Dor-de-cotovelo ‘glam’ e outras sensações de verão

Publicação: 2017-01-20 00:06:00 | Comentários: 0
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O fim de semana vai provar que a tradicional agenda de “shows de verão” não é sempre previsível e monotemática. Uma das levas mais ecléticas de artistas brasileiros, entre veteranos e novidades, vai passar por Natal e praias próximas. Há para todos os gostos: a Ribeira recebe o 'glam dark brega' do badalado cantor pernambucano Johnny Hooker, no Armazém Hall, enquanto o Teatro Riachuelo vai balançar com o pop dançante do Jota Quest e seu novo show, “Pancadélico”. No Seven Club, em Petrópolis, tem o pop conceitual de Dani Black, enquanto o superstar Wesley Safadão encerra o Pirangi Summer de 2017. E Pirangi também vai dançar ao som do brega veterano de José Orlando em seu Encontro das Antigas. Tem um verão pra todos.

Johnny Hooker usou a dor-de -cotovelo, a música brasileira mais popular, e muita androginia para construir um dos personagens mais interessantes do pop nacional atual. O cantor e compositor pernambucano  volta a Natal para apresentar, sábado,  o show de despedida da turnê “Macumba”, baseado em seu primeiro disco solo, “Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!”, lançado no em fevereiro de 2015. Um público de 200 mil espectares já viu o show ao redor do Brasil.
DivulgaçãoJohnny Hooker deu ao brega com uma roupagem totalmente rockJohnny Hooker deu ao brega com uma roupagem totalmente rock

A música de Hooker conquista por ser bem familiar, já que utiliza pitadas de frevo, samba-canção, axé, música romântica (“brega”) e rock para contar várias histórias sobre desejo, morte, saudade, desilusão, e sexo – aliás, um dos assuntos favoritos do cantor. O repertório já rendeu sucessos como “Volta” (que foi regravada ano passado por Fafá de Belém), “Alma sebosa” (que fez parte da novela “Geração Brasil”), “Chega de lágrimas”, “Amor marginal” (esteve na novela “Babilônia”), “Segunda chance”, “Desbunde geral”, “Boato”, entre outras que refletem o dramático, melancólico e exagerado mundo de Johnny Hooker.

 Sempre vestido de preto, maquiado, andrógino e nordestino, a figura de Hooker parecia distante de um ídolo pop convencional. Mesmo assim, ele foi abraçado pelo público da internet como um ícone popular legítimo. Seus clipes já acumulam mais de dois milhões de visualizações no Youtube, sendo o carro-chefe deles o da canção “Volta” (500 mil visualizações), que foi tema do longa-metragem “Tatuagem”, o filme brasileiro mais premiado de 2013.

As canções de Hooker têm sempre Recife como cenário. O músico acredita que a cidade tem toda a oferta de drama e sexo que a música dele precisa pra ser criada. A união de visual e música com sotaque e sonoridades brasileiras fez o artista cair rapidamente no gosto do público. O álbum “Macumba” figurou no topo das paradas do Itunes Brasil e de serviços de streaming como o Deezer e o Spotify.

MADIMBOO
Além de Hooker, a noitada de sábado terá ainda apresentações das bandas Manolo e Madimboo. A Madimboo é formada por integrantes do núcleo base que acompanha Hooker. Composto por Artur Dantas (vocal e programações), Felipe Rodrigues (guitarra), Thiago Duarte (bateria), o grupo apresenta, além das três composições presentes no EP de estreia, o "Candeia", um repertório completamente autoral.  Recentemente o grupo foi destaque no festival Coquetel Molotov, no Recife, apresentando-se no cine-concerto com as músicas do disco guiadas numa sincronia especial com o filme "Idade da Terra", do diretor baiano Glauber Rocha.
DivulgaçãoMadimboo: Músicos do núcleo Hoocker resgatam sonoridades ‘mangue’Madimboo: Músicos do núcleo Hoocker resgatam sonoridades ‘mangue’

Jota Quest dá clima de baile
Do alto dos seus 20 anos de carreira, a banda mineira Jota Quest pretende fazer uma divertida volta ao passado em seu novo show, “Pancadélico”, cuja turnê nacional passará por Natal neste sábado, às 21h, no Teatro Riachuelo. O show é baseado no disco do mesmo nome, o oitavo do grupo, que promete uma nova guinada em seu som. O novo espetáculo mergulha na atmosfera dançante das ‘festas soul’ dos anos 70 e 80, estilo que marcou a chegada do grupo mineiro à cena pop-rock no final dos anos 90.  

