Do tempo de Paulo Molin

Publicação: 2014-04-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Woden Madruga [ woden@terra.com.br ]

Um dia desses, coisa de duas semanas, caiu na minha bacia das almas uma carta de Hortêncio Pereira de Brito sobrinho, acariense nascido de tradicional tronco seridoense e que vive hoje pras bandas de Goiás, casa montada em Goiânia. Aqui e acolá, ele dá sinal de vida. Pelas coisas que fala, Hortêncio é vidrado em música popular dos tempos idos, música ouvida pelo rádio, nas radiolas rodando elepês e pelas serenatas cantadas com sentimento  no Acari. Paulo é fã do cantor pernambucano Paulo Molin, que fez um sucesso danado nos anos quarenta e cinquenta. Menino cantor virando rapaz. Esse imeio do dia 19 de março, transcreve uma carta que me escrevera em 19 de dezembro do ano passado. Passo a palavra para Hortêncio, ele contará melhor esta história:

“Goânia, 19 de dezembro de 2013

Caro Woden, bom dia.

Na sua coluna de 17.11.2012, você fala que o ex-presidente da OAB, o advogado, escritor e professor de Direito, Carlos Roberto de Miranda Gomes, nos tempos de menino cantava no programa de auditório de Genar Wanderley, “Olinda, cidade eterna”, de Capiba, igualzinho a Paulo Molin (Recife/PE em 02.01.1938 e Guaxupé/MG em26.08.2004), música essa que na minha juventude ouvi muito mamãe cantarolar, bem como “Igarassu cidade do passado”, “Sinto que a vida se vai”, “Sereno” e tantas outras.

Em 1954, Paulo Molin foi eleito garoto prodígio do rádio, em Recife, e já no sul, nos anos 60, “novo rei do rádio”, “um dos bonitões” e um dos “cantores favoritos da juventude”. Dono de uma bela voz romântica, e de uma aparência atraente, o moço pernambucano reunia muitas qualidades para agradar a juventude. Nos anos 50, em Natal, Paulo Molim era o preferido nas tertúlias e suarês do América Futebol Clube e no Cinema São Luís.

Quando fui morar no Recife, finais dos anos 60, tive  o prazer de assistir a uma grandiosa apresentação de Paulo na TV Jornal do Commercio, à época apresentado por outra grande estrela, Fernando Castelão, e com o patrocínio Walita. Foi uma verdadeira ovação quando do término do show. No meu acervo, tenho algumas raridades, dentre elas, os dois únicos LPs gravados pelo artista e não lançados em CDs. Para minha conveniência, converti-os para CDS e capaz xerocadas no original e recortadas artesanalmente. Vou presentear a você com o intuito de preservar a memória fonográfica tão reclamada pelo professor Carlos Roberto Gomes.

Ainda no meu acervo tenho o filme/dvd de 1960, “Zé Periquito”, da série Mazzaropi onde o Paulo Molin canta com os irmãos Cely e Tony Campello, George Freedman e Carlão a música “Gostoso mesmo é namorar”.

Anexo aos DCs várias reportagens da famosa Revista do Rádio, também do meu acervo. Paulo Molin marcou a minha, a nossa vida e a de toda uma geração. De saudades também falo do querido Trio Irakitan (Edson Reis de França, Paulo Gilvan Duarte Bezerril e João Manoel de Araújo da Costa Netto).

Forte abraço,

Hortêncio Pereira de Brito sobrinho”

O pacote
Esta semana o correio bateu nas portas da TN e deixou um pacote com os CDs  de Paulo Molin, copiados por Hortêncio, e não sei quantas  capas e páginas da Revista do Rádio, números dos anos 50 e 60. Numa delas, edição do dia 24 de dezembro de 1955, traz  notícias de Natal, assinadas por Carmelita Castro:

“O Sr. Dinarte de Medeiros Mariz, proprietário da Rádio Nordeste, foi eleito governador do Rio Grande do Norte – Zilma Rayol, depois de alguns meses afastada, retornou à Poti como cantora e rádio-atriz. Zilma recebeu a visita da cegonha, que lhe trouxe um robusto menino – O Trio Irakitan e Elvira Pagã estavam sendo anunciados pela Rádio Nordeste para próxima temporada. – Rinaldo Calheiros esteve cantando na  Ceará Rádio Clube, nos festejos de aniversário daquela emissora – Haroldo Miranda vem atuando com destaque na novela “Em busca do tempo perdido”, que a Poti apresenta às terças, quintas e sábados.”

Estou indo no rumo das Queimadas ouvindo Paulo Molin no som do carro.

Chuva
Chove no Oeste, chove no Seridó, aonde seus riachos e rios vão despejando muita água. Oito dias de chuvas seguidas. No boletim da Emparn, as melhores chuvas, de quinta para o amanhecer de ontem, no Oeste, foram em Martins, 69 milímetros; Patu, 55; Frutuoso Gomes, 35; Janduís, 28; Messias Targino, 26; Luís Gomes e Serrinha dos Pintos, 25; Paraná, 22.

No Seridó: Santana do Matos, 45; São José do Seridó, 43; Caicó (Mundo Novo), 35; Florânia, 20. No Sertão do Cabugi: Angicos, 23; Fernando Pedrosa, 21; Pedro Avelino, 12. Chuvas finas pelo Agreste.

Tostão na TN
Tribuna do Norte assina contrato com a Folha de S. Paulo. Vamos publicar, aqui, nas edições impressas e onlaines, um caderno especial durante a Copa do Mundo. No pacote está incluída a coluna assinada por Tostão, a melhor do jornalismo esportivo (futebol) de nossa imprensa. Pelo menos podemos dizer, agora, com Tostão escrevendo nas páginas da TN, que a Copa, finalmente, nos deixará um “legado”.

Garibaldi
O ministro Garibaldi Filho, chegando ontem de férias gozadas em Portugal, pega, hoje, a estrada no rumo do Oeste, para inaugurar, no fim da tarde, a agência do INSS na cidade de São Miguel, bote aí uns 400 e tantos quilômetros de chão. Segunda-feira será a vez da agência de São Gonçalo do Amarante, do outro lado do Potengi amado, quarta população do Estado.

Livro
Gustavo Sobral autografará hoje, no final da tarde, na Feira de Artes, montada na Praça Aristófanes Fernandes (Petrópolis de todas as fantasias), o seu livro Petrópolis – Guia prático, histórico e saboroso do bairro.

Bienal
Começou, ontem, em Brasília, com uma palestra do escritor uruguaio Eduardo Galeano, a 2ª Bienal  Brasil do Livro e da Leitura. Um dos homenageados é o escritor Ariano Suassuna. A Bienal vai até o dia 21. A ditadura militar de 1964 é um dos motes para discussão nas tendas montadas na Esplanada dos Ministérios.

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