Ecologia e Contracultura na tela do Cine Natal

Publicação: 2019-11-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

A Secretaria de Cultura de Natal (Secult) confirmou para o fim de novembro a realização da Mostra Cine Natal 2019. O evento acontecerá no pátio da Fundação Capitania das Artes (Funcarte), nos dias 29 e 30, com entrada gratuita. Na programação, curtas-metragens, oficinas, mesas redondas e exibição de dois longas inéditos na cidade: “Rito do amor selvagem", de Lucila Meirelles, e “Frans Krajcberg: Manifesto”, de Regina Jehá. Todas as atividades são gratuitas.

Frans Krajcberg: Manifesto acompanha a trajetória do arte-ativista polonês que viveu no Brasil
‘Frans Krajcberg: Manifesto’ acompanha a trajetória do arte-ativista polonês que viveu no Brasil

A programação está dividida em dois eixos temáticos: Tela Ambiental, no primeiro dia, e Tela Contracultura, no segundo. No primeiro, as atividades começam com uma mostra de curtas, seguida pela mesa de abertura, composta pelo poeta e artista visual paraense Bené Fonteles e a diretora paulista Regina Jehá, onde falarão da relação dos seus trabalhos com a questão ambiental.

Bené tem quase 50 anos de carreira e soma dezenas de exposições nacionais e internacionais. Ele trabalha com apropriação de objetos da cultura brasileira para montar instalações, procurando sempre aproximar o homem da poética contida na natureza. Além de artista, é também é ativista ambiental. Já Regina é uma cineasta bastante premiada no país, tendo lançado a poucos meses o documentário “Frans Krajcberg: Manifesto”, onde o arte-ativista polonês – naturalizado brasileiro –, fala sobre sua trajetória e descaso da humanidade com o meio ambiente. A exibição do tal filme encerra a noite de abertura. A mediação deste debate ficará com o artista plástico carioca, agora residente em Natal, Sérgio Cézar, conhecido como o arquiteto de papelão.

No segundo dia, a programação começa novamente com uma mostra de curtas, desta vez será um apanhado das produções viabilizadas pelos editais CineNatal dos anos anteriores. Na sequência acontece a mesa “Encontros Agripínicos”, em que a cineasta paulista Lucila Meirelles e o músico Cid Campos conversam sobre o romancista, cineasta e dramaturgo José Agrippino de Paula, nome importante da contracultura brasileira nos anos 60 e 70, influenciador da geração tropicalista, e criador do espetáculo “Rito do Amor Selvagem", um dos primeiros eventos performáticos e multimídia do país, cuja estreia se deu há exatos 50 anos. Para este debate, o mediador convidado será o cineasta Carito Cavalcanti.

Rito do amor selvagem insere falas originais de Agrippino de Paula do espetáculo de 50 anos
“Rito do amor selvagem" insere falas originais de Agrippino de Paula do espetáculo de 50 anos

Lucila começou com trabalho em performance arte, mas ganhou grande projeção nos anos 80 e 90 com vídeo premiados, dentre os quais, “Pivete”, “Crianças Autistas”, “Yara Bernette: Mergulhada na Música” e “Cego Oliveira no Sertão do Seu Olhar”. Seu trabalho mais recente é o documentário “Rito do Amor Selvagem", sobre a trajetória e obra de Agripino de Paula. A obra será exibida logo após o debate com Cid Campos, músico com destacado trabalho no campo da poemúsica e que não por acaso compôs a trilha sonora do filme de Lucila. Ele também fará o show de encerramento da Mostra.

Segundo a chefe do Núcleo de Audiovisual e Novas Mídias da Secult, Anayde Targino, a Mostra Cine Natal está alinhada com os principais temas em voga nos festivais pelo país. “A questão ambiental está muito em evidência no país. E para Mostra, estamos trazendo nomes que tem bastante o que falar sobre o tema”, explica Anaýde. “E com relação a Contracultura, é uma possibilidade de refletirmos sobre uma forma diferente de ver a cultura, a partir de uma visão não segmentada”.

Oficinas
Uma das demandas do segmento audiovisual de Natal, a capacitação do setor foi contemplada na programação da Mostra Cine Natal 2019. Ao todo serão ofertadas três oficinas: Som Direto, com Alexandre Santos; Direção de Arte, com monitor ainda a ser confirmado; e Produção Executiva, com Mannu Costa. As oficinas acontecem entre 27 e 30 de novembro, e a abertura das inscrições será no início da próxima semana.

Bené Fonteles falará da relação de sua arte com questão ambiental
Bené Fonteles falará da relação de sua arte com questão ambiental

De acordo com o Diretor de Políticas Culturas da Secult, Josenilton Tavares, o órgão está em constantes conversas com o segmento audiovisual natalense para afinar os direcionamentos para o setor. “Em conversa com o grupo de trabalho, ficou resolvido que seria legal priorizar a capacitação no setor. Então por isso as oficinas, que vão acontecer agora durante a mostra”, diz o gestor.

Cine Natal
Embora esteja promovendo agora ações de capacitação e difusão de filmes, a Secult segue apoiado a produção de novos trabalhos via edital Cine Natal. O edital deste ano foi lançado em agosto com valor total de investimentos na ordem de R$ 29 mil – a mais enxuta de todas as edições. Mas a baixa nos recursos se deve à paralisação da parceria com a Ancine, que nos anos anteriores entrou com apoio financeiro na proporção de três vezes o valor investido pela Prefeitura.

Cid Campos compôs a trilha de Rito do amor... e fará show
Cid Campos compôs a trilha de “Rito do amor...” e fará show

“A Ancine foi reformulada e suspendeu os editais que estavam previstos para este ano. Isso nos impossibilitou de ter essa parceria que estava prevista, que era a gente entrar com R$ 200 mil e eles com três vezes mais esse valor. Então para esse ano, ficamos só com nossos recursos extras para essas ações”, esclarece o gestor. “Estamos na espera do governo federal. Na hora que a Ancine voltar com a parceria com os entes federados, nós entraremos com a contrapartida de R$ 200 mil”.

No entanto, Josenilton lembra que os recursos investidos no audiovisual neste ano não se limitam aos R$ 29 mil do edital. “Os investimentos foram feitos de maneira fragmentada. Chegamos a um valor de 100 mil, mas dividido em ações. Estamos com um grupo de trabalho do audiovisual, composto por pessoas do segmento junto à Funcarte, tudo para discutir os caminhos para a política público no setor. E ouvindo o grupo de trabalho ficou definido que o uso dos recursos extras que estavam previstos para esse ano, seriam usados dessa forma, com valores menores para o edital Cine Natal, mas em compensação abrindo para outras demandas que geralmente não são atendidas, como o apoio a cineclubes, pesquisas e principalmente capacitação”, explica o Josenilton.





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