Dias intensos para César Ferrario

Publicação: 2019-01-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Colaborou: Cinthia Lopes
Editora

Um ano após viver o capanga Rato, na novela “O Outro Lado do Paraíso”, o ator potiguar César Ferrario voltará ao horário nobre da Globo. Ele está confirmado no elenco de “Dias Felizes”, sucessora de “O Sétimo Guardião” no horário das nove. O potiguar já está no Rio de Janeiro se preparando para as filmagens que começam em fevereiro. “Dias Felizes” tem autoria de Walcyr Carrasco, o mesmo de “O Outro Lado do Paraíso”, e direção artística de Amora Mautner, de “Avenida Brasil”. A estreia está prevista para junho ou julho de 2019.

César Ferrario como Rato em O Outro lado do Paraíso. Em 2019, são duas produções para tv
César Ferrario como Rato em “O Outro lado do Paraíso”. Em 2019, são duas produções para TV

As informações sobre o papel de César na trama ainda são preliminares. Segundo o ator, o elenco ainda sabe muito pouco sobre seus personagens e a história. “A novela foi validada há pouco tempo. O Walcyr ainda deve estar definindo muita coisa”, diz em entrevista ao VIVER. Mas ele dá algumas pistas sobre seu personagem, que aparecerá na primeira fase da novela. Seu núcleo é o mesmo da protagonista que encaminha a narrativa.

“Meu personagem faz parte de uma família que reside no Espírito Santo. Essa família é um matriarcado. É de lá que egressa a filha caçula, a protagonista da novela. Eu faço parte desse núcleo que mostra a formação dessa personagem”, adianta o potiguar. Perguntado se ele viverá um vilão, assim como foi Rato, na novela anterior, Ferrario não descarta semelhanças. “Meu personagem tem uma série de diferenças com o Rato. Mas não posso negar que também há similaridades”.

A escalação para a nova novela veio pouco depois de César concluir as filmagens da terceira temporada da série “Sob Pressão”, que deve ir ao ar na Globo no segundo semestre de 2019. Mas o ano ainda reserva outros trabalhos para o potiguar.

O espetáculo “Meu Seridó”, projeto encabeçado sua companheira Titina Medeiros e o qual assina a direção, irá circular pelo Brasil e já tem 50 apresentações agendadas. De acordo com César, na medida do possível ele vai acompanhar o grupo nas apresentações. Outro projeto que ele está envolvido é o “Forró Pé de Guerra”, misto de espetáculo e show musical, onde toca sanfona. Se as agendas dos integrantes convergirem, ele programará apresentações. Sobre esses projetos e sua participação na novela “Dias Felizes”, César conversou com o VIVER. Confira a entrevista.

Em “Dias Felizes” você vai trabalhar novamente com uma obra de Walcyr Carrasco. Isso facilita de alguma forma?
Existem sim descomplicadores. Mas eu prefiro não vestir esse termo facilitador, eu prefiro não aceitá-lo. Por se tratar de uma obra com viés artístico, uma obra narrativa ainda aberta, em processo, eu penso que não há garantias de nada. Nunca há. O jogo só se dá como resolvido no seu ato final. Até lá tudo é risco. E eu acredito que tomar o desafio por esse viés é a postura mais saudável. É a que me oferece mais portas investigativas e de crescimento.

O elenco chega a ter contato com o autor?
Esse contato existe. O próprio processo de preparação nos dá acesso ao autor. Ainda que minimamente ele nos dá espaço de conversa e diálogo. Mas não é um contato paritário. Algumas pessoas do elenco tem um vínculo mais estreito com o Walcyr. Em “O Outro Lado do Paraíso” tive alguns instantes com ele antes da estreia. Espero que esse espaço se repita em Dias Felizes, porque esses instantes acabam sendo muito esclarecedores.

E o que espera do trabalho com a diretor Amora Mautner?
Nunca trabalhei com a Amora. Mas já vi muita coisa sobre ela. É uma pessoa que luta pelo preciosismo, pelo perfeccionismo, pelo bom resultado. Já trabalhei com José Villamarim, que foi o grande parceiro dela na realização de “Avenida Brasil”. É uma grande satisfação pra mim fazer parte desse projeto novo.

Um dos panos de fundo da novela será o universo do boxe. Seu personagem está ligado a esse núcleo? Você precisou fazer algum tipo de preparação específica?
Não faço parte do núcleo do boxe. Mas já estou no Rio de Janeiro e já estou fazendo alguns treinamentos sim. Um deles que tá me dando muito prazer é andar a cavalo. Tem sido uma experiência incrível. Já tinha andado à cavalo na minha infância. Mas aos 44 anos de idade, depois de tudo que já vivi, andar a cavalo tem sido uma redescoberta.

