Natal
Doses contra a covid recebidas pela Sesap só atendem 16% do previsto no RN
Publicado: 00:00:00 - 20/01/2021 Atualizado: 23:11:36 - 19/01/2021
Luiz Henrique Gomes
Repórter

O primeiro lote da vacina Coronavac recebido pelo Governo do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (19) é suficiente para vacinar apenas 16,8% do grupo prioritário da primeira fase da vacinação contra a covid-19. As 82.440 doses recebidas serão aplicadas em 39.258 pessoas de um contingente de 239 mil usuários inicialmente previstos pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), composto por trabalhadores da saúde, indígenas, pessoas com 75 anos ou mais e pessoas com 60 anos abrigadas em instituições de longa permanência (abrigos). Considerando o restante dos grupos prioritários, incluídos na segunda e terceira fases de  imunização, apenas 5,3% de 730 mil pessoas serão vacinadas neste primeiro momento.

Magnus Nascimento
Para o Rio Grande do Norte, o Ministério da Saúde encaminhou cerca de 82,4 mil doses da Coronavac. Não há data para nova remessa

Para o Rio Grande do Norte, o Ministério da Saúde encaminhou cerca de 82,4 mil doses da Coronavac. Não há data para nova remessa


O Governo do Estado não tem a data de envio de novas doses pelo Ministério da Saúde e, por isso, não sabe quando o restante do público incluído na primeira fase da vacinação será, efetivamente, imunizado. Nesta terça-feira (19), a governadora Fátima Bezerra afirmou que os governadores dos Estados brasileiros se reunirão, ainda esta semana, com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para exigir o calendário do envio de mais doses.

“A pressão continua sobre o governo federal para sabermos quando novas doses serão enviadas. O Brasil está muito atrasado com relação a outros países e não podemos ficar assim. Ainda esta semana, o Fórum de Governadores irá se reunir com o ministro da Saúde para termos um calendário de vacinação”, disse a governadora após o ato solene que marcou o início da vacinação contra o coronavírus no Rio Grande do Norte, quando oito profissionais da Saúde foram vacinados.

Por causa da insuficiência de doses, a Sesap priorizou, neste primeiro momento, a vacinação dos trabalhadores da Saúde e pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência. Apesar de estarem incluídos na primeira fase, a população idosa acima de 75 anos e as populações indígenas e de comunidades ribeirinhas não serão vacinadas até que novas doses sejam enviadas. Cada pessoa precisa de duas doses do imunizante, aplicadas num intervalo de duas a quatro semanas.

Insuficiente
O número atual de doses é insuficiente até mesmo para os trabalhadores de saúde. De acordo com o número apresentado pela Sesap aos municípios no dia 8 deste mês, 96.099 pessoas fazem parte desse grupo, e 38.102 devem ser vacinadas com a remessa desta terça-feira – ou seja, 39,6%. O restante das imunizações está destinada a 1.149 idosos  institucionalizados.

Diante da carência de vacinas, a Sesap determinou que primeiro sejam vacinadas as equipes que estiverem inicialmente envolvidas na campanha de imunização. Em seguida, trabalhadores das instituições de longa permanência de idosos; trabalhadores dos serviços de saúde públicos e privados, tanto da urgência quanto da atenção básica, envolvidos diretamente no atendimento aos casos suspeitos ou confirmados da Covid-19; trabalhadores dos hospitais e unidades de referência; e trabalhadores da atenção primária.

“Somente serão vacinados nesta fase os demais trabalhadores da saúde, caso todos os profissionais relacionados acima já tiverem sido vacinado”, afirma a Sesap na Nota Técnica expedida logo após a chegada das primeiras doses do imunizante. “Todos os trabalhadores da Saúde serão contemplados com a vacinação, entretanto a ampliação da cobertura desse público será gradativa, conforme disponibilidade de vacinas”, ressalta o documento.

O secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, afirmou que a campanha vai seguir a ordem de prioridade estabelecida no Plano de Operacionalização Contra Covid-19 no Rio Grande do Norte, que divide a vacinação das populações prioritárias em três faixas. Entretanto, disse que o calendário está condicionado aos envios do imunizante. 

“Um percentual muito baixo da população do Estado está sendo imunizada nesse primeiro momento. É importante que as medidas de distanciamento social sejam mantidas, com o uso de máscara e higienização das mãos, para que a gente não volte a um estágio grave da pandemia”, declarou Maia.

Falta de insumos pode atrasarnovas remessas
As dificuldades na importação de doses e de insumos para produzir as vacinas contra o novo coronavírus são uma ameaça à campanha de imunização brasileira, que pode ser paralisada caso não haja novas doses do imunizante. Tanto o Instituto Butantan, responsável pela Coronavac, quanto a Fiocruz, produtora da vacina AstraZeneca no Brasil, aguardam insumos para produzir os imunizantes e enviar aos municípios. Devido a essas incertezas, o Governo do Estado não estima quando o Rio Grande do Norte vivenciará o efeito das vacinas com a imunização coletiva.

O plano de imunização no Brasil começou com seis milhões de doses da Coronavac, produzidas pelo Instituto Butantan, mas o órgão afirmou que está com dificuldades burocráticas para adquirir insumos da China e continuar a produção. O Butantan tem 4,8 milhões de doses em fase final de produção, mas dependem de nova autorização da Anvisa para uso emergencial. O pedido de autorização foi feito na segunda-feira (18).

