Doação ainda é principal desafio para transplantes

Publicação: 2019-04-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Enquanto Amarildo trabalha com os pacientes em hemodiálise a fim de tentar convencê-los a considerar a possibilidade do tratamento através do transplante, os agentes de saúde pública enfrentam outra problemática envolvendo a questão de doação de órgãos no Estado: o convencimento das famílias.

Raíssa Marques, coordenadora da Central de Regulação de Transplantes no estado
Raíssa Marques, coordenadora da Central de Regulação de Transplantes no estado

No Brasil, é a família que tem a palavra final sobre a autorização para doar ou não os órgãos após a morte cerebral. “Não há nenhum papel que a pessoa possa assinar, por isso incentivamos as pessoas que tem essa vontade a conversar com seus familiares, expressar a eles seu desejo”, explica Raissa Marques, coordenadora da Central de Regulação de Transplantes do Estado.

De acordo com ela, a aceitação ou não da família está, também, intimamente ligada ao atendimento e assistência que eles recebem da equipe do hospital antes da morte do parente. “O acolhimento é essencial e pode ser definidor na hora de receber um sim ou não da família em relação à entrevista para doação”, afirma. “O acolhimento depende das condições de trabalho, além dos próprios profissionais. No ano passado, tivemos muitos períodos em que os profissionais estavam sem receber o salário em dia, além de enfrentar problemas diários decorrentes da situação de calamidade da saúde estadual. Isso com certeza teve um impacto no baixo número de doações, porque influencia na qualidade do atendimento oferecido pela rede como um todo”, conclui.

Este ano, de janeiro a março, foram 16 doações feitas no Estado. Em 2018, foram 34 o ano inteiro, número considerado baixo pela Central de Regulação. “Comparando os números do ano passado para cá, tivemos um grande avanço. Em janeiro de 2018, foram 3 doações. Em janeiro deste ano, foram 9, triplicou”, afirma. Em 2018, além da instabilidade da situação dos servidores, outro fator que foi abordado por reportagem da TRIBUNA DO NORTE à época, foi o corte das linhas telefônicas da Organização de Procura de Órgãos e da própria Central de Transplantes.

“A gente tinha uma linha ligada à internet, e quando caía a internet, não conseguíamos fazer ligações”, relata Raissa. “Essa foi realmente uma problemática que vivemos no ano passado, mas acredito que o fator definidor foi, de fato, o acolhimento. Com profissionais trabalhando com baixa motivação, isso pode ser definidor para um “não” na hora da entrevista de doação”, conclui.

Apesar de fazer apenas transplantes de rins, córnea e medula óssea, o Rio Grande do Norte recolhe também fígado e pulmão, que são enviados para serem utilizados em transplantes em outros estados.

A fila, no entanto, principalmente para o transplante de córnea, poderia ser menor – e até mesmo chegar a zero. “A fila mais fácil de diminuir, e que a gente chega a buscar a fila zero é a do transplante de córnea, porque ela não exige que o paciente esteja em morte encefálica. Pacientes que vão a óbito por morte natural podem ter a córnea captada até seis horas depois do óbito, ou seja, deveríamos ter uma quantidade muito maior do que temos”, explica Raissa.










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