Com sua escalação para a novela “Dias Felizes”, como fica sua participação na terceira temporada da série “Sob Pressão”? 
Todos os capítulos foram gravados entre agosto e dezembro de 2018. A filmagem foi concluída. Não é uma produção da emissora, é da Conspiração Filmes, com direção de Andrucha Waddington. Foi uma experiência muito contundente fazer “Sob Pressão”. Só pra você ter uma ideia, um dos episódios que participei foi gravado inteiro em plano sequência. Foi um aprendizado sem precedentes. A nova temporada deve ir ao ar neste ano, mas não sei quando.

Nas novelas é comum um personagem começar com poucas falas e crescer ao longo da trama. Esse foi o caso de Rato, seu papel em “O Outro Lado do Paraíso”. Essa mudança está relacionada ao carisma do personagem?
O carisma tem a ver. Mas não é tudo. Existe uma série de outras coisas que influenciam. A importância que as curvas dramáticas dão àquele personagem, importâncias que o personagem pode adquirir na resolução da trama maior. Mas também é fato que a televisão vive a partir de resultados. Existem grupos de pesquisa e ferramentas de aferição e isso acaba direcionando o rumo da história. No caso do Rato, acho que ele foi favorecido, mas desde sempre estava definido pelo autor que ele precisaria morrer para que se desdobrasse uma série de consequências necessárias na derrocada da vilão, Sophia, interpretada por Marieta Severo.

Como ficam seus planos para o Teatro em 2019? Vale lembrar que você está dirigindo o espetáculo Forró Pé de Guerra.
O Forró Pé de Guerra não é minha direção. Ele é encaminhado, digamos assim, artisticamente por João Marcelino. Eu apenas encontro espaço de atrevido para tocar minha sanfona e poder estar no palco junto com Kleber Teixeira, um brincante do Boi Calemba Pintadinho, de São Gonçalo do Amarante, que toca zabumba com a gente, e João Pinheiro e Alex Ivanovich, ex atores do Alegria Alegria, grupo popular que faz parte da história teatral do nosso estado. Esse encontro é um deleite nosso pra tocar forró e ganhar um trocadinho. Vai continuar em 2019, de acordo com a agenda de todos nós.

E como fica a agenda do espetáculo Meu Seridó, o qual você é diretor?
O desafio maior será com o Meu Seridó. Ele circulará por todo o Brasil. Deve se apresentar numas 50 cidades. Vamos começar a circular no final de março. Acho que já terei concluído a maior parte das minhas cenas na novela.

Você e Titina (a atriz Titina Medeiros) ainda moram em Natal? Como fica a rotina com a ponte Natal/Rio?
Eu e Titina moramos em Natal e por ora não temos plano de ir embora. A grande mudança da minha vida já se deu em 89, quando eu tinha 14 anos e vim de Mossoró para Natal. Isso sim foi um salto abismal, que me deu um choque de existência que demorei um bom tempo para digerir. É muito importante manter vínculos, vir de vez em quando, apreciar a produção artística. O epicentro dos acontecimentos ainda é no Sudeste e é importante enquanto contraste as vivências no eixo Rio-SP. Eu penso que esses trabalhos (na TV) acabam que viabilizam esse translado. Mas acho que na mesma medida é importante manter o nosso espaço em Natal. Nosso mar tranquilo, esse horizonte infinito que se abre na esquina do país. Apesar de todas as questões que a nossa cidade tem enfrentado, ainda acho Natal um lugar maravilhoso pra morar, pra neutralizar, pra refrigerar as ideias, pensar.

Personagens de César Ferrario na TV:

Morvan (Vavá) - Cheias de Charme (2012)
Em seu primeiro papel em novela, César foi Morvan, um atrapalhado caminhoneiro que fazia par romântico com ninguém menos que a hilária Socorro, interpretada pela potiguar Titina Medeiros, sua companheira na vida real.

Bigode de Arame - Amores Roubados (2014)
Na minissérie Amores Roubados César foi o mototaxista e matador Bigode de Arame, comparsa de João (Irandhir Santos) no plano de matar Leandro (Cauã Reymond). Acabou morto na trama, assassinado justamente pelo comparsa.

César Ferrario como Bigode de Arame em Amores Roubados (2014)
César Ferrario como Bigode de Arame em Amores Roubados (2014)

Adão - O Rebu (2014)
Em “O Rebu”, César volta a trabalhar com o diretor José Luiz Villamarim (Amores Roubados). Dessa vez ele interpreta o cozinheiro e ex-presidiário Adão, braço direito do chef Pierre (Jean Pierre Noher), responsável pelo banquete da mansão. Bastante calado, gera desconfianças na anfitriã Angela (Patrícia Pillar), que suspeita que ele seja o assassino de Bruno Ferraz (Daniel Oliveira).

Rato  - O Outro Lado do Paraíso  (2017-2018)
Em sua primeira novela das nove, César dá vida ao capanga Rato, fiel escudeiro da protagonista Sophia (Marieta Severo). Ao chantagear a patroa, acaba morto a tesouradas.






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