O governo federal espera receber mais 2 milhões de doses da vacina de Oxford – cujo uso emergencial também foi autorizado e que nos próximos meses deve ser produzida pela Fiocruz –, mas enfrenta dificuldades para conseguir consolidar a importação delas, que virão da produção da Índia. Nesta terça-feira (19), o país asiático anunciou o início da exportação da vacina para seis países (Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seychelles), mas o Brasil ficou fora da lista.
Dependência
O Rio Grande do Norte depende das doses para continuar a campanha de vacinação.  “Precisamos dessas novas remessas do Ministério para dar continuidade à campanha. Esperamos que possamos recebê-las o mais rápido possível”, afirmou Cipriano Maia nesta terça-feira (19). Ele cobrou que o governo federal passe a negociar com outras empresas produtoras de vacinas, como a Pfizer e a Sputnik V, para ampliar o número de imunizantes disponíveis. A ampliação pode evitar problemas que atrasem a produção nacional – e levem à paralisação da campanha – e acelerar a imunização diante da crise sanitária atual.

O governo estadual tem dito que está com tratativas com a vacina Sputnik V por meio do Consórcio Nordeste. Segundo Cipriano Maia, a negociação depende da capacidade do laboratório União Química, produtora da vacina no Brasil, da autorização da Anvisa e do interesse do governo federal em adquiri-la. “Não é uma certeza, mas iniciamos as tratativas e podemos adquirir de maneira paralela, via Consórcio. Mas tudo isso depende das respostas do Ministério da Saúde, do laboratório e da aprovação da Anvisa”, elencou o secretário.

divulgação/polícia federal
Homens da Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal escoltaram doses da vacina

Homens da Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal escoltaram doses da vacina


Logística complexa envolve profissionais da Segurança 
O primeiro lote de vacina contra a Covid-19 – a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan junto à Sinovac – chegou ao Rio Grande do Norte na madrugada desta terça-feira (19). O esperado voo com as doses do imunizante desembarcou no Aeroporto Int. Gov. Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, por volta de 1h. Do terminal aeroviário, as 82.440 doses foram transportadas para a Central de Armazenamento e Distribuição instalada na Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), em Natal.

O primeiro lote vai atender 39.258 potiguares com duas doses da vacina, aplicadas entre um intervalo de 28 dias, priorizando os grupos prioritários: trabalhadores de saúde e pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência (institucionalizadas).

A secretária adjunta de Estado da Saúde Pública (Sesap), Maura Sobreira, explicou que, a partir de orientações do Governo Federal, foram estabelecidos critérios de priorização para a aplicação das doses. “Nesse primeiro momento, receberão a vacina os idosos que estão institucionalizados, ou seja, aqueles que moram em abrigos. Com relação aos profissionais de saúde, também houve uma necessidade de escalonamento. Como prioridade, primeiramente, serão os próprios vacinadores, além dos profissionais que estão atuando na linha de frente, seja em urgências e emergências, seja em UPA's, Samus, unidades hospitalares, hospitais de campanha, Centros Covid e profissionais da atenção primária”, disse.

A Sesap separou os lotes e os enviou às seis Centrais de Distribuição instaladas nas Regionais de Saúde nos municípios de Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros, Santa Cruz, São José de Mipibu e João Câmara, além de Natal e cinco municípios da Região Metropolitana – Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz e Ceará-Mirim. 

O tempo de espera entre a chegada das vacinas à Unicat e sua saída para distribuição FOI estimado em 3 horas. A essas Centrais, os secretários municipais de saúde enviaram as equipes de saúde para receber os lotes de cada município. Foram distribuídas mais de 12 mil doses para Natal. A quantidade de doses encaminhadas aos demais municípios não foi divulgada de forma antecipada por motivos de segurança.

“Cabe destacar que a chegada da vacina não marca o fim da pandemia. A gente continua tendo o desafio que é garantir todos os cuidados sanitários: o uso da máscara, a higienização das mãos, evitar aglomerações, porque estamos, inclusive, num cenário de expansão de casos. Contudo, com a chegada da vacina, há um processo de controle desse cenário", disse a secretária adjunta de Saúde do Estado, Maura Sobreira.

Distribuição
No RN, o primeiro lote seguiu um Plano de Logística montado pelo Governo do Estado, unindo as secretarias de Estado da Saúde Pública (Sesap) e da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed). O Plano Estadual de Vacinação atuará nas oito Regiões de Saúde do Estado – Oeste, Alto Oeste, Seridó, Mato Grande, Trairi/Potengi, Agreste, Região Metropolitana e Assu.

Assim que as vacinas desembarcaram em território potiguar, o recebimento foi feito pela Polícia Federal. Ao deixarem o Aeroporto Int. Gov. Aluízio Alves, foram escoltadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) até a sede da Unicat, em Natal. Quando as vacinas deixaram a Unicat para serem distribuídas às regionais de saúde, a segurança foi feita por policiais militares.

As vacinas seguiram para o interior em viaturas do Corpo de Bombeiros escoltados pela Polícia Militar. Nas rodovias federais, guarnições da PRF voltaram a dar apoio à logística montada para o transporte. Assim que as doses chegarem aos municípios, o Estado continua a garantir a integridade dos imunizantes.











Leia também