DoSol mira na vanguarda indie

Publicação: 2018-11-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

O Festival Dosol chega a sua 15ª edição consolidando a mudança de local experimentada no ano passado, quando o evento migrou do bairro da Ribeira para o Beach Club, na Via Costeira. O local à beira mar receberá neste ano 54 atrações entre os dias 24 e 25 de novembro. Dentre os destaques, nomes como Céu, Letrux, Metá Metá e Rashid. Mas a programação completa anunciada pela produção mostra que além do evento principal, diversos shows vão acontecer em espaços culturais de Natal, alguns inclusive gratuitos, tornando o mês de novembro mais musical do nunca.

Cantora Céu traz músicas do seu disco Tropix(2016) e novidades
Cantora Céu traz músicas do seu disco "Tropix (2016)" e novidades

Para a produtora Ana Morena, idealizadora do Festival Dosol ao lado de Anderson Foca, tão especial quanto ver o evento completar 15 anos, é ver que o projeto está forte e antenado com a produção nacional independente. “Quando a gente começou lá atrás, dentro do Blackout, na Ribeira, com apenas 10 bandas locais, era impossível imaginar que chegaríamos a uma data tão importante. Hoje estamos com um mostra principal com mais de 50 atrações do Brasil inteiro. Podemos contar com uma cena local aquecida e trazer algumas bandas grandes. É bonito ver esse amadurecimento”, conta a produtora, que também é baixista das bandas Camarones e Talma&Gadelha, ambas presentes na programação.

Ana Morena destaca que a programação atende a vários gostos. No rap, por exemplo, há nomes como Rashid (SP), Edgar (SP) e Radiola Serra Alta (PE). No pop aparecem bandas como a Plutão Já Foi Planeta (RN) e a estreante Luaz (RN).

Rapper Edgar lançou o elogiado disco Ultrassom
Rapper Edgar lançou o elogiado disco "Ultrassom"

Com um som mais de vanguarda, pode-se citar os paulistas Metá Metá, Hurtmold e, com levada mais lounge, a Bratislava. No rock descontraído marcam presença Huey (SP), Camarones (RN) e Joseph Little Drop (RN. Com trabalho mais de canção, estão cantoras como Angela Castro (RN), Céu (SP) e Letrux (RJ). Ainda vale o destaque para nomes como Luísa e Os Alquimistas (RN), Potyguara Bardo (RN), Canto dos Malditos na Terra do Nunca (BA), Carne Doce (GO), Molho Negro (PA), Facada (CE), Merdada (ES/CE), Skarimbó (RN), Baleia (RJ) e Orquestra Greiosa (RN).

Ana também ressalta outra novidade. “Neste ano vamos ter uma abertura especial. Algo que nunca fizemos, que é trazer a Nação da Zamberacatu (RN) para uma abertura percussiva. Temos acompanhado o pessoal desde o começo do ano. Tem tudo para ser um dos momentos mais bonitos. O som deles é muito poderoso”.

A produtora diz que o Dosol atua dentro do mercado musical médio brasileiro. E esse motivo ajuda a nortear as diretrizes da curadoria do festival, marcada por um enorme número de bandas pouco conhecidas do grande público. Seria algo como trazer atrações de tamanho semelhante ao da realidade das bandas locais. “Os artistas que a gente trabalha, as nossas bandas, o pessoal que grava no nosso estúdio, todos circulam nesse mercado médio. É o mercado que a gente sempre quis fortalecer”, diz Morena.

Trio Metá Metá faz experimentalismo com influência afrobeat
Trio Metá Metá faz experimentalismo com influência afrobeat

Outro aspecto que norteia a seleção das atrações é o formato do evento, que não comporta bandas que requerem uma estrutura complexa. “Queremos as pessoas todas juntas. No backstage é assim. Na verdade no festival inteiro é assim. Artistas e público tem contato direto, estão misturados. Aquelas bandas que requerem uma montagem exclusiva de palco, a gente não tem estrutura para atender. Então nós escolhemos as bandas que pensam parecido com a gente, que curtem esse tipo de formato. E com relação a grande quantidade de atrações, o motivo é simples: é muito difícil captar recursos, montar a logística de um festival, então a gente aproveita ao máximo essa estrutura de palco, som e divulgação para dar visibilidade ao maior número de bandas possível, principalmente as potiguares”.

O festival vai acontecer pelo segundo ano consecutivo no Beach Club, na Via Costeira, um espaço com capacidade para receber até 4 mil pessoas por dia. No lugar serão montados quatro palcos de tamanhos diferentes. Alguns shows são simultâneos. A programação começa sempre às 16h e vai até a madrugada. “O Beach Club foi um achado. Juntamos aquilo que o festival já tem, que é a união, o todo mundo junto e misturado, artistas e público, com a coisa da praia, da brisa, do mar. E acho que vai ser muito bonito novamente. Teremos o momento do pôr-do-sol, umas áreas gramadas para o pessoal sentar e assistir uma banda legal com o mar atrás”.

A produtora revela que um sonho antigo dos organizadores é transformar o festival Dosol num evento diurno. “A ideia seria começar às 10h da manhã e ir até 11h da noite. Seria um festival todo na praia, sob o sol, ao ar livre, com possibilidade de se tomar banho de mar e voltar para ver as bandas. Ainda não é uma realidade. Quem sabe num futuro breve a gente consiga”.

Letrux traz Em Noite de Climão, destaque do eletro indie
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Shows durante todo o mês
Além do Festival, nos dias 24 e 25, outras dez datas no mês de novembro serão contempladas com shows de bandas locais e de outros estados. As apresentações – algumas gratuitas – vão acontecer em três espaços da cidade: C.C.Dosol (Ribeira), El Rock (Candelária) e Bar do Zé Reeira (Cidade Alta).

“Resolvemos fazer um mês de programação, com mais de dez apresentações que acontecem antes e depois da mostra principal. Tem sideshow de rock, rap, voz e violão. É uma programação diversificada e cheia de gente”, conta Morena.

Dentre as bandas já escaladas para essa programação estão Boogarins (GO), Deaf Kids (RJ), Máquinas (CE), Ana Mulller (ES), Nervecell (Dubai) e Zimbra (SP). Algumas surpresas também estão previstas e serão anunciadas na hora certa. “Cada vez mais vamos espalhar o festival. Tivemos vários aquecimentos neste ano. Fizemos eventos em São Paulo e Brasília. Quanto mais coisas acontecendo em mais lugares na cidade melhor. Democratiza e abrange a arte”.

Ana Morena lamenta ter deixado o interior do RN de fora da programação pelo segundo ano seguido. “Recuamos por causa de questões financeiras, mas em 2019 não passa”, afirma a produtora. Ela anuncia uma novidade para o ano que vem. Trata-se de um projeto antigo do Dosol, o Festival Natal Instrumental. “É um projeto muito querido. Já fizemos duas edições dele em anos anteriores e está certo que vamos retomar em 2019”.

O Festival Dosol 2018 tem o patrocínio da Oi, através da Lei Câmara Cascudo do Governo do RN, Natura Musical, Red Bull Músic e Spotify. Os ingressos para todas as datas já estão à venda pelo site Sympla.




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