Dúvida desfeita

Publicação: 2014-01-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Da instalação do canteiro de obras, em setembro de 2011, até a inauguração com o primeiro jogo oficial, neste domingo, foram 29 meses de trabalho. Entregue no prazo e com um dos custos mais baixos nas obras de construção e/ou reformas de estádios entre as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo no Brasil, a construção da Arena das Dunas foi mostrando, no dia a dia e a medida que tomava forma, que as críticas e dúvidas iniciais quanto a viabilidade do projeto tinham origem no ceticismo de alguns e na disposição de “jogar contra” de outros. A primeira das críticas a ser desfeita foi quanto aos transtornos que a demolição do ginásio Humberto Nesi (o Machadinho) e do estádio João Machado (o Machadão) causariam à trânsito da cidade. A expectativa pessimista era que o movimento de caminhões necessários para transportar todo o entulho resultante das demolições – junto com a poeira e o barulho do serviço – iriam infernizar o dia a dia dos motoristas e moradores no entorno da obra. Nada disso ocorreu.
Alex RégisNa comparação entre custos/assentos, Arena das Dunas está entre as mais baratas. Em março, Governo começa a instalar arquibancada móvel: 11.744 lugaresNa comparação entre custos/assentos, Arena das Dunas está entre as mais baratas. Em março, Governo começa a instalar arquibancada móvel: 11.744 lugares

No canteiro de obras da Arena, uma fábrica de reaproveitamento de material foi instalada e mais de 14 mil metros cúbicos de concreto das duas estruturas demolidas foram reprocessados e aproveitados nas fundações da arena. Cerca de dois mil toneladas de ferro retorcido também foram encaminhadas para refundição e reutilizadas. Menos de 4% do material oriundo dos antigos estádios foi perdido. Entre eles, a grama do Machadão que a administração Micarla de Sousa replantou nos canteiros da cidade e deixou morrer.

No aspecto ambiental, o projeto da Arena das Dunas é um dos destaques. Premiado duas vezes por uma revista nacional com o título de “obra sustentável”, o projeto concorre ao certificado internacional de construção sustentável LED (Leadership in Energy and Enviromental Desing), não só pela reutilização já feita do material como também por concepções  ecologicamente corretas para o funcionamento futuro.

A Arena das Dunas pretende usar, a médio prazo, a energia solar – captadas através de painéis na cobertura – para a iluminação. Águas das chuvas também serão captadas e armazenadas, através de canaletas e reservatórios, para o reaproveitamento na irrigação do gramado e uso na limpeza das instalações, economizando em até 40% no consumo pelo sistema público de abastecimento (Caern).

Custos
Quanto à viabilidade do projeto, as dúvidas ganharam força quando a primeira licitação para a obra (maio/2010) não teve nenhuma empresa interessada. Houve uma segunda licitação, ams somente na terceria tentativa, em março de 2011, é que a OAS assume o projeto com um custo inicial de R$ 300 milhões para a obra. Esse custo foi, no ano passado, recalculado para R$ 423 milhões e considerado, pelo Portal 2014 que acompanha as obras das arenas nas 12 cidades sedes, como um dos mais baixos.

Segundo o portal, a construção do estádio Mané Garricha (Brasília) foi a obra mais cara: R$ 1,43 bilhão. Mais barata que a construção da Arena das Dunas tem as reformas do estádio Beira Rio (R$ 330 milhões) e a Arena da Baixada (R$ 265 milhões).

O prazo para o término da obra (final de 2013)  também gerou expectativas. Produzir e fixar os pilares com 18 metros de altura (o equivalente a um prédio de seis andares) com peso de cerca de 22 toneladas era um trabalho lento. Na superestrutura foram  usadas 1,7 mil placas pré-moldadas e no final de 2012 já era possível ver as arquibancadas tomando forma.

A partir desta fase é que a obra ganha um novo ritmo, saindo da lista dos projetos atrasados, com mais de 1.600 operários trabalhando em três turnos. E já no primeiro semestre de 2013 a cobertura de aço, com proteção de camadas isolantes e de policarbonato, começou  a ser instalada.

Arquibancada móvel será instalada no mês de março
A Arena das Dunas abre neste domingo com capacidade para receber um público de 30 mil torcedores – foram colocados à venda 27 mil ingressos para a rodada dupla – mas, durante os quatro jogos da Copa do Mundo em junho próximo, serão cerca de 42 mil lugares. No último dia 15, o Governo do Estado homologou o resultado da licitação para a contratação da empresa especializada nos serviços de locação, transporte, instalação, montagem, manutenção e desmontagem de 11.744 assentos temporários, na Arena das Dunas.

