Disparates não acertaram o alvo

Publicação: 2019-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Tomislav R. Femenick
Jornalista historiador – Do IHGRN

As notícias recentes que emanam de Brasília têm um cardápio bem variado. Há as boas: a inflação está contida em patamar baixo; os juros básicos (taxa Selic) também; a Bolsa de valores se mante com índices elevados, enquanto o risco país (indicador que mede a estabilidade de um país em termos políticos, econômicos e financeiros) permanece baixo. A previsão do PIB (soma de todos os bens e serviços produzidos em determinado período) para este ano é que continua fraco, mas interrompe o viés de queda registrado nos últimos anos, com pico ocorrido em 2015, quando nosso crescimento foi negativo; menos 3,5%. Analisados em conjunto, estes números mostram uma tendência de crescimento econômico, impulsionado pelas reformas aprovadas no Congresso Nacional.

Mas nem só bons aromas vêm da capital federal e eles nascem no âmago do poder. A mais absurda foi a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro, pregando a possibilidade de volta do AI-5, o mesmo que já dissera que, para fechar o STF, bastavam um jipe, um cabo e um soldado. Também de Brasília vêm as ameaças do próprio presidente à liberdade de imprensa. Isso para não falar nas traquinices contra a Suprema Corte, comparando-a a uma alcateia de hienas.

Já falei aqui das vantagens de se ficar velho. Além da mais óbvia, se manter vivo, há o repositório de memórias. Muitas foram as diabruras que eu vi na política nacional, que começaram como meras travessuras e que geraram graves crises para o país. Vamos falar naquelas que geraram consequências sérias e que poderiam ter sido evitadas.

O suicídio de Getúlio aconteceu em um contexto de tensão extrema. Seu ápice foi o Atentado da Rua Tonelero. Visavam matar o jornalista Carlos Lacerda (que saiu levemente ferido), mas mataram o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz. A investigação provou que o autor intelectual do crime foi o chefe da Guarda Pessoal do Presidente, Gregório Fortunato. Pressionado pelo Congresso e pelos militares que pediam sua renúncia, Vargas se suicidou no dia 24.08.1954.

Em 1960, Jânio Quadros se elegeu presidente prometendo varrer a corrupção. Seu símbolo era uma vassoura. Seu mandato durou menos de sete meses. Populista e com tendências autoritárias, governava através de “bilhetinhos” que mandava a seus ministros. Enquanto isso, brigava com o Congresso. Sua carta de renúncia, dizem, não era “para valer”, pois ele queria mesmo era mais poder. Ou foi meramente um momento de porre?

Seu sucessor foi seu vice, Jango Goulart. Logo que foi confirmado no cargo – após idas e vindas – se viu coagido pelas esquerdas a tomar medidas populares, que incluíam reforma urbana, agrária, educacional, eleitoral (esta com a legalização do PCB) etc. As divergências com seu cunhado Leonel Brizola eram exemplos da queda de braço que o presidente mantinha com a ala mais radical da esquerda. Em um comício realizado aqui em Natal em maio de1963, Brizola atacou o General Antonio Carlos Muricy, comandante da 7ª Divisão de Infantaria, acusou-o de gorila e golpista, e fez apelos para que os soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica pegassem em armas, em defesa das reformas de base. Declarou ser necessário “colocar mais fogo na fogueira e aumentar a pressão contra o Congresso”, visando conseguir a aprovação das reformas. Jango foi deposto no dia 31.03.1964, no bojo de um  movimento popular que pedia sua deposição, isso mais ainda depois do comício da Central do Brasil. Resultado: 21 anos de governos militares.

Os impeachments de Collor e de Dilma são recentes e todos sabem as causas. É claro que o “caçador de marajás” não foi afastado por causa de um Fiat Elba, e a “gerentona” só por causa das pedaladas fiscais.

Apesar de toda popularidade, está na hora de o presidente Bolsonaro e seu clã estudarem a história recente do Brasil. Estou torcendo para que o clima político fique mais calmo e a economia prospere. Afinal, sou brasileiro, moro aqui e não quero sair daqui.





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