Diversidade cultural aporta na tela de Gostoso

Publicação: 2018-10-31 00:00:00 | Comentários: 0
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A Mostra de Cinema de Gostoso chega a sua quinta edição com uma programação repleta de filmes nacionais inéditos, cujas temáticas giram em torno de questões importantes do país. O evento deste ano também marca o início da nova turma de jovens dos cursos de Formação Técnica e Audiovisual. A garotada já estreia com cinco curtas-metragens no festival. No total, a Mostra de Gostoso vai exibir 43 filmes (nove longas e 34 curtas). O evento será realizada entre os dias 23 e 27 de novembro, na cidade de São Miguel do Gostoso, com as sessões principais exibidas numa tela de cinema de 12 metros montada à beira mar, na praia do Maceió. Toda programação é gratuita e a lista completa dos filmes pode ser vista na TN Online.

Na mostra competitiva exibida na Praia do Maceió, um dos concorrentes é o curta-metragem Guaxuma, animação em técnica stop motion da diretora pernambucana Nara Normande
Na mostra competitiva exibida na Praia do Maceió, um dos concorrentes é o curta-metragem 'Guaxuma', animação em técnica stop motion da diretora pernambucana Nara Normande

O número de filmes inscritos na Mostra de Gostoso deste ano foi de 735, dentre curtas e longas, de 16 estados diferentes. A quantidade superou o recorde do ano passado (711 inscritos). Segundo os idealizadores do evento, os produtores Eugênio Puppo e Matheus Sunderfd, tamanho interesse dos realizadores brasileiros reflete o crescimento do evento. Eles também informam que os filmes selecionados são todos brasileiros, de perfil independente, lançados em 2018 e quase 100% inéditos no RN.

“As obras apresentam questões relativas a temas sociais e políticos. Estão lá também os LGBTQI, indígenas, negros. Filmes que falam de superação. Há ainda obras de conteúdo estritamente voltados para as culturas locais onde foram realizados”, comenta Puppo.

“A curadoria tentou não pender para nenhum lado. Nosso objetivo foi mais o de fazer um extrato equilibrado do total dos filmes inscritos”.

Dos 43 filmes, 12 fazem parte das Mostras Competitivas, sendo quatro longas e oito curtas. Os longas são os documentários “Fabiana" (GO/SP), de Brunna Laboissière, e “Meu Nome é Daniel" (RJ), de Daniel Gonçalves, e as ficções “Inferninho" (CE), de Guto Parente e Pedro Diógenes, e “Sócrates" (SP), de Alex Moratto.

Dentre os curtas, valem o destaque a animação “Guaxúma" (PE), de Nara Normande, premiado no Festival de Gramado, e a ficção inédita no Brasil “Teoria Sobre um Planeta Estranho" (MG), do premiado diretor Marco Antônio Pereira. Três curtas potiguares também estão na competitiva, são eles as ficções “Ainda Que Eu Ande Pelo Vale das Sombras", de Helio Ronyvon e “P's", de Lourival Andrade, bem como o doc “Codinome Breno", de Manoel Batista.

Ferrugem, drama adolescente de Aly Muritiba que trata de cyberbullying, encerra a programação do festival. O jovem ator Giovanni de Lorenzi é um dos protagonistas da trama
Ferrugem, drama adolescente de Aly Muritiba que trata de cyberbullying, encerra a programação do festival. O jovem ator Giovanni de Lorenzi é um dos protagonistas da trama

Além das mostras principais, outras duas mostras são bastante concorridas: a Infantil e a Panorama. A primeira acontece pela manhã e a segunda à tarde. A Infantil conta com 14 curtas. Já a Panorama reúne 11 obras, sendo 7 curtas e 4 longas. Na sessão especial de encerramento, será exibido o filme “Ferrugem” (PR), de Aly Muritiba. O longa chegou a ser exibido no Festival de Sundance, nos EUA, e, no Festival de Gramado, faturou o prêmio de melhor filme.

Tão importante quanto a exibição dos filmes são os momentos de debates. É quanto o público tem a oportunidade de conhecer detalhes dos bastidores das produções por meio de um bate papo direto e descontraído com os diretores, atores e demais envolvidos com as obras. As rodas de debate acontecem sempre na manhã seguinte às sessões principais. Mas nos dias 26 e 27, as conversas focam em temas específicos. São dois seminários, um voltado para a produção do RN e outro sobre distribuição de filmes.

Formação para a vida
Um ciclo se fecha para a abertura de outro ainda mais instigante. Depois de promover uma imersão audiovisual e cidadã a 53 jovens de São Miguel do Gostoso e municípios vizinhos, nos últimos cinco anos, a Mostra de Cinema de Gostoso de 2018 marca o início da nova turma dos cursos de Formação Técnica e Audiovisual. Desta vez, 42 jovens entre 16 e 20 anos estão no grupo, que já estreia com cinco curtas-metragens na programação da Mostra. Todas as produções são coletivas e tocam em aspectos locais da cidade. Os filmes são “Autômato do Tempo”, “Derradeiro”, “Medo é Moita”, “O Grande Amor de um Lobo” e “Pescadores”.

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Longa cearense 'Inferninho' conta a história de Deusimar, gerente de um boteco frequentado por tipos exóticos

Antes de realizar os filmes, os alunos participaram de cinco oficinas, dentre as quais, Produção, Roteiro e Linguagem Audiovisual, com professores como o realizador paraibano Kennel Rógis, e o historiador carioca João Dias. “Está sendo um processo muito legal com a nova turma. O pessoal começa com a bagagem de já ter vivenciado a Mostra. Então eles já vêm com esse engajamento. É uma turma bem bacana. Nos surpreendeu positivamente pelo empenho e entrega nos curtas”, comenta o produtor Matheus Sunderfeld. Os jovens também participam da produção do festival.

A turma passada, batizada como Coletivo Nós do Audiovisual, participou de 33 oficinas ao longo de cinco anos, deixando um cartel de 10 curtas-metragens, alguns com circulação em festivais do Nordeste. Para nova bateria de cursos, oito jovens da primeira turma foram escalados para atuar na coordenação.

Eugênio Puppo destaca que os cursos não têm o objetivo de apenas formar os alunos para o audiovisual. Para ele, é fundamental estimular os jovens para o estudo e iniciativas de trabalho. Alguns dados da turma Coletivo Nós do Audiovisual expressam essa missão. Dos 53 alunos, 49% ingressaram no ensino superior – não necessariamente dentro da área de cinema. Outros 30% constituíram família e outros 21% entraram no mercado de trabalho.

Documentário Fabiana (GO/SP), de Brunna Laboissière, aborda história de caminhoneira trans
Documentário 'Fabiana' (GO/SP), de Brunna Laboissière, aborda história de caminhoneira trans

“Alguns abriram um pequeno negócio na cidade, casaram estão fazendo faculdade no IFRN, UFRN. Nosso objetivo não é que todos migrem para o audiovisual, mas que tenham uma boa formação cultural e informativa, com discussão de ideias, para que eles possam ir atrás dos seus objetivos de vida”, explica Puppo.

5ª Mostra de Cinema de Gostoso é uma realização da Heco Produções e do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC). O evento está sendo viabilizado com o patrocínio do Sebrae-RN, do edital de apoio a festivais do Ministério da Cultura (via Fundo Setorial do Audiovisual) e Secretaria de Turismo do RN, por meio do Programa Governo Cidadão (com recursos do empréstimo do Banco Mundial).



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