Durante pandemia, 88% da parcela mais pobre do RN vive em domicílio com Auxílio

Publicação: 2020-07-05 00:00:00
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Praticamente nove a cada dez pessoas da parcela mais pobre da população no Rio Grande do Norte residiam em um domicílio beneficiado com os auxílios emergenciais implementados durante a pandemia do novo coronavírus em maio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 625 mil de 704 mil pessoas que vivem com até R$ 141,25 por mês, 88,8%, foram amparados por alguma política emergencial. A maior parte é pelo auxílio emergencial, mas a pesquisa do IBGE também inclui outros programas criados durante a pandemia, alguns implementados pelos governos estaduais.

A parcela de 625 mil pessoas representa 30% de toda população que foi beneficiada com algum auxílio em maio, mês de referência para o IBGE. Os percentuais são semelhantes à média do Nordeste. A região possui 28,5% dos beneficiários pertencentes da parcela mais pobre. Mais de 86% da população mais pobre também morava em um domicílio com pelo menos uma pessoa favorecida por programas emergenciais.
Créditos: Alex RégisNo Estado, 30% de todos os beneficiados com auxílios durante pandemia estão na faixa de renda mais pobre, morando em áreas de assentamento como essa no PlanaltoNo Estado, 30% de todos os beneficiados com auxílios durante pandemia estão na faixa de renda mais pobre, morando em áreas de assentamento como essa no Planalto
As pessoas incluídas nas faixas de baixa renda foram as principais beneficiadas pelos auxílios, em especial o auxílio emergencial, pelo menos em termos monetários. “As pessoas nessa faixa já tem uma renda mais baixa. Para esse pessoal foi um aumento extraordinário, ampliou significamente a renda destas famílias”, disse o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE no Rio Grande do Norte, Flávio Queiroz. O impacto foi de 319% para os potiguares desta faixa.

Outro fator está diretamente ligado ao impacto imediato do auxílio emergencial para os mais pobres: incluídas há mais de uma década em programas de distribuição de renda, em especial o Bolsa Família, as famílias foram amparadas automaticamente pelo auxílio. Foi o caso da família de Isaías Rodrigues e Irene Ribeiro, moradores de um assentamento no bairro do Planalto. “Recebemos o auxílio sem precisar cadastrar, já foi automático”, contou Rodrigues.

Quanto mais alta a renda domiciliar per capita, menor o impacto dos programas emergenciais e menor o percentual da população que os receberam. Os domicílios potiguares com uma renda per capita de R$ 345,81, por exemplo, tiveram um aumento na renda de 59,1%. Para as famílias com renda per capita acima de R$ 1.796,75, o impacto foi 0,6%. “Mas não dá para afirmar que os auxílios têm um impacto na redução da desigualdade. Até porque a pesquisa foi feita observando o mês de maio. É preciso esperar mais tempo para observar isso”, destacou o supervisor do IBGE.

Queiroz também ressaltou que apesar dessas pessoas aparecerem com uma faixa de renda mais alta, elas não são considerados os “mais ricos”. A renda per capita domiciliar leva em consideração quantas pessoas moram em um domicílio para ser calculado. Nas faixas mais altas podem existir trabalhadores por conta própria que moram sozinhos, por exemplo. “O trabalhador que está na informalidade foi muito afetado pela pandemia, isso também tem que ser observado”, disse.

No RN, aumento de renda foi de 18%

Considerando todas as faixas de renda, os auxílios emergenciais da pandemia tiveram um impacto menor na renda da população do Rio Grande do Norte se comparada com a de outros Estados nordestinos. A média, na região, foi aumento de 24%. No Rio Grande do Norte, o aumento foi 18%. 

Flávio Queiroz apontou que o fenômeno está ligado a uma renda per capita maior dos potiguares. O Estado teve a maior renda per capita da região em 2018. “Isso decorre de uma renda per capita como uma das mais altas do Nordeste. Se as pessoas daqui já possuíam uma renda maior, os auxílios, e se destaca o emergencial, tem menor impacto sobre a renda”, explicou.

Ricardo Ojima, pesquisador do Departamento de Demografia da UFRN, ressalvou que a diferença da renda é pequena e considera o Rio Grande do Norte com a mesma situação regional. “A variação de 6% é pequena. Não dá para dizer que o Rio Grande do Norte tem uma situação muito favorável com relação aos outros.”

Brasil

No Brasil, 72% dos domicílios da faixa mais pobre da população recebeu o auxílio-emergencial. São 16 milhões de brasileiros amparados pelos benefícios, segundo o IBGE. O aumento da renda chegou a 2.136% em alguns casos. “No conjunto de informações mostradas pela pesquisa foi possível verificar que 85% dos recursos foram destinados a pessoas cujo rendimento domiciliar per capita era inferior a 1 salário mínimo", observou Adriana Beringuy, economista do IBGE. 

"A concentração dos recursos nos estratos de renda mais baixos indica uma boa focalização do programa, uma vez que na ausência desse benefício muitas famílias poderiam ter sua capacidade de consumo bastante comprometida. Ademais, a garantia de um consumo básico viabiliza a demanda por bens e serviços, permitindo aos produtores a manutenção das operações e do emprego”, acrescentou.