E o PT, quem diria...

Publicação: 2020-10-22 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

As muitas pesquisas de intenção de voto realizadas em todo o Brasil na atual campanha para prefeito, abriram por sobre o Partido dos Trabalhadores a súbita sombra do fracasso obtido nas urnas de 2016 quando praticamente foi varrido das capitais. O partido da governadora Fátima Bezerra aparece outra vez, quatro anos depois, revelado pelos índices das aferições como um mero coadjuvante nas disputas municipais. Os candidatos do PT a prefeito estão pelas tabelas.

Na semana passada, uma das principais colunistas do jornal Folha de S. Paulo, notadamente simpática ao PT (publiquei nota aqui), fez uma análise do quadro nacional e estampou como título “O PT segue firme rumo ao fim”. Aliás, quando publicou a opinião, a jornalista destacou que em apenas duas capitais o partido de Lula tinha chances de êxito, em Vitória e Fortaleza. Ocorre que pouco mais de 24 horas depois o candidato capitão Wagner superou a candidata petista.

Há quatro anos, chamou a atenção a desidratação petista em São Paulo e nas cidades circunvizinhas que formam o cinturão industrial, berço das grandes greves do passado que catapultaram Luíz Inácio Lula da Silva a líder nacional.

As greves também estimularam a formação de um partido político exclusivo para a classe trabalhadora, que após três décadas ocupou o poder. Em 2016, a derrota petista no chamado ABC Paulista foi um duro golpe no berço partidário.

Na capital do trabalho, que já elegeu prefeitos petistas como Marta Suplicy, Luiza Erundina e Fernando Haddad, temos hoje o legado operário dividido entre PSOL e PSTU enquanto o PT se esvazia a céu aberto, como um mero coadjuvante.

O partido engole agora a humilhante opção de rever candidaturas e aderir ao tresloucado e radical Guilherme Boulos. Já em Porto Alegre, a primeira grande capital que foi dominada por petistas nos anos oitenta, repete-se o desgaste.

Na cidade que elegeu prefeitos do PT em 1988, 1992, 2000 e 2004, o ex-satélite do partido, o quase invisível PCdoB, agora é quem domina a alternativa de esquerda para a prefeitura, graças ao disfarce cosmético de Manuela d’Ávila.

E aqui no RN, onde Fátima Bezerra e Fernando Mineiro obtiveram sucesso várias vezes transformando o partido numa capitania dividida entre ambos, o que se vê hoje são seus candidatos a prefeito de Natal e Mossoró apagados.

Totalmente alijados da escolha popular, escondidos em pífios índices de preferência das muitas pesquisas já realizadas, Jean Paul Prates e Isolda Dantas registram desempenho simplesmente ridículo para o histórico da legenda.

O pior é que o PT parece não aprender com os erros do passado e com os equívocos de avaliação de conjuntura. Agora mesmo, a direção nacional do partido decretou uma besteira quem em nada vai provocar uma recuperação.

Decidiram que os candidatos em todo o território nacional devem usar o horário eleitoral no rádio e na TV para defender a anulação da condenação de Lula e pregarem a recuperação dos seus direitos políticos, como se fosse possível.

E tudo isso com duas intenções específicas: dar um presente de aniversário ao ex-presidente, que completa 75 anos no próximo dia 27, e reforçar o seu nome para a eleição presidencial de 2022. Um delírio que remete a tempos remotos. 

A decisão anunciada pela histriônica Gleisi Hoffmann ignora os fatos: as pesquisas mostram que a força eleitoral de Lula estacionou num patamar abaixo do de Sergio Moro e quase semelhante aos de Ciro Gomes e Luciano Huck. 

E na terça-feira, a quinta turma do STJ rejeitou por unanimidade sete recursos em favor de Lula. Neste ano, o PT está lembrando a velha peça teatral do dramaturgo Fernando Mello, “Greta Garbo, quem diria acabou no Irajá”. É um script sobre prostituição e delírios amorosos. Mas, aí já é uma outra história.

Créditos: Divulgação

Desvios
A imprensa sabe que o famigerado Fundo Partidário é uma aberração e um acinte ao bom senso. E também sabe que é usado para partidos e candidatos realizarem contorcionismos financeiros para desviar a grana na campanha.

Desvios II
Botija dos políticos a partir de dinheiro público enterrado para suprir os interesses eleitorais de legendas e líderes, o fundo partidário é usado para pagamentos fictícios de serviços de propaganda e de pesquisas de opinião.

Polêmica
O caso da procuradora que atacou os produtores de camarão provocou uma reação equivocada, a meu ver. Quem merece as críticas é a integrante do MP e não uma jornalista, que é só interlocutora de quem combate a produtividade.

Espantoso
Do jornalista Guilherme Fiuza, sempre um sniper em suas postagens diárias na página do Twitter: “João Dória pede grandeza, Lula pede honestidade e a China pede transparência. Tem coisa que nem vacina-relâmpago resolve”.

Vacina
Como dizia Millôr, um “poemeu” intitulado “Invacinável”: Não tomo a chinesa / nem tomo a inglesa / nem a americana / e nem a germana / não tomo a comunista / nem a revisionista / não tomarei a russa / nem que a vaca tussa.

De novo...
Quem termina temporada em off, começa uma outra no mesmo patamar. Foi e é assim com Neymar, que na terça-feira sumiu em campo e apenas assistiu o PSG ser atropelado em casa, no Parc des Princes, pelo Manchester United.









Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.