Doria promete 40 milhões de doses da Coronavac até abril

Publicação: 2021-01-27 00:00:00
O governador João Doria (PSDB) anunciou ontem a entrega de 5,4 mil litros de insumos para a Coronavac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Sinovac e produzida no País pelo Instituto Butantan. A previsão de entrega é na quarta-feira, e equivale a 8,6 milhões de doses. Mais cedo, ele se reuniu virtualmente com Yang Wanming, embaixador da China no Brasil, que participou virtualmente da coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. 

Créditos: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Dimas Covas, diretor do Butantan, afirmou que além dos 5,4 mil litros de insumos, outros 5,6 mil já estariam "em processo adiantado" de liberação. "Com esses dois lotes, regularizaremos as nossas entregas ao Ministério [da Saúde]", afirmou, dizendo que entregaria 40 milhões de doses da Coronavac ao governo federal até abril, com possibilidade de fornecimento para outras 54 milhões de doses. Segundo Covas, as doses já prontas começarão a ser liberadas para o Ministério da Saúde na próxima sexta-feira, 29. Os 5,4 mil litros que chegarão na próxima semana serão liberados 20 dias após a entrega dos insumos. Com a entrega no dia 3, portanto, a distribuição desse terceiro lote ficaria para a última semana de fevereiro. 

No sábado, 23, a Fiocruz já havia admitido atraso na chegada de insumos para a produção da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. O órgão espera receber a matéria-prima "por volta do dia 8 de fevereiro" - a previsão inicial era de que viesse ainda este mês. Além do tempo de produção do imunizante a partir do insumo farmacêutico, as doses fabricadas nacionalmente precisam passar por testes de qualidade que demorarão quase 20 dias.

A entrega das doses ao Ministério da Saúde, conforme a Fiocruz disse ao Ministério Público Federal (MPF) na semana passada, está prevista só para março. Especialistas têm apontado o risco de que a restrição de doses disponíveis nas próximas semanas impeça a aceleração do ritmo da campanha de vacinação no País. 

Na segunda, 25, Doria e Jair Bolsonaro (sem partido) se desentenderam sobre quem teria sido o responsável pela liberação dos insumos. Momentos após o presidente ter anunciado a chegada de insumos "para os próximos dias", agradecendo o "empenho" dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Eduardo Pazuello (Saúde) e Tereza Cristina (Agricultura). O governador, entretanto, negou que eles sejam responsáveis pela conquista.

"Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5.400 litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto e pelo governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado", afirmou Doria. 

Em seu pronunciamento nesta manhã, Wanming afirmou que a China mantém tradicionalmente uma relação amistosa com o Brasil e que a liberação dos insumos demorou "por questões técnicas e não políticas". "Os avanços significativos da cooperação entre a Sinovac e o Instituto Butantan evidencia a atitude científica e rigorosa dos pesquisadores científicos de ambos os países", frisou, completando que a articulação entre os países "beneficia não só os paulistas, mas todo o povo brasileiro". 

"Todo o relacionamento cultivado com a China, com a Sinovac, com o governo chinês e com as liberações sempre foram conduzidos pelo governo do Estado de São Paulo e pelo Butantan. Nunca houve nenhuma relação, principalmente para ajudar, do governo federal", reforçou Doria nesta manhã, classificando como "desvairosas" as manifestações do presidente Bolsonaro e seus filhos em relação ao país asiático.