Diário da Quarentena - XLI

Publicação: 2020-05-28 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação


A nossa retórica política, Senhor Redator, nos últimos décadas, caiu na vala pobre do iníquo e do inócuo. Se desdobradas nas formas substantivadas, na iniquidade e inocuidade de uma ambiguidade de gênero. Já não temos o gosto da palavra como arte e fruição estética. O dito como traço essencial do pensamento. No ontem recente, tivemos o brilho de Cortez Pereira; e, mais recente ainda, o domínio pleno de Geraldo Melo no velho ofício de bem manejar a palavra. 

Esse tempo que vivi, tão recente do ponto de vista histórico, não apaga ou invalida a flama de Aluizio Alves na palavra escrita e falada. Não tenho nos ouvidos o eco da retórica que marcou aqueles anos sessenta. Sei pelos textos que li, e tenho, colecionados pelo claro gosto de vê-las ordenadas e ferventes, no fogo flamejante registrado em discursos publicados e hoje tão raros. No mais, nada crispa os olhos e ouvidos, a não ser o tartamudeio pobre de cerebração comuns.

Venho anotando, nos últimos anos, desde a segunda metade dos anos noventa e nas duas dezenas dos anos vinte deste terceiro milênio. E registro apenas em razão de uma constatação verdadeiramente clara: quando a política - para não citar nomes e evitar as personificações que particularizam e ferem a tese impessoal - perde a capacidade de expor e argumentar, perde a força que ergue os grandes raciocínios lógicos e logicamente sustentáveis. Como se agonizasse de vez.

Todos nós - é de velho e conhecido saber - temos no peito uma guitarra. Comunicar-se, no espaço de grandes auditórios, fechados ou diante de multidões, é ser capaz de tocar as cordas da emoção. Quem sabe, de dedilhá-las com a harmonia dos arpejos. O ghost-writer, por mais habilidoso e hábil que possa ser, não é capaz de fundar no espírito do outro o estilo próprio para que seja permanente. É como se o talento se ausentasse quando o ghost-writer pede suas férias. 

Qualquer ouvinte mais apurado, ou leitor com algum lastro profissional, percebe o pano de fundo da cena artificial. Bons ouvidos e bons olhos sabem perscrutar a relação de intimidade verdadeira com as palavras. Daí saber facilmente quando elas nascem de outras mãos e outros espíritos. Há uma magia, um não se sabe o quê, uma transcendência. Não é fácil fazer a palavra afagar ou ferir, apascentar ou eriçar. É difícil saber expressar a sinceridade no ódio e no amor.  

Quem ama e odeia para o outro, não faz o outro odiar e amar com força, se as palavras saem sem a tintura do sentimento. Quantas vezes, num discurso lido, numa carta ou mesmo numa frase quando o falso não salta da boca ou do papel e cai flagrada pelos ouvidos, olhos e na própria alma. O poeta Carlos Drummond de Andrade, um sábio da palavra não brincava ao avisar, tão grave e tão puro: ‘Lutar com palavras é a luta mais vã / entanto lutamos mal rompe a manhã’.   

JOGO - De uma raposa maliciosíssima na trilha entre o Palácio José Augusto e a governadoria: “Tucanos e petistas se conhecem. Ali, uns desconfiam dos outros e fica tudo bom para os dois”.

CHARME - O  publicitário Alexandre Macedo resolveu prolongar sua permanência no Porto Brasil a julgar pelo acervo de bons vinhos. Como é um criado, e bom, trabalha em home office. 

IRA - No ‘Camarim’, edição de hoje, o coronel André Azevedo, com a intolerância típica da formação castrense, acusa esta coluna de capciosa. A coluna afirmou que com poucos meses de eleito, ele deixou o PSL, partido no qual foi eleito. E deixou. Assumiu o PSC, e condicionou a presidi-lo no RN. Assumiu e preside. O comandante do PSC é o governador do Rio, Wilson Witzel que a Assembleia homenageou com o título de cidadão norte-rio-grandense, esse que sofreu busca e apreensão da Polícia Federal, suspeito de envolvimento com valores públicos calculados em torno de R$ 800 milhões. A coluna nunca disse que Azevedo não defende a apuração. Fundo partidário é símbolo de poder, não simboliza desonra. Este colunista faz parte, sim, de um grupo de dezenas de funcionários efetivados pela 
Assembléia e a ação obteve vitória no juiz singular e no Tribunal de Justiça e hoje tramita no âmbito da terceira entrância. Nosso advogado é o ex-ministro do STJ, Dr. José Augusto Delgado. Com quarenta anos de colunismo e cinquenta de jornalismo, este colunista não seria um fantasma nem que desejasse. Tanto que mereceu O Mérito da PM por defendê-la como constituição. E sabe que o País vive a Pandemia do Covid-19 e a epidemia da intolerância contra a liberdade de expressão e agressões físicas e morais contra os jornalistas. A deselegância não surpreendeu.

Ao colunista Vicente Serejo: 
Suas notas a meu respeito em sua coluna de 27/05/20, foram capciosas e poderiam ter sido evitadas se eu tivesse sido ouvido. Saberia, por exemplo, que defendo apuração rigorosa sobre os atos atribuídos aos acusados no Rio de Janeiro e, comprovada a culpa, que sejam punidos. A Justiça decida. Não protejo corruptos. 

Saí do PSL por perseguição política dos que se julgavam donos do partido no Rio Grande do Norte. Fui impedido de falar, boicotaram minha candidatura, sabotaram minha presença no diretório, dentre outros acontecimentos.

Para seu conhecimento, quando ingressei no PSC, agremiação conservadora, não havia a hoje clara divergência entre algum dos seus integrantes e o Presidente Jair Bolsonaro, que comecei a apoiar quando poucos acreditavam nele. Continuo apoiando e defendendo seu Governo. O vice-líder do PSC, deputado federal Otoni de Paula, também é vice-líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados e adversário do Governador do Rio de Janeiro. O partido não é uma seita.

Mais: o PSC não dispõe de fundo partidário e, se fosse o contrário, consideraria sua ilação maliciosa desrespeito à minha honra. 

Peço a reposição da verdade, lembrando que, entrei na Assembleia Legislativa pelo voto, por 27.606 votos. Entrei pela porta da frente e não pela janela pela qual o senhor - alvo de diversas ações judiciais -, penetrou. Com a ardilosa capacidade dos fantasmas. 

Coronel PM André Azevedo
Deputado Estadual







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