Alex Medeiros
Duelo de titãs na minha juventude
Publicado: 00:00:00 - 14/05/2022 Atualizado: 23:22:34 - 13/05/2022
Revi ontem por aplicativo alternativo o longa-metragem “Borg vs McEnroe”, lançado em novembro de 2017. Há algum tempo está nas plataformas de serviço de streaming. O filme dirigido pelo dinamarquês Janus Metz abriu o Festival de Toronto há cinco anos com boa recepção de crítica e público. É a reprodução artística de uma das maiores partidas de tênis de todos os tempos.

Reprodução


O ano era 1980, o mês era julho, e no mítico Torneio de Wimbledon uma final masculina entre dois ícones das quadras, o apoquentado americano John McEnroe e o pragmático sueco Bjorn Borg. A transmissão televisiva no Brasil (não lembro o canal) surpreendeu telespectadores acostumados com futebol e raros embates de basquete.

Um ano antes, minha casa tinha pela primeira vez um aparelho de TV, um Telefunken em preto e branco, que me prendeu mais em casa durante os turnos vespertinos. Naquele 5 de julho, achei sem querer o jogo no tal canal.

O bairro da Candelária tinha 5 anos, eu faria 21 em outubro; minha turma que se auto intitulava “esquina do rock” jogava futebol nos muitos terrenos baldios. Alguns também curtiam vôlei e basquete no ginásio do DED ou futsal e ping-pong na sede do centro comunitário.

Apesar da distância emocional que tínhamos do tênis de quadra, aquela partida mexeu com todos os que a testemunharam. Uma batalha épica digna das que vínhamos na TV em outros esportes, Brasil x Argentina, Fla x Flu, Emerson Fittipaldi x Jackie Stewart, Muhammad Ali x George Foreman. 

Durante quase 4 horas foram corpos estáticos e olhos grelados no duelo. Tudo era novidade para quem não tinha intimidade com aquele esporte onde os jogadores só dependem deles mesmos, não há parceiros como no futebol.

Borg já era um fenômeno, aos 24 anos disputava sua quinta final consecutiva na quadra britânica. McEnroe tinha 21 anos e pela primeira vez experimentava o sabor de uma decisão, após ter eliminado um mito, o compatriota Jimmy Connors. E para espanto do planeta, o boy meteu 6 x 1 no primeiro set.

O segundo set iniciou dando sinais de que uma luta de monstros estava por vir; o sueco reagiu com sua direita poderosa, enquanto o americano lhe aplicava bolas terríveis com uma esquerda letal. Mais de uma hora depois, Borg quebrou o serviço e empatou, fazendo 7 x 5. O terceiro set durou duas horas, com nova vitória de Borg por 6 x 3.

O quarto set foi uma catarse na audiência, o sueco chegou a fazer 5 x 4 e o americano superou os dois match points e levou o jogo ao tie-break, que durou 22 minutos. McEnroe venceu a parada por 18 a 16, fez 7 x 6 e deixou tudo igual em 2 x 2, com o mundo estupefato.
 
Mas no quinto set o jogador frio, paciente e imperturbável derrotou o agressivo, ousado e imprevisível. Borg tinha a favor dele o aspecto racional, a frieza de berço e uma pequena diferença cronológica de quase 4 anos de vantagem. 

Aquele duelo de titãs foi fundamental para que hoje os jogos de tênis na TV tenham tanta audiência, onde gênios como Federer, Djokovic e Nadal dividam o fanatismo com grandes craques do futebol. Os garotos da minha turma em 1980, a partir dali, passaram a jogar frescobol em Ponta Negra e tênis de quadra e de mesa em todo lugar.

Bolsas
A confirmação do segundo mandato de Jerome Powell para presidir o Federal Reserve, e seu discurso pedindo calma os mercados, fizeram as bolsas do mundo inteiro subirem ontem, inclusive a Bovespa. E o dólar voltou a cair aqui.

Crise
Não é a primeira vez que o mercado de criptomoedas perde metade do valor, mas decerto é a primeira vez que despenca de tão alto. Ontem teve uma subida de 3%, mas insuficiente para respirar na perda anual de mais de 30%.

Crise II
São Paulo está de dar pena. A megalópole do glamour hoje é um espaço com a decadência exposta, livrarias fechadas, restaurantes falindo, mendigos em tudo que é calçada. O legado de João Doria não tem data para ser esquecido.

Pink Floyd
Destaque na capa da edição do Financial Times de ontem a venda dos direitos autorais de todo o catálogo e de gravações da banda Pink Floyd. O negócio é de US$ 500 milhões e envolve as empresas BMG, KKR e Warner Music.

Sarcasmo
Na versão de Anos Incríveis, agora com uma família negra, o garoto protagonista se assanha com as revistas de mulheres nuas, e fica tão obcecado que imagina a antiga heroína Harriet Tubman com suculentos peitos.

Literatura
O advogado e poeta Diógenes da Cunha Lima foi visto circulando por feiras de livros em Buenos Aires e Sacramento (Uruguai). Foi experimentar bons vinhos e abastecer a biblioteca particular com o melhor da literatura do Rio da Prata.

Galo
Apesar da fase com quatro jogos sem vitória, o Atlético Mineiro segue bem tratado pela torcida, que na terça-feira estabeleceu o recorde de 80 mil camisas do time vendidas em menos de 24 horas. É ilustrada pelo artista Will Rios. 

Estátua
Maior jogador em toda a história do Manchester City, o atacante Kun Aguero ganhou ontem uma estátua inaugurada na entrada do Etihad Stadium. A data marca os dez anos da conquista da Premier League com os gols do argentino.

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