Drinques, a arte

Publicação: 2021-02-24 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Não conheci ninguém que falasse e escrevesse sobre drinques com mais apuro de gosto e requinte do que Luiz Lobo. Convivi muito de perto, quando veio viver uma segunda temporada em Natal. Tenho seus livros, conheço seus artigos da grande revista ‘Senhor’, e andei por alguns bares cariocas, quando ele já estava de volta ao Rio. Tinha o domínio da alquimia. O perfume do gim, o travo velho e nobre do maltes; sabia dosar o amargo forte e suntuoso de um vermute francês. 

Das nossas noites, duas são inesquecíveis: o uísque no Gula, um bar do Leblon, assistindo a Fernando Sabino tocar bateria e terminar a noite na nossa mesa, amigo que era de Luiz Lobo; e em Natal, na casa que hoje virou esta caverna de livros velhos. Luiz Lobo fez, ele mesmo, um jantar para o grande Fernando Pamplona, professor de coreografia que revolucionou a concepção plástica das Escolas de Samba, em Natal para ministrar curso de cenografia na TV Universitária. 

Lobo, no tempo do ‘Jornal do Brasil’ e da revista ‘Senhor’, foi considerado um dos maiores redatores do jornalismo brasileiro. Esteve ao lado de Aluízio Alves e Murilo Melo Filho na Revista da Semana, uma das maiores circulações semanais do Rio. E antes de se dedicar à educação à distância, voltada para a formação infanto-juvenil, publicou um livro de coquetéis ‘A arte do Rabo de Galo’. Com belas ilustrações de Leopoldo Adour da Câmara, edição da Civilização Brasileira. 

Seria pouco se fosse tão comum assim. Não é. Começa que Leopoldo Adour é um dos dois filhos de Jaime Adour da Câmara, o modernista, autor do livro sobre a viagem à Finlândia, onde viveu alguns meses, cearamirinense amigo de Mário de Andrade e de Lima Barreto, para não citar vários grandes nomes do Movimento Modernista. O livro de Luiz Lobo e Leopoldo, publicado em 1966, é referência até hoje para quem desejar escrever sobre as alquimias e sabores dos drinques. 

Assisti Lobo a fazer coquetéis. Era um requinte. Naqueles anos, em Natal, não era fácil encontrar algumas bebidas, como gim inglês. Foi com Márcia Carrilho, que estava vindo do Rio, que consegui uma garrafa de Noilly Prat, o vermute francês sem o qual Lobo não preparava um Dry Martini. O drinque de James Bond, mexido e nunca batido, no tempo de Sean Connery, aquele do olhar a se derramar sobre Úrsula Andress, ela saindo do mar, no filme “O Satânico Dr. No”.  

Por fim, é preciso registrar que o primeiro livro de Lobo, ‘A Arte do Rabo de Galo’ foi lançado em 1966, daí ser pioneiro no tema e no seu bom gosto. Tenho um exemplar autografado. Veio depois, na versão moderna, o seu ‘Coquetéis’, 2005, edição da Globo, mas sem o primoroso toque gráfico da primeira edição. Naquele tempo, o drinque era uma arte de mistérios dados a bem poucos. Secos e tão perfeitos no equilíbrio, não eram tão doces e enjoativos como esses de agora.

2022 - Acredite se quiser: tem petista que sonha com uma chapa capaz de unir O PT e o PSDB no próximo ano, na eleição: com Fátima Bezerra para governadora e Ezequiel Ferreira para o Senado. 

PIOR - A convicção é de tal ordem, na cabeça do petista, que chega a admitir uma alternativa com Rogério Marinho para o Senado e a recondução de Ezequiel Ferreira à presidência da Assembleia.

SERÁ? - “A ideia é laboratorial, mas fascinante: põe na mão do grupo dois poderes - executivo e legislativo, por mais quatro anos”. E até atesta: “Na política tudo que é bom para todos é possível”. 

FARDÃO - Quem não tem fardão é imortal com pelerine. De preferência nova. É o que deseja, e até sugere, a Academia de Letras: ao preço módico de R$ 200 reais, com a grife de ‘FL Costura’.

COMO - O imortal, no mais banal dos gestos, transfere das suas economias a tão insignificante e prosaica quantia para o Banco do Brasil, Agência 3293 - C/C 1737-6 - CNPJ 08.343.279.0001-18.

NO... Mais, é bom lembrar aos muito esperançosos que apesar do azul celeste e cintilante, e dos arabescos dourados solenes que lhe adornam, não há a menor garantia de que não morrerá jamais.   

CHARME - A Folha de S. Paulo repetiu a primeira página da ‘Folha da Noite’, há cem anos, para marcar o século de circulação. Um patrimônio do jornalismo neste Brasil inzoneiro e bolsonárico.       

ÍCONE - A editora Global manda às livrarias, nos próximos dias, a nova edição de ‘Fogo Morto”, o grande romance do açúcar, de José Lins do Rego. Agora com um texto crítico de Gilberto Freyre. 

TIRO - Certeiro o tiro da Defensoria Pública e acatado pela Justiça: Caern terá que religar o fornecimento de água do consumidor do qual vinha sendo cobrado uma conta de R$ 72,8 mil reais. A punição, e se discutível, não pode ser um ato constrangedor retirando o direito de matar a sede.  

LISPECTOR - O centenário de Clarice Lispector não só devolveu toda a sua obra às livrarias, em novas e bem planejadas edições da Rocco, com capas ilustradas com suas pinturas, como despertou o movimento editorial para promover traduções de alguns títulos publicados apenas no exterior. 

EXEMPLO - Foi lançado no Brasil, edição Relicário, a tradução de ‘Escrever de ouvido: Clarice Lispector e os romances da escuta’, da professora Marília Librandi, lançada pela Universidade de Toronto, Canadá, 2018. O centenário de Clarice é lembrado em universidades da Europa e EUA.   













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