Eólicas elevam PIB per capita de municípios do RN

Publicação: 2019-12-22 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

Impulsionados pelos altos investimentos nas usinas de energia eólica no Rio Grande do Norte, dez anos depois do primeiro leilão para compra de energia eólica no País, sete dos dez maiores PIBs (Produto Interno Bruto) per capita do Estado têm a energia como principal atividade. Os dados estão presentes em um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do aumento no índice, os municípios evoluem nas posições junto ao ranking do instituto.

Créditos: Damião AssunçãoAtualmente, o Rio Grande do Norte tem 152 usinas em operaçãoAtualmente, o Rio Grande do Norte tem 152 usinas em operação
Atualmente, o Rio Grande do Norte tem 152 usinas em operação

Entre as cidades estão os municípios de Bodó, Parazinho, São Bento do Norte, Pedra Grande, São Miguel do Gostoso, João Câmara e Alto do Rodrigues. Em 2017, ano base do levantamento, todos eles tinham a “eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação como principal atividade”. Confira os respectivos PIBs per capita na página 2.

“A energia eólica, nos últimos 10 anos, trouxe ativos aqui no Estado com investimentos de mais de R$ 15 bilhões. Nesses municípios onde os projetos foram instalados, no período de construção, eles receberam, além do próprio ativo que ficou lá, teve o ISS que foi captado nesse município na fase de construção, o que foi muito importante para esses municípios nessa fase”, explica Darlan Santos,  presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). “O que a gente viu foi um incremento significativo dessa fonte aqui no Estado”, reforça.

De acordo com dados do Cerne, juntas, essas cidades possuem 97 empreendimentos, que correspondem a 46,81% da geração de energia eólica no Rio Grande do Norte. Atualmente, o Estado conta com 152 usinas em operação, 12 em construção e outros 54 com construção não iniciada. Atualmente, o Estado é líder na geração de energia, tendo 4.067,96 MW de potência outorgada. Ao término da viabilização das usinas em construção e das que ainda serão iniciadas, o RN terá uma potência total de 6.568,18 MW.

“Tem um ganho indireto também. Todos os projetos, quando vão ser instalados num determinado município, um volume considerável de pessoas é contratado para participar da construção daquele projeto. É uma oportunidade para parte da comunidade fazer uma capacitação, trabalhar numa obra relativamente grande e parte dessas pessoas acabam se destacando e acabam acompanhando a empresa em outros municípios em outros projetos”, reforça.

Créditos: Alex RégisDarlan Santos - parques eólicos geram uma cadeia de trabalhosDarlan Santos - parques eólicos geram uma cadeia de trabalhos

Darlan Santos: parques eólicos geram uma cadeia de trabalhos

Vale destacar também a evolução dos respectivos PIBs per capita e as posições reativas dos municípios no quadro geral de cidades do Rio Grande do Norte. Em 2010, por exemplo, Bodó e Parazinho ocupavam a 41ª e 155ª posições na tabela. Sete anos depois, por exemplo, são o 2º e 3º colocados. Pedra Grande, São Bento do Norte e João Câmara ocupavam a 46ª, 30ª e 48ª posições, nesta ordem. Nesse período, avançaram para 5º, 4º e 7º colocados no ranking. 

A cidade de Alto do Rodrigues, por sua vez, foi a única que, mesmo estando no top dez dos maiores PIBs per capita do Estado, apresentou queda na posição entre 2010 e 2017. No primeiro ano, ela estava na 7ª posição. Em 2017, caiu para 8º. Até 2015, segundo o IBGE, a principal atividade econômica era “indústria extrativa”. A partir de 2016, “eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação" ocupou essa posição, em virtude da produção de energia eólica no município.

Com relação às outras três cidades que completam o top dez dos PIBs per capita estão Guamaré e Natal, com economia baseada em serviços, e Serra do Mel, com a indústria da transformação. 

De acordo com Hugo Fonseca,  coordenador de Desenvolvimento Energético da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), analisa os dados sob outra perspectiva. À época da instalação dos primeiros parques eólicos no RN, segundo ele, houve, entre poder executivo e interlocutores do setor, reuniões e conversas com os municípios sobre a chegada desses recursos.

“Os gestores têm que aproveitar esse recurso financeiro para garantir que volte para a população. Para pegar esse ciclo de 10 anos, alguns aproveitaram, outros não. Cabe ao gestor público de aproveitar esse recurso financeiro de ter essa disposição e aproveitar esse momento e aplicá-lo de forma controlada e estratégica durante a vida útil do parque inteiro”, explica.

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