DoSol em nova maré sonora

Publicação: 2017-11-10 01:22:00 | Comentários: 0
A+ A-
Tádzio França
Repórter

Após 13 anos de muitas rodas de pogo, danças e encontros na Ribeira, o Festival DoSol decidiu mudar de ares e agora será com vista para o mar. A 14ª edição do evento vai apresentar o novo endereço em dois dias de maratona sonora, sábado e domingo, no Beach Club, Via Costeira, a partir das 16h. O que não mudou foi a disposição do festival em reunir o maior número possível de atrações que representem o cenário independente brasileiro. E para combinar com o clima praieiro, o DoSol está mais diverso, astral e dançante que nunca – como a própria música neste começo de século.

Francisco, El Hombre tem mexicanos e brasileiros e mescla rock, MPB e latinidades
Francisco, El Hombre tem mexicanos e brasileiros e mescla rock, MPB e latinidades

As atrações do festival, mais de 50 durante os dois dias, se alternarão entre três palcos externos, um “pocket stage” externo, e um palco interno. “Estamos muito animados. O local é lindo, e montamos uma estrutura que nunca foi feita antes por lá”, afirma Ana Morena, produtora e uma das idealizadoras do Festival DoSol. “O pensamento condutor é o mesmo das edições passadas, mas o formato é totalmente diferente”, enfatiza.

Se na época da Ribeira os shows se alternavam entre os bares da rua Chile, agora se desenrolarão entre palcos abertos próximos uns dos outros, com o público circulando entre eles. “Estamos na expectativa de como isso vai fluir. Tenho certeza que a vibe será muito boa”, ressalta.

A atual diversidade sonora do festival nunca esteve tão evidente quanto agora. O foco roqueiro do início se abriu para outras possibilidades sonoras – mas sem abrir mão das guitarras, claro. “O DoSol é uma vitrine do que está rolando na nova música brasileira e na nossa cidade, e ele tem que refletir o que está rolando. Sempre tem de tudo”, afirma Ana Morena, ressaltando que esse “tudo” está relacionado ao mercado de música independente.

Capixaba Ana Muller segue a estética da chamada nova MPB
Capixaba Ana Muller segue a estética da chamada nova MPB

A programação, portanto, vai de bandas pesadas de rock a grupos com pegadas mais pop, pra dançar ou pra bater cabeça. “A programação acontece de forma natural. Sempre tivemos artistas pra dançar, sempre tivemos bandas barulhentas, e sempre vamos ter. Isso varia de edição para edição, e um lado pode ter mais que o outro, mas isso rola naturalmente”, explica a produtora.

A mudança de endereço também surpreendeu muitos seguidores do festival, principalmente os mais antigos. Ana Morena afirma que isso também foi um processo natural. “A gente ama a Ribeira, mas acontece que precisávamos de uma estrutura maior para dar mais conforto a público e artistas. Fazer no centro histórico tem seu charme, mas dificulta algumas necessidades do backstage, palco, etc. Além disso, sempre tivemos uma grande vontade de fazer o festival na praia. E ele tem tudo a ver com praia, né?”, conclui.

Em 2017, o DoSol mantém seus programas de TV e Rádio com exibição de músicas, vídeos e clipes dos artistas que estão na programação, fortalecendo o objetivo de formação de público. Além dos shows do fim de semana, o festival seguirá fazendo seus 'side shows', apresentações em espaços variados, nos dias 14, 18 e 19 de novembro.

Serviço:
14º Festival DoSol. Sábado e domingo, a partir das 16h, no Beach Club, Via Costeira. Entrada: R$30.

Destaques

Sábado


Juna Fe (Chile):
A banda chilena tem 13 anos de estrada e é adepta da mistura de ritmos hispânicos/americanos tradicionais como salsa, rumba e cumbia, com reggae jamaicano, mais samba, soul, e rock. É saudado como um expoente da nova cumbia chilena. Suas músicas falam sobre a vida nos bairros da periferia, e as situações políticas e sociais do país.

Do Pará chega o rei do carimbó, Pinduca
Do Pará chega o rei do carimbó, Pinduca

Pinduca (PA):
Ele é nada menos que o Rei do Carimbó. No momento em que o ritmo tem sido reverenciado por uma nova geração de ouvintes, Pinduca reafirma seu status de mestre e volta com tudo aos palcos dos mais variados eventos. Aos 80 anos, a energia, balanço e senso de humor de sua música continuam imbatíveis na hora de fazer o povo dançar. Ninguém resiste a clássicos como “Carimbó do macaco”, “Sinhá Pureza”, “Dança do carimbó”, “Garota do tacacá”, “Dona Mariana”, “Cavalo velho”, entre outros.

