E-commerce deve faturar R$ 3,74 bilhões

Publicação: 2020-11-22 00:00:00
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Black Friday de 2020 deverá movimentar R$ 3,74 bilhões e alcançar o maior faturamento desde que a data foi incorporada ao calendário do varejo nacional, em 2010. Confirmada a previsão da CNC, haverá um aumento de 6% em relação a 2019 (R$ 3,67 bilhões) – descontada a inflação, o crescimento real das vendas, em comparação com igual período do ano passado, deverá ser de 1,8%.
Créditos: Alex RégisExpectativa das lojas que atuam no comércio eletrônico é de ampliação no faturamento nas vendas durantes a Black Friday. Volume pode superar os R$ 3,74 bilhõesExpectativa das lojas que atuam no comércio eletrônico é de ampliação no faturamento nas vendas durantes a Black Friday. Volume pode superar os R$ 3,74 bilhões

O avanço do comércio eletrônico desde o início da pandemia do novo coronavírus é apontado pela Confederação como determinante para que a Black Friday seja a primeira data do varejo a registrar crescimento real neste ano. “Em 2020, mais do que em qualquer outra edição, a Black Friday deverá expor a diferença de desempenho entre as lojas físicas e as lojas on-line”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros, ressaltando a facilidade de comparação de preços on-line em uma data comemorativa caracterizada pelo forte apelo às promoções.

A CNC projeta avanço real de 61,4% nas vendas exclusivamente on-line, em relação à Black Friday de 2019. Já as lojas físicas deverão apresentar avanço de apenas 1,1%, em comparação com o ano passado. Segundo dados da Receita Federal, de março a setembro o faturamento real do e-commerce cresceu 45%, em comparação com igual período de 2019, e a quantidade de pedidos mais que dobrou (+110%).

O segmento de eletroeletrônicos e utilidades domésticas deverá ser o principal destaque entre os ramos que já aderiram à data, com previsão de movimentação financeira de R$ 1,022 bilhão. Em seguida, deverão sobressair os volumes de receita gerados pelos segmentos de hipermercados e supermercados (R$ 916,9 milhões) e de móveis e eletrodomésticos (R$ 853,4 milhões).

Descontos efetivos

Assim como no ano passado, a CNC traz uma projeção dos itens que apresentam maior potencial de descontos efetivos durante a Black Friday. De acordo com o estudo da Confederação, os produtos com mais chances de desconto efetivo são, em ordem decrescente: consoles de videogame; notebooks; games para PC; calças masculinas; e aspiradores de pó. “Por outro lado, as chances de desconto efetivo em bicicletas e colchões, por exemplo, são mais reduzidas”, aponta Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo.

Para chegar a esse resultado, a CNC coletou, diariamente, mais de dois mil preços de produtos ao longo dos últimos 40 dias – encerrados em 15 de novembro. Pela metodologia da Confederação, um determinado item que apresenta altas expressivas (superiores a 20%, por exemplo) no preço mínimo praticado durante as semanas que antecedem a Black Friday possui baixo potencial de desconto efetivo.

A Black Friday, evento promocional de descontos no varejo que ocorre sempre na última sexta-feira de novembro, vem sendo já a quinta data mais importante para o setor, atrás de Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Fique atentos aos possíveis golpes nas compras

Para quem quer comprar, um dos dias mais esperados é a Black Friday. No entanto, há diversos casos de consumidores que se sentiram lesados. Especialistas em direito do consumidor apontam que é importante estar atento. Para Thiago Carregal, do escritório Carregal Advogados, um dos principais pontos é estar atento aos preços.

“Nos anos anteriores, dias antes da realização da Black Friday, algumas lojas aumentaram consideravelmente o valor de seus produtos, o que fez parecer com que, durante a promoção, o desconto fosse generoso, quando, na verdade, correspondiam ao valor real do produto. Essa prática é ilegal e pode gerar reclamações nos PROCONs e até ações judiciais se o consumidor for lesado”, afirma o advogado.

