Do bal masqué oficial

Publicação: 2019-07-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Do bal masqué oficial
Não é menor, nem menos grave, a nossa perda de protagonismo político nas últimas décadas. O que tivemos no passado remoto e recente? Muito mais do que temos hoje, varridos pela pequenez de idéias e gestos. A história republicana começa com Pedro Velho, e mesmo que queiramos vê-lo chefe de uma oligarquia, reuniu em torno de sua liderança nomes como Alberto Maranhão, Eloy de Souza, Tavares de Lyra e Antônio de Souza, para citar os mais relevantes.

Na nossa segunda escola política, tivemos José Augusto e Juvenal Lamartine, Dinarte Mariz e Aluizio Alves, realizadores do que temos de mais sólido até hoje. E na escola política mais recente, homens como Cortez Pereira, Tarcísio Maia e Geraldo Melo. Na área privada, empresários como Jessé Freire, presidente da Confederação do Comércio; e Fernando Bezerra que presidiu a Confederação das Indústrias, ministro duas vezes, e todos a serviço do Estado.

No campo jurídico, temos no passado mais recuado, Amaro Cavalcanti, a escola que nos deu, na contemporaneidade, ministros de tribunais superiores - como José Augusto Delgado, Luiz Alberto Faria e Marcelo Navarro e o procurador da república Eduardo Nobre. Dom Eugênio Sales foi o mais influente cardeal junto ao Vaticano. Onofre Lopes fez a Universidade Federal, a maior e mais importante instituição pública e formadora do saber de todas as novas gerações. 

O que temos hoje? Uma bancada inexpressiva de senadores, herdeiros de fenômenos e oportunismos políticos, e sem história de luta. De deputados federais sem espírito público, de um poder jurídico e uma corte de contas que legislam em causa própria, sem gestos que protejam seu povo do medo da doença, da insegurança, do desemprego e do futuro. Modernizamos nossa pobreza e roubamos de nós mesmos o futuro que começamos a construir e não sustentamos.

Que idéias temos hoje?  O privilégio de algumas castas que separam ricos e pobres, entre fartos e famintos. Somos nossos próprios ventríloquos, e construímos ilhas de riquezas cercadas de pobrezas por todos os lados. Temos cerca de quatrocentos mil analfabetos e, no entanto, num tempo não muito distante, estivemos entre os pioneiros do Método Paulo Freire e da Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler, e sepultamos a educação como prática de libertação.

O governo se diz democrático, mas é uma propriedade de poucos, entre ismos que não produzem oportunidades para todos. Nossa modernidade é um teatro de embustes sem pudor, e temos hoje os mais elevados índices negativos em todas as áreas. Para usar a expressão popular - estamos perdendo o bonde da história. Perdidos entre os clarins de Momo e as lapinhas de São João. Como se o futuro pudesse ser construído com frevos e fogos de artifício. Pobres de nós!


Palco
MARCO - No Governo, Pedro Velho lançou o ‘Horto’, o livro de Auta de Souza, a primeira poetisa estadual a ganhar dimensão nacional e até hoje nacionalmente reconhecida e consagrada.

TEATRO - No governo, Alberto Maranhão fundou o mecenato, construiu o teatro que hoje tem seu nome, a mais importante construção para a arte teatral; e criou a primeira orquestra sinfônica.

VOTO - Juvenal Lamartine projetou-se nacionalmente na defesa do voto feminino, patrocinou a aviação e a revista ‘Cigarra’, um marco de modernidade editorial para a nossa história literária.

EDUCAÇÃO - No governo, Aluizio Alves concebeu e construiu o Instituto Kennedy para formar professores e Walfredo Gurgel, sucessor, fez o até hoje único hospital geral de urgência.

NOVOS - No governo, Aluizio Alves fez a Coleção Jorge Fernandes e lançou os novos poetas: Dorian Gray, Sanderson Negreiros, Myriam Coeli, Deífilo Gurgel e Luiz Carlos Guimarães.

CAMPANHA - O então bispo D. Eugênio Sales, fez a Campanha da Fraternidade, hoje feita em todo Brasil, fundou a Rádio Rural, a educação através do rádio e o Serviço de Assistência Rural.

TERRAS - No governo, Cortez Pereira criou e implantou as Vilas Rurais, uma experiência de assentamento que hoje é município, com a distribuição de terra para produção e industrialização.

PORTO - O deputado Florêncio Queiroz conquistou o porto-ilha de Areia Branca garantindo a exportação de sal; e Dix-Huit Rosado a Esam, atual Universidade Federal do Semiárido. E hoje?

Camarim
ONTEM (I) - Da família Maranhão, Pedro fundou um jornal e proclamou a República. Alberto, o irmão, o teatro e escolas. Augusto Severo, outro irmão, foi um pioneiro da aviação. Tavares de Lyra, cunhado, escreveu a história, e Eloy de Souza, aliado, criou o Dnocs pensando na seca.

ONTEM (II) - José Augusto defendeu o algodão fibra-longa. Juvenal Lamartine incentivou a aviação, o voto feminino, a mecanização agrícola, educação rural e melhoria genética do rebanho de leite e corte. Café Filho presidiu o Brasil com Seabra Fagundes, o grande ministro da Justiça.

ONTEM (III) - Dinarte federalizou a UFRN. Aluizio,  modernizador - energia, água, habitação, telefone e educação superior. Cortez ampliou a fronteira econômica - caju e camarão. Tarcísio Maia, a base do turismo com a Via Costeira e a agricultura irrigada para exportação. E hoje?



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