Skarimbó (RN):
A banda natalense também é adepta da mistura de ritmos quentes. Suas levadas rítmicas são inspiradas em estilos musicais sul-americanos (cumbia, chicha) e regionais como carimbó, samba e frevo. O sotaque potiguar tempera a salada de sons.

Paula Cavaliuck (SP):
A jovem cantora e compositora paulista tem sido saudada há um bom tempo como nome a se prestar atenção. Ano passado lançou o primeiro álbum, “Morte & Vida”, produzido por Gustavo Ruiz, irmão de Tulipa Ruiz. A variedade de sons é algo que ela tem em comum com Tulipa, misturando influências diversas como tango, maracatu, rock, funk e algo mais. Neste ano ela lançou o vídeo de “O poderoso café”.

Far From Alaska (RN):
O quinteto natalense está em plena ascensão, e fazendo barulho para o mundo. Começaram 2017 lançando o single "Collision Course", em janeiro, foram gravar o segundo álbum, “Unlikely”, nos Estados Unidos, e tocaram em junho no Download Festival, na França. Mas Natal sempre está na rota.

Dot Legacy (França):
O quarteto de rock francês já esteve no DoSol em 2015, e volta agora para lançar seu novo álbum, “To the others”. O som da banda percorre sonoridades mais experimentais.

Deaf Kids(RJ):
Outro nome para quem gosta de guitarras altas. A banda já foi definida como “uma violenta imersão em várias ramificações de música ruidosa”. O álbum “Configuração do lamento” é uma peça barulhenta a descobrir.

Domingo:

Plutão já foi planeta (RN):
Popstars natalenses com alcance nacional, o Plutão ainda está no embalo de lançamento do disco “A última palavra feche a porta”, onde consolida seu estilo indie/pop, sob a produção de Gustavo Ruiz.

Francisco, El hombre (SP/MEX):
Formada em 2013 pelos irmãos mexicanos naturalizados brasileiros, Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte, a banda leva isso para sua música, fundindo pop/rock e MPB com música mexicana e folclórica. Autodefinem-se como um grupo de "pachanga folk", uma mistura de Manu Chao com Nação Zumbi.

Após show no Mada, Liniker volta mais azeitado
Após show no Mada, Liniker volta mais azeitado

Liniker & Os Caramelos (SP):
O álbum “Remonta”, lançado no ano passado, segue rendendo entre os muitos fãs que acompanham a banda desde seus primeiros vídeos na internet. O soul e r&b adocicado de Liniker, junto com seu funk de baixo impacto, fará o povo cantar junto.

Rubel (RJ):
O cantor e compositor Rubel Brisolla vai proporcionar o momento de suavidade melódica ao festival, desta vez seguindo pelo seu folk inspirado. Aos 24 anos, ele já tem um disco, “Pearl”, lançado na internet.

Molho Negro (PA):
O garage rock de Belém já é um nome conhecido de quem aprecia rock que mescla barulho e dançabilidade.  Suas influências são Danko Jones, Black Rebel Motorcycle Club e The Vines.

De Belém, chega a Molho Negro para amplificar as guitarras de seu garage rock
De Belém, chega a Molho Negro para amplificar as guitarras de seu garage rock

Stolen Byrds (PR):
O quinteto de Maringá tem sido saudado como uma das melhores bandas do Paraná. O álbum “2019” apresenta ao público uma cartada de influências, anteriormente amalgamadas entre as faixas do LP de estreia. O som está menos psicodélico e mais direto, influenciado por nomes clássicos como Black Sabbath e Led Zeppelin. Novas doses de stoner, grunge, alternativo e heavy metal nas caixas.

Ana Muller (ES):
A cantora capixaba é representante da nova MPB, e fará uma apresentação para quem gosta de canções elaboradas, intimistas, e com um certo tom confessional. Como vários artistas de sua geração, entrou em evidência através de muitas visualizações no Youtube. Seu primeiro EP, lançado neste ano, tem músicas como “Não vá embora”, “Me cura” e “Escopo”.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários