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Política
Diante da reação, Planalto avalia bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil
Publicado: 00:01:00 - 23/06/2022 Atualizado: 23:42:11 - 22/06/2022
André Borges
Agência Estado 

Depois da reação negativa dos caminhoneiros com a proposta do governo Jair Bolsonaro (PL) de criar um "auxílio- caminhoneiro" de R$ 400 por mês, até o fim deste ano, a cúpula do Palácio do Planalto articula com o Congresso Nacional a possibilidade de aumentar esse valor. A pressão é para que o repasse seja expandido para até R$ 1 mil por mês, mas o valor não está definido até o momento.

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Deputado Altineu Côrtes afirma que a proposta de bolsa-caminhoneiro deve ser de R$ 1 mil e confirma as negociações em torno de um novo valor

Deputado Altineu Côrtes afirma que a proposta de bolsa-caminhoneiro deve ser de R$ 1 mil e confirma as negociações em torno de um novo valor


A informação é do deputado Altineu Côrtes (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados. "Tem de ser R$ 1 mil", disse ao confirmar as negociações em torno de um novo valor. Na terça-feira, 21, governo e parlamentares sinalizaram com a possibilidade de incluir a criação da bolsa-caminhoneiro e o aumento do vale-gás na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em tramitação no Congresso para compensar Estados pela redução do ICMS dos combustíveis. 

As primeiras sugestões eram de um benefício de R$ 400 para compensar a categoria pelos aumentos recentes no diesel A referência é o valor pago no Auxílio Brasil.

'Esmola'
A reação contrária dos caminhoneiros, porém, foi imediata. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, afirmou que a decisão do governo é uma afronta e que a categoria não quer receber esmola, mas sim uma solução estrutural.

"Isso é uma grande piada. O caminhoneiro não precisa de esmola, precisa de dignidade para poder trabalhar. O governo tem de parar de dar chilique e tomar atitude de verdade", afirmou Landim ao Estadão.

Não está claro ainda de onde sairia o dinheiro, mas o fato é que, com a PEC, o governo poderia utilizar o atalho de decretar um "estado de calamidade" no País e, dessa forma, driblar os limites impostos pelo teto de gastos, trava que limita aquilo que o governo pode gastar.

Técnicos fazem as contas agora para estimar o impacto da medida. Além da criação do auxílio, a equipe econômica sugeriu um reajuste sobre o vale-gás para a população de baixa renda. O valor para os gastos estaria limitado e definido na PEC.

O custo das medidas em estudo, considerando o valor inicial de R$ 400 por mês, era de R$ 6 bilhões (R$ 2 bilhões para o vale-gás e R$ 4 bilhões para o bolsa-caminhoneiro). As medidas valeriam até 31 de dezembro e foram pensadas como uma forma de atenuar o impacto da inflação que ameaça a reeleição de Bolsonaro.

Associação quer limite para reajustes
O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, disse ontem que o presidente da República, Jair Bolsonaro, está "totalmente perdido" e defendeu ações de enfrentamento ao aumento do óleo diesel.

"O presidente alterou o gatilho (para aumento do frete pela variação do óleo diesel) de 10% para 5%. Tivemos um aumento de 14,26% na semana passada, sangrando a categoria e o povo brasileiro. Não tem nem fiscalização e muito menos transparência do governo e da própria Petrobras sobre possível desabastecimento de óleo diesel no País", criticou Chorão.

E acrescentou: "Presidente tenha coragem e responsabilidade. Se precisar de caneta BIC, eu compro para o senhor.
Chorão voltou a criticar também a possibilidade da criação de um voucher para caminhoneiros, citada nesta semana pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Segundo ele, a proposta dos parlamentares prevê pagamento de R$ 400 aos transportadores.
"Caminhoneiro não precisa de esmola, precisa de dignidade", disse Chorão.

Em vídeo divulgado no período da tarde desta quarta-feira, Chorão pede que o governo escolha um novo presidente para a Petrobras, disposto a modificar a política de preços para combustíveis da estatal.

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