Cena Urbana - Vicente Serejo
Do futuro
Publicado: 00:00:00 - 05/08/2021 Atualizado: 01:06:00 - 05/08/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Divulgação


Esta coluna não disse, por nenhuma das palavras que usou, que o deputado Ezequiel Ferreira é ou será candidato a senador ao lado da governadora Fátima Bezerra, numa aliança a unir o PT ao PSDB. Disse, com claro humor, que essa era a sensação de um astrólogo da vida política local. A aliança dos dois partidos não é improvável, se ambos estão na oposição ao governo de Jair Bolsonaro, e nem os dois são tão distantes que não possam ser correligionários.

A nota admitiu, pois, algo provável, ainda que possa também ser improvável, se os dois políticos não seguirem juntos o destino que já seguiram na eleição da governadora. A solução não seria uma boa notícia para os sonhos do MDB e do DEM, partidos mais esvaziados depois das derrotas colhidas nas urnas de 2018. Se fosse para resumir, sem ferir a lógica, nada impede e nada obriga que o desfecho venha ser a união dos dois, sem prejuízo das chapas proporcionais. 

A tradição, até agora, parece sem os ingredientes essenciais para uma tomada de posição e talvez por isso a candidatura do deputado Benes Leocádio tenha sido lançada com o patrocínio velado do ministro Rogério Marinho. Um ponto fora da curva foi a declaração do presidente do PSDB, Bruno Araujo, garantindo prioridade a Álvaro Dias, se for candidato a governador; e, deste, com um ‘não é impossível’, reação estratégica do prefeito de olho no tempo que passa. 

A sucessão, nas circunstâncias vividas hoje, cumpre o jogo das horas, aquele que exige não consumir combustível em excesso se a reta final sequer se desenhou no cenário. Os políticos sabem manter as posições de tal modo que não se distanciem em demasia da faixa do provável, mas também não avancem demais, antes do tempo. Vão mantendo o ritmo, sem a perda precoce de terreno, mas sem atitudes perdulárias. Cada um nutrindo a chance sem abandonar a corrida. 

Mesmo assim, visto todo esse cenário ainda no ponto inercial, e sopesando os desgastes mais ou menos profundos que possam ser escavados pela CPI da Pandemia - afinal não se sabe como pode acabar - a união oficial PT-PSDB seria um dado novo, composição que poderia ser o fortalecimento das bases da tradição, hoje alquebradas pela ausência de renovação e, ainda, por gerar uma mudança de azimute que só o confronto poderia medir, de fato, os seus efeitos. 

No centro do campo de luta, há uma vaga de senador. O PT não deve apostar na reeleição de Jean-Paul Prates - seria candidato a deputado federal ou estadual, em nome do fortalecimento da bancada petista. Uma vaga de senador, na economia das trocas simbólicas, é uma cobiçada moeda de elevado valor político para a construção de uma aliança. Se tudo pode acontecer, nada é impossível. E vice-versa. Resta apenas saber a quem, na hora certa, essa decisão será posta.

JOGO - Acredite: faltou quórum na primeira reunião da CPI da Arena das Dunas, o que mostra um estranho desinteresse dos seus integrantes. E os milhões em jogo não são tão poucos assim.

FLAGRA - Com duas CPIs ao mesmo tempo, é fácil comparar a tendência de cada uma diante das posições dos deputados. A CPI da Arena pode ganhar personagens inesperados? É esperar.    

EMENDA - Quem reformou o regimento da Assembleia não foi democrata. Manteve o veto ao acesso dos veículos de comunicação às oitivas. Agora, para democratizar, só uma emenda.  

REAÇÃO - O Fórum Potiguar de Cultura faz dez anos como a única instituição de defesa dos autores e produtores culturais e com um debate sobre a renúncia fiscal da Lei Câmara Cascudo.
 
COMO - O encontro de mobilização vai ser virtual, dia 8, domingo, às 17h. A inscrição para participar dos seus debates deve ser solicitado via e-mail: forumpotiguardecultura@gmail.com  

POBRES - Na última década, o movimento cultural perdeu a esperança de receber o apoio das instituições formais, mergulhadas no sonambulismo, e passou a lutar com suas próprias forças. 

ALIÁS - A Academia Brasileira de Letras paga o preço, hoje, de uma crise que nasce também da distância que manteve da vida cultural que acontece nas ruas, nos becos e na vida que pulsa.  

TAMPA - Do jurista Aires Brito, ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal aos prisioneiros das convicções absolutas: “O Judiciário não governa, mas impede o desgoverno”.      

LUTA - Muda o marketing do sindicato dos professores: a estratégia ao invés de mirar o gestor, mostra a situação de degradação física de algumas escolas ao longo dos anos. A mudança tira o tom ideológico e adota a linguagem direta que os pais, alunos e a opinião pública entendem.  

KOSTER - A professora Isaura Rosado identificou no site de leilão de livros raros um exemplar do ‘Travels of Brazil’, de Henry Koster, 1816, a edição que Câmara Cascudo traduziu para o Brasil e foi lançada em 1942 pela Coleção Brasiliana. Valor do lance inicial: R$ 15 mil reais.  

MIGUELINHO - É justo que o governo apoie o Instituto Ítalo Ferreira, mas erguer a estátua ao ídolo é sinal de que Padre Miguelinho errou ao oferecer a vida pela liberdade, na Revolução de 1817, há mais de duzentos anos. Nosso único herói nunca mereceu uma estátua do seu povo.  






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