firme e equilibrada do isolamento social. Silencia, mas sabe que a crise pode levar a grande Natal ao tal lockdown.   

FORTE - O Coronavírus é fichinha na frente do capital. Na última edição brasileira da Forbes, por exemplo, o Brasil já emplacou 45 bilionários. Inclusive os irmãos Joesley e Wesley Batista. 

BRILHO - O potiguar Diogo da Cunha Lima Almeida, ex-aluno do Cei-Romualdo, continua brilhando. Acaba de receber, em Nova Iorque, o prêmio ‘Watkins Award’, equivalente ao terceiro ano do ensino médio da Hoosac School, pela maior média de notas dos estudantes da instituição.

MAIS - Diogo, que hoje estuda nos Estados Unidos, foi além: recebeu uma distinção nacional da Presidência dos EUA como o melhor aluno, na sua escola, nas áreas de ética e matemática de alto nível. Aqui em Natal e em olimpíadas nacionais, sempre se destacou nos primeiros lugares.  

CHRISTI - A Arquidiocese foi cuidadosa ao fixar as normas na celebração de Corpus Christi, dia 11 próximo. Limitou o cortejo a três carros e pequenas equipes de apoio, tanto na Catedral Metropolitana e nas igrejas matrizes. A procissão do Santíssimo é permitida, sem aglomerações.





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