Diversidade de fontes é a solução

Publicação: 2015-05-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Outra importante lição aprendida com a Seca do Milênio, segundo Wong, foi a necessidade de diversificar o portfólio de fontes de água e rever constantemente as estratégias com base na emergência de novas tecnologias. Já não é possível, na avaliação do australiano, garantir segurança hídrica às cidades apenas com base no modelo tradicional de captação por meio de represas.

“Nosso esgoto é um recurso frequentemente ignorado e podemos criar soluções descentralizadas para reaproveitar essa água na irrigação de plantas e nas descargas de sanitários, por exemplo. Com políticas públicas adequadas, cada vez que um prédio antigo for abaixo podemos estimular que o novo introduza infraestrutura para reúso de água”, afirmou. Já o investimento em infraestrutura para coleta de água da chuva pode, segundo Wong, ajudar a solucionar também o problema das enchentes.

“Em Melbourne estamos construindo grandes áreas alagáveis para coleta de água pluvial e, assim, também conseguimos evitar inundações em regiões vulneráveis. Com o monitoramento dos radares meteorológicos, podemos prever a chegada de uma tempestade e drenar os reservatórios a tempo”, disse.

Como já não é possível confiar em dados históricos para prever condições futuras, uma vez que a ciência mostra que não há mais estacionariedade, Wong defende o uso de modelos matemáticos para simular cenários futuros e avaliar o impacto de políticas públicas antes que sejam implementadas.

“A infraestrutura do futuro terá de ser uma combinação de soluções centralizadas (grandes iniciativas implementadas pelos governos) e descentralizadas (soluções locais, implementadas pelos cidadãos e estimuladas por políticas públicas). E são as soluções descentralizadas que darão às cidades resiliência para sobreviver em um clima de incerteza”, afirmou Wong.

Missão


Além de Wong, outros 20 representantes de universidades e instituições de pesquisa e do governo do estado de Victoria fizeram parte da Missão de Educação, que também passou pelo Chile e seguirá para Colômbia e Peru. “Muitas cidades latino-americanas compartilham desafios similares aos da Austrália e aos do estado de Victoria. Essas experiências compartilhadas ressaltam áreas de interesse mútuo e possíveis alianças entre nossos governos, pesquisadores e especialistas em educação”, afirmou Steven Herbert, ministro de Educação Profissional e Tecnológica do estado de Victoria e chefe da missão.

A cônsul e adido comercial da Australian Trade Comission em São Paulo, Sheila Hunter, afirmou que os australianos estão familiarizados com o problema da escassez hídrica e desejam compartilhar sua experiência com os paulistas. “São Paulo está enfrentando uma grave crise nos reservatórios de água. Esperamos que ao compartilhar nosso aprendizado possamos ajudar a identificar soluções inovadoras para lidar com as mudanças climáticas que todos iremos enfrentar no futuro”, disse.

Para falar sobre a atual crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo e as estratégias que estão sendo implementadas para aumentar a segurança hídrica na região esteve presente o professor Américo Sampaio, coordenador de Saneamento da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. “A dessalinização da água do mar por enquanto está descartada em São Paulo em razão do alto custo. Temos de conciliar a gestão da oferta – ir atrás de novos mananciais cada vez mais distantes, o que historicamente sempre foi feito no Brasil e em São Paulo – e a gestão da demanda  adotar medidas para reduzir o consumo”, disse Sampaio.

Como exemplos de gestão da oferta Sampaio citou as obras emergenciais e também as de médio e longo prazo que estão sendo implementadas pelo governo estadual, entre elas a transposição de águas do Rio Paraíba do Sul. No âmbito da gestão da demanda, Sampaio afirmou que o governo paulista pretende estimular a medição individualizada da água em condomínios, a adoção de infraestrutura para reúso da água e a troca de aparelhos sanitários – vasos, chuveiros e torneiras – por modelos poupadores.

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários