Diário da Quarentena - LXXVI

Publicação: 2020-07-09 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Tenho notado, Senhor Redator, que está intenso na pauta dos jornais, revistas, rádios e tevês, o tema dos bons hábitos de higiene. Talvez venham a ser a nossa melhor herança, passada a peste. Aliás, é a luta dos sanitaristas desde que descobriram os microrganismos, os vírus e bactérias, embora a humanidade não esteja livre da culpa quando deixou surgirem os submundos e neles confinou a vida dos miseráveis, estes mais pobres do que os pobres.

Outro dia vi numa banca de jornal uma edição especial da revista ‘Veja Saúde’ toda dedicada ao que chamou de ‘Casa à prova de vírus’. O que é, convenhamos, um embuste do ponto de vista científico. Não é possível uma casa sem vírus, a menos que se habite uma bolha asséptica. E mesmo que fosse possível, seria fatal sair, nem que fosse por segundos. Seus habitantes, sem anticorpos de defesa, morreriam rapidamente, sem remédio e sem cura. Aliás, a título de ilustração e sem maiores novidades, reparei visitando a Plaza de Touros, em Madrid, a homenagem a Alexander Fleming. Os toureiros morriam de infecção, feridos pelos chifres dos touros sem que entendessem a razão, se seus ferimentos eram bem cuidados. Ora, sem a descoberta da penicilina continuariam morrendo. Assim como morriam nossos jovens poetas infectados pelo bacilo da tuberculose, no martírio da vida romântica. 

O que faz medo, ao lado da incontestável necessidade de viver numa casa higiênica, é que um outro perigo venha a se desenvolver: o vírus da neurose. As máscaras continuarão indispensáveis ainda um bom tempo para os não infectados, mas é bom não perder de vista a esperança de que o mundo um dia voltará a ser normal e sem essa estranha necessidade do ‘novo normal’. A vida não será perfeita só por se lavar as suas mãos com álcool ou sabão.

O maior risco é não ser normal. A normalidade não pode ser vivida no território do medo. Nem mesmo os anticorpos poderiam nascer e combater em defesa da saúde em um mundo totalmente asséptico. Assim como não é saudável querer viver na assepsia absoluta, não é razoável destinar uma vida promíscua a uma parte desse mundo, sob pena de um dia nascerem outros vírus, como este que dizem ter nascido num mercado promíscuo da China. 

O homem do terceiro milênio precisa acreditar que lava as mãos dos vírus, mas não se lava da miséria que a própria humanidade produziu em dois milênios. Há um preço, e alto, que aos Estados Unidos, o mais rico e mais desenvolvido do mundo, foi cobrado até hoje:  cerca de dois trilhões de dólares. O perigo nasceu longe, muito longe das ruas higiênicas de Nova Iorque, mas acabou atravessando terras e mares. Por uma razão: esse mundo é um só.

LIXO - Amanhã Natal vai saber se a terceirização da coleta de lixo na nova concorrência vai alcançar a Zona Norte, hoje única e última coleta feita pelos garis da Urbana desde 2014.

SAÍDA - A ideia, caso seja pactuada, é redistribuir seus funcionários em outras secretarias e extinguir, se for o caso, a contratação de garis não estáveis. O que é uma redução de custos.

MAS - Enquanto em seis anos, de 2014 a 2020, a Prefeitura realiza duas concorrências para a coleta de lixo, não consegue licitar o transportes urbano. Um mistério que já dura décadas.

ENIGMA - Anunciada para meados e adiada para dezembro de 2019, pelo visto até hoje a STTU não encerra os seus profundíssimos estudos técnicos. Que padre João Maria salve! 

GRIPE - Justo, justíssimo, que o presidente Bolsonaro em poucas horas tenha feito teste, exames de sangue, eletro e ressonância magnética. Mas prova que não é só uma gripezinha. 

LIVE - Vai essa do pai-coruja: Sylvia Serejo e Luís Henrique conversam hoje, às 17h30, na live - “A pandemia e as tendências no mundo dos eventos”. No Instagram. São bons na área.
 
LUTA - Forte o lema nacional dos entregadores na luta contra o bloqueio dos aplicativos. A convocação: ‘Existe força de trabalho sem padrão. Não existe patrão sem força de trabalho’.

DOR - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, ao ouvir um boêmio confessar um grande amor proibido: ‘Cada um guarda, em algum lugar da alma, um amor impossível”.   

CULTURA - O RN vai receber R$ 57 milhões da Lei Aldir Blanc, de incentivo à cultura, sendo R$ 32 para Natal e R$ 27 para os municípios. Recursos para uma ajuda financeira aos artistas e produtores; revitalizar os espaços culturais; e editais de financiamento da cultura.  

RATEIO - O debate, quando a grana chegar, é como serão os critérios para o rateio dos R$ 27 milhões com os 166 municípios. O vereador e professor Francisco Carlos, de Mossoró, defende a proporcionalidade. Equilibra com justeza os maiores e menores e seus programas.

LUTA - A prioridade mais urgente na área cultural é fixar os critérios da ajuda emergencial das três parcelas de R$ 600 reais. Só deve receber quem não tiver vínculo empregatício, sob devolver. A primeira discussão foi ontem, às 17 horas, na live da Fundação José Augusto.