Dilma firma acordo na Colômbia

Publicação: 2015-10-10 00:00:00
Em visita de Estado à Colômbia para ampliar as relações comerciais com o país vizinho, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que comunicou ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, o interesse do Brasil e do Mercosul em firmar parceria com o bloco comercial da Aliança do Pacífico. “Queremos estreitar relações", disse. Dilma ressaltou que entre 2005 e 2014 o intercâmbio comercial entre Brasil e Colômbia avançou 165%, de US$ 1,5 bilhão para US$ 4,1 bilhões. "Trata-se de um processo, sem sombra de dúvidas, vantajoso para as economias de nossos países", destacou.
Dilma Rousseff é recepcionada por Juan Manuel Santos para tratar de acordos comerciais
A presidente brasileira celebrou os acordos e memorandos de entendimento que devem destravar investimentos e permitir uma relação mais fluida entre os dois países e também entre empresas brasileiras e colombianas. "O acordo sobre o setor automotivo e o de complementação econômica 59 vai promover a indústria automobilística dos dois lados", ressaltou. Além disso, Dilma disse ter transmitido ao colega colombiano o interesse em avançar também em acordos para evitar a bitributação.

Dilma ressaltou ainda que a cooperação bilateral deve gerar empregos em um momento de dificuldades para todos os países, especialmente os do continente sul-americano, que têm sofrido com o fim do superciclo de commodities. O principal objetivo da primeira visita oficial de Dilma ao país vizinho é acelerar acordos comerciais entre Brasil e Colômbia, com foco na eliminação de tarifas de exportação e importação, além de acordos de compras governamentais e de investimentos mútuos. A Colômbia é a terceira maior economia da América do Sul mas apenas o sétimo parceiro comercial do Brasil na região.

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Um dos acordos foi firmado entre a Caixa Econômica Federal, o Banco de Desenvolvimento da América Latina e a Banca de Las Oportunidades da Colômbia. O tratado prevê a colaboração técnica internacional para promover ações de educação financeira para empreendedores da região de fronteira entre Tabatinga, no Brasil e Letícia, na Colômbia. Os demais tratados abordam temas como questões indígenas, fronteiras, pesquisa, desenvolvimento agrário, facilitação de comércio, logística e transporte fluvial.

Mais cedo, a presidente se reuniu com 20 empresários brasileiros. "Conto com os senhores para que nossas relações estejam além do nosso potencial, para que sejamos capazes de construir um caminho no qual tantos os interesses da Colômbia quanto os do Brasil sejam contemplados. Para que a gente se lance para um projeto de futuro que implique relações comerciais e de investimentos extremamente fortes entre nós", disse Dilma.

Tarifa para automóvel é zerada
Brasília (AE) - Em mais uma frente para melhorar os resultados do setor num cenário de crise, Brasil e Colômbia fecharam um acordo automotivo com validade por oito anos. A tarifa de importação será zerada para uma cota entre 12 mil veículos em 2016, que subirá a 25 mil no segundo ano e a 50 mil unidades a partir do terceiro ano. O acordo foi fechado hoje durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Bogotá.

Atualmente, para um carro brasileiro entrar no mercado colombiano, é cobrada uma tarifa de importação de 16%. Exportações acima da cota fixada serão tarifadas. O vice-presidente da Anfavea, Antônio Sérgio Melo, disse ao jornal "O Estado de S. Paulo" que o acordo dará condições mais favoráveis para o Brasil competir no mercado colombiano. Ele destacou que a Colômbia já tem outros acordos automotivos com países como Estados Unidos, México e Coreia, além da União Europeia.

"É fundamental que o Brasil participe desse mercado. O acordo é oportuno e permitirá que a indústria brasileira tenha maior participação no mercado colombiano. Está se criando condições mais favoráveis", disse. "É um bom passo. É um caminho que estamos seguindo para ampliar nossa participação em outros mercados", completou.  A Colômbia é o terceiro maior mercado da América do Sul e pode significar um alívio para o setor neste momento de queda nas vendas no mercado doméstico e encolhimento no comércio bilateral com a Argentina. A demanda na Colômbia gira em torno de 300 mil a 350 mil veículos por ano e o País ainda tem uma indústria automotiva em desenvolvimento, com capacidade de produção em torno de 120 mil unidades.

As montadoras terão que cumprir uma exigência mínima de uso de peças regionais. No primeiro ano, 9 mil unidades brasileiras terão que ser fabricadas com 50% de insumos locais e 3 mil veículos, com 35% de conteúdo regional, para terem direito à tarifa zero.





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