Dos faroestes de criança ao filme exibido em Cannes

Publicação: 2017-06-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Em Baía Formosa existia um único cinema, fechado no início dos anos 1990. Criança, Zé Maria chegou a ir no local uma vez. O filme era um faroeste. Foi nessa sessão, lembra, que um conhecido morador da cidade pegou o folclórico apelido de Zé da Moita. “Ele se levantou e correu do cinema com medo de levar um tiro quando um personagem apontou o revólver para o Zé da Moita do filme e a câmera mostrou a cena de frente. As pessoas ainda se assustavam com imagens numa tela grande”, recorda.

Mas o que Zé Maria queria mesmo na época era ser pescador, seu sonho de menino. O pai, pedreiro, era contra. Preferia que seus quatro filhos estudassem para buscar um futuro com mais oportunidades na vida. Aos 14 anos, o garoto convenceu o pai de que concluiria os estudos enquanto pescava. Trato feito. Zé Maria saia para passar semanas em alto mar, mas no seu retorno caia no livros para recuperar os dias afastado.

Tudo corria dentro dos conformes até o cineasta russo  Kirill Mikhanovsky tirar uns dias de férias em Baía Formosa. De tanto observar a rotina da comunidade pesqueira, o russo escreveu o roteiro de “Sonhos de Peixe”. E foi na própria cidade, misturando no elenco os moradores e atores profissionais, como Chico Diaz, que ele filmou seu longa-metragem, em 2004.

“Foi uma experiência mágica para Baía Formosa. A maioria das pessoas nunca tinha ido ao cinema. De repente chega um gringo com caminhões de equipamentos para gravar um filme na cidade, com os moradores participando”, recorda Zé Maria, que foi escalado para o papel de Juscelino, pescador artesanal protagonista da história.

Não bastasse fazer um filme, Zé Maria foi convidado a prestigiar o lançamento do longa no Festival de Cannes. Foi a primeira vez que se viu em cena e a segunda que entrou num cinema. Deu entrevistas para a imprensa nacional e internacional, esteve ao lado das estrelas europeias e de Hollywood, mas não perdeu o jeito simples e sereno de ser. Em seu retorno a Baía Formosa, tratou de promover uma sessão do filme na praça, meio improvisada. “Era importante a população se ver em cena. Era a cidade que estava na tela”, diz o ator que ainda hoje é chamado de Juscilei por alguns na cidade. O DVD do filme ele tem apenas um, que guarda com carinho.

O gostinho de atuar ficou na boca de Zé Maria mais de cinco anos, até que em 2012 ele foi escalado para participar do longa “Nova Amsterdam”, do potiguar Edson Soares. O filme está pronto e chega aos cinemas do Brasil em setembro deste ano. Para este ano também estão previstas as estreias de outros filmes com Zé Maria no elenco. “O Clube dos Canibais”, rodado no Ceará e dirigido por Guto Parente; “Mar Verde, Terra Preta”, filmado em Pernambuco e dirigido por Renata Pinheiro e Sergio Pinheiro.

Atualmente Zé Maria está trabalhando em seu quinto filme, onde atua ao lado de Ney Matogrosso. O longa é dirigido por Tavinho Teixeira e está sendo rodado na Paraíba. “É um filme com muitos personagens, mistura comédia, cenas de sexo e de suspense. Tem inclusive o Toreba, potiguar lá de Sagi. Já fizemos algumas cenas e devemos voltar a filmar no final de junho”, conta.

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