Diário da Quarentena - LXXIII

Publicação: 2020-07-05 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br
Diário da Quarentena - LXXIII

Em que pese esta alma parnasiana e nela vivendo, pregados como ostras, uns restos de romantismo, nem assim acredito que o amor possa ser vivido e nutrido na sua dimensão virtual. Sei, sentimentos são fios, e o amor é um deles, mas desde que haja a esperança de materializar-se. Sou antigo, de antigos vícios existenciais, daí toda a dificuldade de acreditar que é possível amar via satélite, sem o prazer da carne, de resto, uma invenção divina, se fomos feitos por Ele.  

Jovem, catando os grãos das tenras descobertas, acreditei que tudo era mesmo como Marshall Mcluhan dizia: éramos apenas única tribo; os grandes continentes se formaram; nos distribalizamos; e veio a aldeia global que nos retribalizou. Não duvido. O mundo está ai para mostrar. Se a tribo se caracteriza por ser o mundo dominado por todos, afinal todos sabem de tudo ao mesmo tempo, estamos outra vez assim. Se a Rainha espirra em Londres, todos ouvem. 

Outro dia, caiu bem dentro dos olhos uma reportagem, numa dessas revistas modernas, mostrando o novo voyeur, ou seja, o praticante do voyeurismo que tanto pode ser um hábito sadio, o exercício contemplativo do belo, na acepção original dos franceses, como há de ser o vício nascido da perversão. Fiquemos aqui, longe dos delitos nascidos da observação proibida e antes que o cronista caia no precipício das veleidades psicanalíticas da pobre alma humana. 

Li que o amor à distância tem o prazer entrelaçado entre o possível e o impossível. Se possível, o voyeur observa com a consciência de quem é observado, homem ou mulher, como se apenas adiasse o encontro carnal que os observadores sabem, bem planejado e consentido. Daí a nudez transmitida, os nudes, imagens da nua sensualidade enviadas por computadores ou smartphones, como for mais de gosto, com os riscos da invasão de privacidade pelos hackers. 

  A matéria lembrava a série de reportagens de Gay Talese, do homem que comprou um motel, no Colorado, EUA, e instalou câmeras para observar os hóspedes, por prazer, e sem molestá-los. Série de reportagens de grande sucesso, depois reunida no livro - ‘O Voyeur’ - e lançado no Brasil pela Companhia das Letras. Seria, e como está no texto, uma bem urdida espionagem da nudez, o que acaba sendo típico desse tempo estranho, volátil e volatilizado. 

Ainda que tenhamos a boa parcimônia, e saibamos separar o vício da virtude, o mundo já não é mais aquele do cronista João do Rio - Paulo Emílio Cristóvão Coelho dos Santos Barreto. Um Rio nos resquícios requintados e mundanos da belle époque, ao espantar a cidade instigando seus leitores, numa conferência sobre o flerte, incluída depois no livro ‘Psicologia Urbana’, de 1911. Quando os cronistas escreviam sobre o que chamavam ‘estados d’alma’...  
PEDRA - Não se pode afastar o episódio dos R$ 5 milhões pagos na cota do Consórcio para a aquisição de respiradores como sua causa única do impacto negativo na avaliação do governo. 

DESAFIO - Como não se pode desconhecer que é bem maior a amplitude da tarefa do governo cobrindo o Estado todo. Algo muito mais amplo do que cuidar apenas da capital, no caso, Natal.

MAS - Ficou muito sensivelmente demonstrada a agilidade do prefeito Álvaro Dias ao longo dos últimos meses. Soube colocar-se na vanguarda de posição, fato que a pesquisa consagra.

EFEITO - Na véspera da eleição, Dias sai da grave temporada sua imagem consolidada, o que certamente repercutirá, positivamente, nas urnas. E já tem gente no governo consciente disto.

VÍRUS - Aos eufóricos, destituídos do conhecimento histórico: a gripe espanhola durou dois anos, 1918 e 1919, matou cinquenta milhões no mundo e resistiu a três ondas de contaminação. 

DETALHE - Ainda que não tenhamos um grande fluxo portuário, o vírus chegou pelo porto do Rio e pelos portos sofreu as ondas seguidas. As cidades portuárias foram as mais vulneráveis.

FONTES - ‘Aos Trancos e Barrancos - como o Brasil deu no que deu’, de Darcy Ribeiro, e o livro de Ruy Castro - ‘Metrópole à Beira-Mar’, têm excelentes informações sobre a Espanhola.  

ALIÁS - Ruy Castro contesta a notícia sustentada até hoje por vários historiadores de que foi a Espanhola que matou Rodrigues Alves. Já era portador de leucemia. A Espanhola só agravou.  

CHAPA - Como Brasília respira intrigas e conspirações, já há quem aposte numa saída para Lula como última cartada política: superar diferenças e levar o PT a ser vice de Ciro Gomes numa chapa de oposição para a luta de 2022. O combate não vai ser tão fácil quanto o PT imagina.

SALVE - A luta do movimento Salve Natal!, com logo marca e espaços na mídia virtual, quer transformar a discussão, na Câmara Municipal, em um grande fórum em defesa desta cidade. Afinal, do alto destas dunas, quatrocentos anos contemplam esse rio, esse mar e esses morros.  

NATAL - Você pode participar da campanha em três plataformas.  Basta acessar um dos três: Instagram -; o Facebook e Twitter.