Outro ponto importante são os cuidados com as formas de pagamentos. “Se o estabelecimento aceitar apenas transferência bancária ou boleto, é sinal que devemos estar atentos  uma potencial fraude”, pondera o advogado. Para evitar que o consumidor tenha dores de cabeça com o produto ou serviço adquirido, Thiago elaborou uma lista com precauções a serem tomadas. Confira.

Dica do especialista

Veja abaixo os principais pontos que devem ser analisados durante promoções como a Black Friday

1. Monitore os preços

Dois dias antes da ação, verifique os preços no site ou na loja física da empresa. Há sites que fazem comparações de preços, o que ajuda a não cair em armadilhas de preços camuflados.

Site para monitorar preços: http://www.blackfriday.com.br/

2. Segurança na compra

Certifique-se que a loja possui conexão de segurança nas páginas em que são informados os dados pessoais do cliente como nome, endereço, documentos e número do cartão de crédito. Geralmente essas páginas são iniciadas por https:// e o cadeado está ativado. “Isso demonstra que é um ambiente web seguro para a troca de informações”, informa o advogado.

3. E-mails duvidosos

Ao receber um e-mail com uma promoção, verifique o endereço do mesmo, se empresa que enviou é conhecida/idônea. Se houver erros gramaticais na mensagem ou links duvidosos, é sinal para ficar alerta. Caso tenha dúvida, entre no site separadamente - sem ser pelo link enviado.

4. Formas de pagamento

“Muitas fraudes ocorrem na hora do pagamento. Lojas que apenas aceitam transferência bancária ou boleto tornam-se suspeitas potenciais, pois essas modalidades não oferecem uma possibilidade de estorno posterior. Ao usar o cartão de crédito, as administradoras possuem maior poder de ação”, afirma Thiago Carregal.

5. Entrega do produto

Como há uma grande procura nesse dia, as edições anteriores tiveram inúmeras reclamações sobre a entrega dos itens comprados. Para evitar problemas, é preciso estar atento ao prazo e, em caso de dúvidas, entrar em contato com a loja. “Imprima ou salve no computador todos os dados da compra”, esclarece Thiago.

6. Política de privacidade

É difícil encontrar alguém que, ao contratar um serviço pela web, leia o “termo de compromisso” ou “política de privacidade”. Mas o advogado garante que a leitura desse documento é essencial. “É nessa parte que a empresa deve informar como armazena ou utiliza os dados fornecidos pelo comprador”, destaca Thiago.

7. Dados confidenciais

Dados confidenciais, como CPF e endereço, nunca devem ser enviados por e-mail para fins de comércio eletrônico. Caso tenha que fornecer esses dados a algum site, garanta que o site é legítimo e verifique se o nome do site começa com https://

8. Proteção do computador

Não confie em anexos enviados junto a e-mails de ofertas. Eles podem conter programas maliciosos que infectam o computador se forem abertos.

9. Descrição do produto

Veja se a descrição do produto é compatível com o mesmo. Faça uma comparação entre as marcas.

10. Cuidado nas lojas físicas

Como é um dia de grande movimento, é possível que os vendedores realizem um atendimento mais ligeiro. No entanto, o consumidor deve ter parcimônia ao checar um produto. “Peça para abrir a caixa, teste se o produto está funcionando adequadamente ou em perfeito estado e pergunte sobre as regras para troca”, aconselha o advogado.

11. Defeitos

O Código de Defesa do Consumidor estabelece prazo de 30 dias para reclamações sobre problemas aparentes ou de fácil constatação no caso de produtos não duráveis e de 90 dias para itens duráveis, contados a partir de sua constatação. “A reclamação pode ser feita para a loja ou, ainda, para o fabricante”, ressalta Carregal.

12. Produtos importados

Ao adquirir um produto fora do país, fique atento se a origem é legal. EM caso positivo, as regras que regem esse bem são as mesmas aplicadas a qualquer item no Brasil.

13. Denúncia

Caso haja problemas, como divergência entre valor anunciado e valor na hora da compra, não tenha medo: faça um print da tela e denuncie. A imagem pode ser divulgada nas redes sociais do estabelecimento e, mais importante ainda levada ao Procon.