A vencedora da licitação é a Stick’s Eventos S/S Ltda, que apresentou o menor valor: R$ 9.799.989,67 (nove milhões, setecentos e noventa e nove mil, novecentos e oitenta e nove reais e sessenta e sete centavos). A instalação dos assentos removíveis, entretanto, só será iniciada em março.

De acordo com o secretário da Secopa-RN, Demétrio Torres, esse prazo de 90 dias antes do início dos jogos do Mundial não irá ocasionar nenhum prejuízo, uma vez que o governo do RN conseguiu uma autorização especial Junto a Fifa e ao Comitê Organizador Local (LOC), para concluir as instalações das arquibancadas moveis até abril.

O prazo dado ao governo potiguar, segundo o secretário, tem a mesma elasticidade de cronograma aberta para o Itaquerão (Rio) e Arena da Baixada (Paraná), que enfrentaram problemas nas obras e  receberam prazo até abril para concluírem os seus projetos. “Não vamos precisar de um prazo tão longo, a entrega da arquibancada móvel até o final de março é perfeitamente exequível”, assegurou Demétrio Torres..

Junto a Fifa, o governo argumentou que, por ser uma locação, quanto mais cedo se montasse os assentos móveis, mais caro seria o custo do equipamento. “Nós só vamos necessitar da Arena das Dunas com sua plenitude para receber o público durante a Copa do Mundo. Então não existiriam motivos para acelerar esse processo. Só serviria para aumentar os gastos do governo”, concluiu o titular da Secopa/RN.

Menor custo por assento entre vários estádios

O estádio Arena das Dunas registrou o menor “custo por acento” entre os 12 estádios da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O indicador é uma fórmula utilizada pelas construtoras para avaliar o custo de cada obra em relação a capacidade de público projetada e que vem sendo aplicada a vários estádios do mundo. Na Arena das Dunas essa relação é de R$ 9,5 mil/cadeira. Na Arena Corinthians (SP), o custo é de R$ 17,1 mil/cadeira.

A conta é feita tomando como base o preço do estádio pela capacidade de público que poderá receber. No caso de Natal são R$ 400 milhões investidos para 42 mil lugares durante a disputa da Copa do Mundo. Em São Paulo, são R$ 820 milhões para a construção de 48 mil lugares. A arquibancada removível, com 20 mil cadeiras, está orçada em R$ 35 milhões e será descartada após a competição. Isso também ocorrerá na capital do Rio Grande do Norte onde 10 mil cadeiras serão removidas.

Em comparação com outras arenas no Mundo, onde o padrão FIFA foi exigido pois fariam parte de jogos de Copa, a situação da  Arena das Dunas também é confortável. A Allianz Arena, na Alemanha, em Munique, inaugurada 12 meses antes da Copa 2006, custou R$ 918 milhões, com cada um dos 66 mil lugares a R$ 13,9 mil. Já o gasto com a construção do Stade de France, erguido especialmente para o Mundial de 1998, chegou a R$ 900 milhões (R$ 11,1 mil por cada um das 81 cadeiras).

A arena potiguar ocupa um patamar parecido com o Soccer City (África do Sul). No estádio sul-africano, cuja capacidade é de 94 mil lugares, cada assento saiu por R$ 8,9 mil - o preço final foi de R$ 840 millhões. Entre todos os estádios utilizados nos últimos mundiais o que aparece com o melhor custo/cadeira instalada é o de Sang-am. Na Coreia do Sul, cada cadeira custou apenas R$ 5,9 mil. A arena sul-coreana oferece 67 mil lugares e teve o mesmo investimento que a arena natalense: R$ 400 milhões.

O Ninho de Pássaro, em Pequim, e o Olímpico de Berlim também tem custo/cadeira parecidos. Orçado em R$ 1 bilhão, o estádio chinês tem 91 mil lugares, com custo de R$ 10,9 mil cada. O valor é igual ao do palco da final do Mundial 2006, cuja reforma custou R$ 850 milhões (para 77 mil cadeiras).

No caso de novos estádios como o do Palmeiras e do Grêmio, que não possuem exigências FIFA por não abrigarem jogos oficiais da Copa,  o preço por assento é menor. A Arena Palestra, orçada em R$ 330 milhões, terá 45 mil lugares. Cada cadeira custará R$ 7,3 mil. Inaugurado em 2013, o estádio gremista custou R$ 475 milhões: R$ 7,9 mil por cada um dos 60 mil assentos.

Entre os estádios brasileiros para a Copa deste ano, o Mané Garrincha (Brasília) tem o maior custo: R$ 14,3 mil/cadeira. Em seguida, vem a Fonte Nova, Arena da Amazônia e Arena Pantanal (R$ 11,8 mil). Mineirão e Maracanã estão na média brasileira: R$ 10,7 mil. Castelão, Arena das Dunas, Beira-Rio e Arena da Baixada possuem custos parecidos.

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