Do falso indignar-se

Publicação: 2019-09-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Forte dos Reis Magos
É hora de cair, Senhor Redator, no inevitável lugar-comum: não tenho mais idade, no beiço dos setenta e praticamente cinquenta anos de jornalismo, de acreditar nas indignações seletivas. É por isso que lamento não poder aceitar o silêncio passivo e domesticado de um sistema estadual de cultura - universidade, fundação, conselho e instituto histórico - calado e inerte diante de tão crônico silêncio que marca a atuação cultural no Rio Grande do Norte.

Nem chego à nossa estranha vocação populista, voltada para os claros esbanjamentos com festejos natalinos, carnavalescos e juninos. Fico no espanto diante do silêncio que aceita seu maior monumento histórico, a Fortaleza dos Reis Magos, com seu chão todo esburacado e por isso interditada; a sua única biblioteca estadual fechada há dezesseis anos e o seu teatro com suas grades cerradas e tapumes a isolar sua beleza, confinada a um absoluto descaso.

A nossa ira não é santa. Pelo contrário: é pecadora e interesseira. De repente, se ergue num um fogaréu soprado por todas as instituições reunidas em torno da questão que apenas representa uma demanda jurídica, como o caso do Hotel dos Reis Magos, usando os trapos de sua omissão para manter nas cinzas frias os maiores e mais importantes monumentos postos à margem de todos os gestos de revolta, como se não tivessem magnitude no desenvolvimento.

Que visão histórica consciente é essa que se diz culturalmente responsável, a ponto de aceitar ser chamada a assumir uma posição falsamente decisiva e, numa omissão de vozes e de gestos, não tem olhos para o flagrante desrespeito diante da cidade? Nada nos falta, nem as ruínas, a alegação inconsistente para quem trata de cultura. Hoje são tantas e tão arruinadas ao longo do chamado corredor cultural sem investimentos federais e estaduais há várias décadas. 

Que silêncio tão feroz é esse, e quem, afinal, o impõe como se fosse algo invencível e ao mesmo tempo anônimo e órfão? O próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através de sua representação local, exatamente quando arrebatou do Estado, e sem pudor, a gestão da Fortaleza dos Reis Magos, autorizou irresponsavelmente uma pesquisa dita arqueológica no seu interior e depois nos devolveu com seu chão tombado e esburacado.

Como a maior biblioteca pública estadual fechada há quatro governos ou dezesseis anos, aquela que tem na fachada o nome do seu maior intelectual de todos os tempos? Como cercar de tapumes, há quase cinco anos, o Teatro Alberto Maranhão, o mais valioso edifício, depois de um dia permitirem que forrassem seu chão de pedras de ardósia, ferindo a harmonia de uma joia arquitetônica? História? Desenvolvimento? Turismo cultural? Enganem a outro!

CUIDADO - O presidente da Câmara, Paulinho Freire, sabe que depois de todas as sugestões, vai presidir o plenário de 29 vereadores na discussão final para a aprovação do Plano Diretor.

MAIS - Sabe que se não aprovar este ano a discussão cairá no próximo semestre e em meio às vésperas da eleição municipal. Poderá ser o céu ou o inferno para o legislativo municipal.

EDITAL - É bom lembrar: bati de frente, ao vivo, no programa Mesa Redonda, da 98FM, ao discordar dos métodos da STTU pondo na Câmara o edital da licitação das linhas de ônibus.

DEPOIS - Estranhei diante do rebaixamento excessivo das exigências da Prefeitura quando o dever é preservar as empresas, mas também os interesses dos usuários que pagam as tarifas.

ENGASGO - Depois de duas concorrências desertas, por manobra das empresas, o edital de concorrência sofre o terceiro adiamento. E a STTU não apresenta justificativas convincentes.

ALERTA - O coronel Francisco Araujo, da Segurança, merece ser beatificado vivo diante da luta para manter a tropa na rua. Sem sua liderança a situação, que anda ruim, seria bem grave.

AGITO - Como esta coluna noticiou, começou o agito clerical das transferências de padres e párocos na área da Arquidiocese de Natal. E o arcebispo D. Jaime Vieira já assinou várias.

DIFERENÇA - Do profeta do Grande Ponto, depois do quinto gim, o quinino amargando a boca: “No Ceará tem tudo o que tem aqui, mas não tem o mais valioso: líderes de verdade”.

PAULADA - Foi na moleira dos estados nordestinos, principalmente o Rio Grande do Norte, o anúncio nacional do governo do Ceará informando em itens as conquistas dos cearenses que chegam a fixar algumas das melhores posições em áreas mais estratégias da gestão pública.

PESO - O Ideb aponta que a educação pública é a melhor do Brasil. É a segunda solidez fiscal do país. O primeiro em investimentos públicos, segundo o Tesouro Nacional. Tem hoje a única ZPE funcionando. E um dois portos de exportação mais modernos de todo o Brasil.

MAIS - Ainda segundo o anúncio na revista Época, ocupando duas páginas, o BID atesta ser a referência nacional em saúde; o maior índice de transparência no ranking dos estados; e a segunda maior rede de cabos submarinos do mundo. É o retrato da vitória. Nós, o que temos?





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