Donald Trump promete nomear mulher para a Suprema Corte

Publicação: 2020-09-22 00:00:00
O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu ontem que indicará até o fim de semana uma mulher para ocupar a vaga de Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte. De acordo com o presidente, a indicação só será feita após o funeral de Ginsburg, que morreu na sexta-feira. Os republicanos correm contra o tempo para aprovar a substituta antes da eleição ou, no máximo, antes da posse do novo Congresso, em janeiro.

Créditos: ANDREW HARNIK/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOTrump escolherá a substituta para Ruth Bader que faleceu aos 87 anosTrump escolherá a substituta para Ruth Bader que faleceu aos 87 anos

"Acho que (a indicação) será na sexta-feira ou no sábado, porque queremos prestar nossas homenagens (a Ginsburg). Parece que, provavelmente, teremos cultos na quinta-feira ou na sexta-feira, pelo que entendi. E acho que, com todo o respeito, devemos esperar até que as cerimônias terminem", disse o presidente no programa de TV Fox & Friends. A única certeza, até agora, é que será uma mulher, de acordo com o próprio presidente. "Será uma mulher. Uma mulher talentosa e brilhante", disse Trump no sábado, em comício na Carolina do Norte, para uma plateia que gritava: "Ocupe a vaga!"

Por enquanto, a favorita é a juíza Amy Coney Barrett, do Tribunal de Apelações do 7.º Circuito dos EUA, em Chicago. Também na lista de Trump estão a juíza Barbara Lagoa, do 11º Circuito de Atlanta, segundo fontes próximas ao processo, e Kate Todd, conselheira do presidente. Mark Meadows, o chefe de gabinete da Casa Branca, estaria tentando emplacar o nome de Allison Jones Rushing, do 4.º Circuito, de Richmond, mas aos 38 anos ela é considerada jovem demais por muitos assessores.

Ontem, os senadores retornaram a Washington e devem mergulhar em negociações para a confirmação de um nome. Mitch McConnell, líder dos republicanos no Senado, trabalha nos bastidores para garantir o apoio para acelerar o processo de nomeação - os republicanos têm maioria de 53 dos 100 senadores.

No entanto, no fim de semana, duas senadoras republicanos, Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, rejeitaram publicamente a ideia de aprovar o nome de alguém antes da eleição de novembro, o que significa que McConnell só pode perder mais um voto - o empate no Senado é sempre decidido com o voto do vice-presidente, no caso o republicano Mike Pence.

Por isso, as atenções estão voltadas agora para os senadores republicanos que costumam atuar de maneira mais independente: Mitt Romney, ex-candidato presidencial e desafeto de Trump, Cory Gardner, um moderado que disputa uma reeleição difícil no Colorado, e Chuck Grassley, que já defendeu no passado que em casos semelhantes a escolha deve ser do próximo presidente.

Os democratas, que não têm o poder de bloquear a confirmação da Suprema Corte, estão usando as armas que têm para pressionar os republicanos moderados. O senador Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, disse que todas as hipóteses estão na mesa, caso os democratas assumam o controle do Congresso, em novembro.