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Natal
Doenças sazonais lotam urgências
Publicado: 00:00:00 - 13/03/2019 Atualizado: 23:30:41 - 12/03/2019
Aura Mazda; Mariana Ceci
Repórteres

Carregando um filho nos braços e outros dois ao seu lado, a auxiliar de serviços gerais Adriana Roseno dos Santos, 30 anos, procurava ajuda na Unidade de Pronto Atendimento do Pajuçara, na zona Norte de Natal, nas  primeiras horas da manhã do último domingo (10). Os seus filhos foram três das oito crianças que o médico Tarcísio Gurgel, 72 anos, atendeu somente na primeira hora de trabalho deste domingo.

Magnus Nascimento
Poliana levou o filho Júlio Ravy, de 4 meses, para a UPA de Cidade da Esperança, por estar com a respiração forçada

Poliana levou o filho Júlio Ravy, de 4 meses, para a UPA de Cidade da Esperança, por estar com a respiração forçada

Poliana levou o filho Júlio Ravy, de 4 meses, para a UPA de Cidade da Esperança, por estar com a respiração forçada

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Mesmo tendo o maior número de médicos especialistas no Estado (412), a pediatria, em especial no período das doenças sazonais, ainda sofre para atender à demanda das redes pública e privada. São, em média, 5,2 médicos pediatras para cada mil habitantes de até 12 anos – a média nacional é de 1,8 para mil, segundo dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2018 feito pela Universidade de São Paulo (USP). Na prática, os dados se refletem nas longas esperas e filas enfrentadas pelos pais ou responsáveis das crianças na hora de buscar atendimento, principalmente nos períodos críticos das chamadas doenças sazonais, como o que vem sendo observado nas salas de urgência, onde predominam as viroses respiratórias e diarreias.

Durante boa parte da manhã do último domingo (10), a reportagem da TRIBUNA DO NORTE  acompanhou os atendimentos feitos na UPA de Pajuçara. O local estava movimentado de crianças acompanhados de seus pais. Pessoas que trabalham no local garantiram, no entanto, que aquele não era o dia mais cheio. 

O médico Tarcísio Gurgel não era o único no atendimento infantil, se revezava com outro profissional, que acompanhava os pacientes ambulatoriais. Em um dia de movimentação comum, o pediatra Tarcísio Gurgel costuma atender 40 crianças, quando era para atender a metade. “Já me aposentei, mas continuo trabalhando porque não consigo parar, gosto muito do que faço, apesar das condições nem sempre serem favoráveis”, contou.

Do outro lado da cidade, na Unidade de Pronto Atendimento de Cidade da Esperança, a maior da capital potiguar, a situação não é diferente. Com o início do período chuvoso, eleva-se o número de casos de doenças respiratórias e casos de diarréia entre as crianças, superlotando as salas de urgência das unidades de atendimento, públicas e privadas.

Na UPA de Cidade da Esperança, foram 25 casos de problemas respiratórios atendidos entre crianças. No fim de fevereiro, o número subiu para 55 casos semanais.

Nos casos de diarreia, observou-se um crescimento ainda mais acentuado. Na última semana de dezembro de 2018, 182 casos de diarreia foram atendidos na UPA. Em fevereiro deste ano, o número de casos atendidos em uma semana já chegou a 247. Para os médicos, a elevação do número de casos de diarreia deve à combinação de uma série de fatores: as férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em casa, onde por vezes não são tão monitoradas quanto na escola, e à chegada das chuvas que podem trazer doenças especialmente em locais sem muita estrutura, onde as crianças podem brincar.

Já em relação às doenças respiratórias, o pediatra Lucas João Mendes, que atende na UPA de Cidade da Esperança, conta que o aumento dos casos é típico dessa época do ano. “A chegada das chuvas traz vírus que aumentam tanto o número de casos de doenças respiratórias como gastrointestinais”, afirma. “Há surtos de vírus que causam diarreia, como o norovírus, conhecido como o “vírus da mosca”. Nesse momento, ele é muito comum e causa esses sintomas nas crianças. As mudanças climáticas por si só já podem desencadear também as doenças respiratórias”, completa o pediatra.












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