“Pancadélico” é um verdadeiro baile, onde todas as músicas são do Jota Quest. Entre as novas do bailão estão o hit “Blecaute”, “A vida não tá fácil pra ninguém”, “Sexo e Paixão”, “Mares do Sul”, “Daqui só se leva o amor”, além  do recém lançado single “Um dia pra não se esquecer” (que teve participação do rapper paulista Projota). Claro, não faltarão os hits do passado, como “Na Moral”, “Encontrar Alguém”, ”Mandou Bem”, “Só Hoje”, “Dentro de um Abraço”, “Fácil”, “Dias Melhores”, “Do Seu Lado” entre outros. Há ainda uma homenagem ao soulman Stevie Wonder, com uma versão diferente do clássico “Higher Ground”.  
DivulgaçãoPop do Jota Quest dialoga com a dance music neste show PancadélicoPop do Jota Quest dialoga com a dance music neste show Pancadélico

O Jota Quest permanece com a mesma formação: Rogério Flausino (voz), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria), Márcio Buzelin (teclado) e Marco Túlio Lara (guitarra). Segundo Flausino, em entrevista ao FDS, a banda se sentiu à vontade para voltar às raízes após 20 anos de estrada. “Foram duas coisas: a felicidade de lançar um disco novo, que a gente adorou fazer, e completar duas décadas juntos. O show tem essa cara de bailão, porque a gente quis celebrar”, disse.
“Pancadélico”, o disco, teve entre suas participações especiais o guitarrista e produtor americano Nile Rodgers, um dos criadores da antológica banda disco Chic, e que já trabalhou com gente como David Bowie, Madonna, Duran Duran e, mais recentemente, Daft Punk. “O cara é um gênio, um pilar da dance music, e influência para nós desde o começo. E mesmo assim é de uma simplicidade incrível. E trabalhar com ele foi simples, porque a gente não queria reinventar a roda, apenas criar músicas boas. E fizemos quatro faixas juntos. Ter essa assinatura foi muito importante pra nós”, explicou.

O Jota Quest nasceu em 1993, mas o primeiro disco – independente - só veio dois anos depois. O álbum saiu com apenas mil cópias prensadas, e o grupo foi contratado pela Sony em seguida. Enquanto não gravava o disco, o Jota Quest rodou algumas cidades abrindo shows para grupos mineiros como o Skank. O som do grupo, uma mistura de pop e black music, e o visual dos anos 70, foi bem divulgado pela gravadora e logo eles estouraram com “As Dores do Mundo” (versão para o clássico de Hyldon) e “Encontrar alguém”, em 1996.

O segundo disco pela Sony, De Volta ao Planeta, estourou com Fácil. Em 2000 foi lançado o CD Oxigênio, repleto de baladas românticas como “Dias Melhores”. E em 2002, o grupo lança “Discotecagem Pop Variada”, mais um sucesso de público e de vendas. Vieram depois “Até onde vai”, “La plata”, “Funky funky boom boom” e “Pancadélico”. “O Jota Quest sempre quis ser uma banda que joga em todas as posições. Acho que só assim se consegue sobreviver na música pop de hoje”, resumiu Flausino.

Serviço:
Johnny Hooker. Sábado, às 22h30,
no Armazém Hall, Ribeira.
Entrada: R$120 (inteira). 

Jota Quest em “Pancadélico Tour”. Sábado, às 21h, no Teatro Riachuelo. Entrada: R$180 (pista), R$200 (frisas), R$220 (balcão), R$240 (plateia) e R$260 (camarotes). Tel.: 4008-3700.



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